Homem que matou ex-genro ao defender a filha, em Praia Grande, se apresenta

Edson Claro de Almeida argumentou que enquanto defendia a filha o ex-marido dela ameaçou matá-los

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09 OUT 2019Por Gilmar Alves Jr.13h55
O representante comercial foi indiciado no 1º DP e responderá em liberdadeFoto: Reprodução/Google Maps

Três dias após matar o ex-genro a tiros, com a justificativa de defesa da própria filha, o representante comercial Edson Claro de Almeida, de 52 anos, se apresentou nesta quarta-feira (9) à Polícia Civil e disse que deixou a cena do homicídio porque ficou em “estado de choque”. Após ser interrogado e indiciado pelo delegado Flávio Magário, titular do 1º Distrito Policial de Praia Grande, o homem foi liberado, pois não houve flagrante.

O Ministério Público Estadual (MPE) irá definir se oferecerá denúncia ou não pelo homicídio. O advogado de Almeida, Rodrigo Caetano Rodrigues, argumenta que o cliente agiu com excludente de ilicitude porque a conduta foi em legítima defesa de terceiro – a própria filha, que tem 28 anos.

“No momento que ele (Almeida) sacou a arma, o Elton disse que ia tomar a arma dele e ia matar os dois”, afirmou à Reportagem o advogado nesta quarta-feira.

Almeida disse ao delegado que dispensou o revólver usado para matar o ex-genro na Avenida Ministro Marcos Freire durante a noite de domingo, pouco depois do episódio.

Investigadores foram até a avenida para tentar localizar a arma, de calibre 38, nesta quarta, mas não a encontraram.

Dinâmica

No interrogatório, o representante comercial afirmou que foi até a casa da filha, no bairro Sítio do Campo, no início da noite de domingo, após sua mulher receber mensagens de WhatsApp da moça, que relatava estar rendida pelo ex-marido.

Almeida diz que sabia que Silva tinha um perfil violento e tinha conhecimento de que ele “perseguia os passos” da filha por não aceitar o fim do relacionamento, que ocorreu há dois anos. Ainda segundo o interrogado, o ex-genro tinha um ciúme “excessivo e doentio” por sua filha.

O representante comercial afirmou que ao tentar abrir a porta da casa, situada na Rua Antônio Severino, percebeu que Silva estava bloqueando a entrada por estar sentado em uma espécie de puff. Almeida diz que foi forçando a porta e pedindo a saída do ex-genro da casa, mas Silva se mantinha bloqueando a entrada e não atendia aos pedidos para deixar a residência.

Almeida prosseguiu, no interrogatório, dizendo que chegou a declarar uma “última chance” para o ex-genro sair da casa, mas ele respondeu com ironia e disse: “você é um c.., você não tem coragem de atirar, eu vou pegar essa arma e matar você e sua filha. Eu já vim com a intenção de matá-la e vou aproveitar e vou matar você também seu c...”.

O representante diz que após as ameaças engatilhou a arma e novamente fez um “aviso” a Silva, que ficou somente observando. Na sequência, o representante baleou o ex-genro no quadril.

Silva reagiu de forma violenta após o disparo, de acordo com Almeida, e por conta disso, segundo ele, foi feito mais um disparo, desta vez no abdômen.

Afirmando que temia uma nova reação violenta de ex-genro, Almeida disse que efetuou um terceiro tiro.

Silva chegou a ser socorrido ao Pronto-Socorro do Hospital Irmã Dulce, onde não resistiu. 

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