URGENTE: Plano de ataques do PCC em represália à transferência de presos da facção é identificado

'Podem ocorrer a qualquer momento', escreveu delegado lotado em Mongaguá em comunicado a superior hierárquico em Santos

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13 FEV 2019Por Gilmar Alves Jr.18h55
Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, foi transferido nesta quarta-feira (13) para uma unidade federalFoto: Rogério Cassimiro/Folhapress

A direção do Centro de Progressão Penitenciária (CPP) de Mongaguá recebeu informações sobre o  planejamento de ataques a delegacias, ônibus e agentes de segurança pública no Estado de São Paulo em represália à transferência de 22 presos ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC) para unidades federais.

O Diário do Litoral teve acesso ao comunicado de um delegado, na Baixada Santista, que informa que os possíveis ataques têm ordem já definida. A mensagem tem como base as informações transmitidas pelo diretor do CPP, que reportou ter recebido a informação da inteligência da Secretaria de Administração Penitenciária (SAP). 

Em primeiro, como possíveis alvos, segundo a mensagem do delegado, estão as delegacias da Polícia Civil; em segundo, ônibus e, em terceiro, agentes da área de segurança pública em geral.

“A ação dos criminosos não tem momento exato para ser deflagrada. Ou seja, (ataques) podem ocorrer a qualquer momento”, escreveu o delegado, lotado em Mongaguá, para seu superior hierárquico em Santos.

SAP 

Por meio de nota, a SAP disse que a inteligência da pasta não recebeu e não participou da análise da informação sobre os ataques que foi obtida e transmitida pelo diretor de unidade ao delegado de polícia. "Até o momento não há elementos comprobatórios de sua veracidade", diz a pasta. 

SSP

A Secretaria da Segurança Pública (SSP), também em nota, disse, sobre as transferências, que as polícias Civil e Militar foram orientadas e estão preparadas para atuar sempre que houver necessidade. "As ações preventivas de segurança são estratégicas e não podem ser detalhadas", afirma. 

Marcola

O chefe do PCC, Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, foi transferido nesta quarta-feira (13), assim como outros 21 integrantes da facção.

Em 2006, em reação a uma transferência de presos da facção para o presídio de segurança máxima de Presidente Venceslau, no interior paulista, criminosos desencadearam ataques que mataram 564 pessoas.

Pedido do MP

Em nota, o Ministério Público de São Paulo (MPSP) disse que solicitou à Justiça a transferência dos detentos da facção para presídios federais em 28 de novembro de 2018, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

Na semana passada, o Poder Judiciário acolheu o pedido.  Após a decisão judicial, a Secretaria da Segurança Pública, a Secretaria da Administração Penitenciária, o Departamento Penitenciário Nacional (Depen) e o Ministério da Justiça tomaram as medidas para a transferência, segundo o MPSP.

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