Flagrantes de drogas com visitantes de presídios chegam a 60 na Baixada

Balanço é de janeiro a outubro deste ano; do total de detidos nestas circunstâncias, 54 são mulheres

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15 NOV 2019Por Gilmar Alves Jr.10h50
A diretora do núcleo de portaria da Penitenciária II de São Vicente, Cristina Acayaba, operando equipamento de raio-X.Foto: NAIR BUENO/DIÁRIO DO LITORAL

Os flagrantes de visitantes que tentam entrar com drogas em unidades prisionais da Baixada Santista chegaram a 60 no período de janeiro a outubro deste ano, conforme balanço divulgado pela Secretaria Administração Penitenciária (SAP) a pedido do Diário do Litoral. Do total de detidos, 54 são mulheres, o que corresponde a 90% dos casos.

O visitante flagrado com entorpecentes está sujeito a autuação em delegacia da Polícia Civil pelo crime de tráfico de drogas e a pena de 5 a 15 anos de reclusão.

A Penitenciária II de São Vicente teve o maior número de flagrantes: 25 mulheres e dois homens. A unidade é seguida pelo Centro de Detenção Provisória (CDP) da Cidade, que teve 13 mulheres e dois homens barrados. Na sequência, vem a Penitenciária I de São Vicente, com 10 mulheres e dois homens flagrados com drogas, o CDP de Praia Grande, com cinco mulheres, e o Centro de Progressão Penitenciária (CPP) de Mongaguá, com uma mulher barrada.

Os flagras envolvendo entorpecentes podem ocorrer nos procedimentos de escâner corporal, com uso de aparelhos de raio-X (que podem detectar tóxicos em alimentos, por exemplo) e até com encaminhamento do visitante para uma unidade de saúde, para detecções com raio-X que requerem uma análise mais minuciosa.

Maconha, cocaína, LSD e ecstasy são inseridos de variadas formas nos corpos e até em alimentos levados pelos visitantes.

Na comparação com o mesmo período de 2018, quando houve 71 flagrantes, este tipo de ocorrência caiu 15,49% em 2019.

Os escâneres corporais, implementados em unidade prisionais de todo o Estado e utilizados desde 2017 na Baixada Santista, são equipamentos que, na avaliação, do diretor da Penitenciária II de São Vicente, Nilton Ribeirão Rumão, podem afastar uma intenção de tentativa de entrada com ilícitos.

NAIR BUENO/DIÁRIO DO LITORAL

Escâneres corporais contribuem para os casos de flagrantes.

"Eu acredito que essa linha mais firme, a tecnologia investida, ela é sim um fator preponderante para que haja uma queda no índice de tentativa de entrada com drogas", disse Rumão em entrevista ao Diário do Litoral.

De janeiro a outubro de 2018, a P II de São Vicente teve 30 flagras relacionados a entorpecentes em procedimentos de revista e também foi a primeira unidade prisional da Baixada na quantidade de visitantes barrados por este tipo de delito.

"O grande número de apreensões na P II de São Vicente eu atribuo claro, aos equipamentos que são fornecidos, são muito boas ferramentas de trabalho, mas a principal ferramenta é quem opera esses equipamentos", disse.

"O detector de metal apita, o escâner corporal e o raio-X não", afirma Rumão, que define como minucioso o trabalho realizado pelos funcionários para as detecções.

NAIR BUENO/DIÁRIO DO LITORAL

Diretor da P II de SV, Nilton Rumão destaca empenho dos agentes nas revistas.

ANÁLISES

A diretora do núcleo de portaria da P II, Cristina Acayaba, deu como um exemplo de análise detalhada das imagens geradas pelo escâner corporal a identificação de três pontos de solda de um microcelular que era transportado por uma pessoa pelo equipamento, o que possibilitou o flagra.

"Só o olhar treinado, aguçado, que consegue pegar as coisas mais difíceis, como nesse caso", disse o diretor da penitenciária.

De janeiro a outubro de 2019, casos de flagrantes de tentativas de entrada com celulares chegam a cinco nas unidades prisionais da Região: foram quatro mulheres na P II de São Vicente e uma no CDP de Praia Grande.

No mesmo período do ano passado foram seis, sendo quatro homens e duas mulheres na P II de São Vicente. A pena de detenção, nestes casos, é de três meses a um ano.

R$ 50,00

Nos casos envolvendo entorpecentes, dizem o diretor da P II e a diretora de portaria, muitas das visitantes flagradas são de baixa escolaridade. "Essas pessoas, pelos relatos delas, são aliciadas por aqueles que realmente são os criminosos, aqueles que querem se beneficiar com o tráfico de drogas ou com o uso dessas drogas", diz Rumão.

A diretoria de portaria relembra um flagra ocorrido em 27 de abril deste ano, em que a visitante, uma empregada doméstica de 24 anos, relatou ter recebido R$ 50,00 para transportar na calcinha três pontos de maconha sintética K4 e uma porção da droga no modo mais comum.

O processo tramita pela 3ª Vara Criminal de São Vicente e a acusada responde em liberdade provisória.