"Fiquei surpreso com a saída"

Após seis anos no comando do Deinter-6, o delegado Waldomiro Bueno Filho deixa o cargo.

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09 JAN 201321h55

A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP) anunciou, ontem, a troca de comando de sete departamentos da Polícia Civil, entre eles o que abrange a Baixada Santista e Vale do Ribeira – Departamento de Polícia Judiciária do Interior-6 (Deinter-6). Desde 2007, o comando era do delegado Waldomiro Bueno Filho, que será substituído hoje pelo delegado Aldo Galiano Júnior. O novo diretor deixou o Departamento de Capturas e Delegacias Especializadas (Decade) da Capital.

Segundo nota divulgada pela SSP, “as alterações nos comandos das principais diretorias fazem parte de um processo natural de renovação”.

Na tarde de ontem, Bueno Filho concedeu entrevista exclusiva ao Diário do Litoral. O delegado completará, em junho, 45 anos atuando na polícia. Bastante emocionado, Bueno Filho se mostrou surpreso e insatisfeito com a saída.

Diário do Litoral - Como você recebe essa notícia?
Waldomiro Bueno Filho - Foi uma surpresa porque vinha fazendo um belo trabalho. O governador (Geraldo Alckmin) tinha dito que contava comigo até o final do seu mandato. Mas estou feliz porque sei que estou saindo por excesso de competência. Ninguém fica no comando por muito tempo, ainda mais trabalhando na polícia.

DL - Qual seu sentimento com essa mudança?
Bueno Filho - De coração, eu lamento sair daqui. Não pelo cargo, mas por conta dos policiais que trabalhei, que são homens dignos, comprometidos com a segurança pública e com a Baixada Santista. Mas, tudo bem, a gente compreende, a administração tem suas escolhas e estamos aí para cumprir nosso papel.

DL - Qual teria sido o motivo de sua saída?
Bueno Filho - Eu bati um recorde na direção do Deinter-6 ficando seis anos no comando. Esse teria sido o motivo da minha saída.

DL - Como você analisa os seis anos de comando no Deinter-6?
Bueno Filho - Nossa produtividade foi grande nesse tempo. Sazonalmente fazíamos operações. Prendemos mais de 5 mil criminosos nos seis anos. Quando eu cheguei aqui, encontrei um departamento com vários problemas e consegui sanar eles. Hoje, estamos com uma produtividade maravilhosa, com quase todos os casos de repercussão resolvidos. No meu comando implantamos a metodologia da recognição visuográfica, onde o policial é obrigado a ir até o local do crime. Isso aumentou o poder de esclarecimento dos casos.

DL - Você acha que deixou alguma aresta no comando?
Bueno Filho - Sem dúvidas, tem pontos que precisam ser bem mais trabalhados. Um exemplo são as quadrilhas que atuam em Praia Grande, que conta com um número muito alto de roubos. Infelizmente, são bandidos que não são da região, complicando nosso trabalho. Mas sei que fiz um grande trabalho. Meu sonho na polícia era ter um lugar sem crimes de roubos e furtos, isso é com o tempo, com a própria legislação, que infelizmente atrapalha o trabalho da polícia. Nós criticamos porque gostamos do que fazemos. Nós queríamos leis perfeitas para manter o ladrão preso, para que o cidadão possa caminhar tranquilamente  na rua, andando com o vidro do carro aberto.

DL - Você conhece o novo diretor?
Bueno Filho - Conheço, é um grande delegado, um parceiro, que vai dar continuidade ao nosso trabalho. É uma pessoa “super” afável, que não tem amor exacerbado ao cargo. É um homem que tem um ótimo relacionamento com seus funcionários.

O delegado Waldomiro Bueno Filho deixa o comando do Deinter-6 (Foto: Arquivo/DL)

DL - Quais metas você tinha traçado para 2013?
Bueno Filho - Tinha planos de neste ano realizar a reforma do Palácio da Polícia Civil, que é uma preocupação minha, a construção de um prédio no Valongo para abrigar o 1º Distrito Policial, viabilizar o barco que está para ser fornecido pela Petrobras, onde poderemos realizar diligências em locais de difícil acesso, além da reforma de algumas delegacias. Sei que o Aldo vai dar continuidade nesses projetos.

DL - Sabe qual será seu futuro?
Bueno Filho - Ainda não sei, meu futuro ainda está indefinido. Não sei se vou assumir alguma seccional ou diretoria. Em um primeiro momento, sei que estarei à disposição da Delegacia Geral de Polícia.

DL- Você completa, em junho, 45 anos trabalhando na polícia. Qual sua análise nesse período?
Bueno Filho - Eu já comandei por cinco anos São José do Rio Preto, um ano São José dos Campos e aqui. Uma das maiores realizações da minha vida foi ter trabalhado no Litoral, sou um homem realizado por isso, além de me sentir realizado por nesse período ter respeitado as pessoas, inclusive os ladrões que prendi. Na minha carreira, participei de diversos tiroteios, mas nunca dei um tapa no rosto de alguém, sequer levantei a mão para uma pessoa, isso é a coisa mais importante para mim.