Família de menino morto por PM tentará acordo com o Estado

De acordo com o defensor público Fábio Amado, é uma tentativa de "solução amigável, que permite às famílias receber de forma muito mais rápida a indenização"

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16 ABR 201513h29

A defesa da família do menino Eduardo de Jesus Ferreira, morto aos 10 anos com um tiro na cabeça no Complexo do Alemão, na zona norte do Rio de Janeiro, vai tentar um acordo extrajudicial com o governo do Estado do Rio para a reparação por danos morais e materiais sofridos pelos pais do garoto. De acordo com o defensor público Fábio Amado, é uma tentativa de "solução amigável, que permite às famílias receber de forma muito mais rápida a indenização". Ele não informou valores pedidos.

Segundo Amado, o acordo amistoso substituirá à princípio uma possível ação indenizatória por causa da boa vontade demonstrada pelo governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) com o caso.

"Considerando que as declarações públicas do governador do Estado no sentido de ter sido equivocada a ação policial, além da solidariedade prestada, nós buscaremos um acordo", declarou Amado. A família de Eduardo teve as despesas da viagem ao Piauí, translado e enterro do menino pagas pelo Estado do Rio.

Após retornarem ao Rio no início da noite desta quarta-feira, 15 os pais de Eduardo, José Maria Ferreira e Terezinha Maria de Jesus, e as duas irmãs do menino chegaram à Delegacia de Homicídios (DH), na Barra da Tijuca, zona oeste, por volta de 20h10 para prestar depoimentos. O casal usava camisas brancas com uma foto de Eduardo.

Eles vão participar, junto com os policiais militares envolvidos na ação, da reprodução simulada do caso, prevista para esta sexta-feira, 17, na localidade do Areal, onde a família vivia e Eduardo foi morto.

"Essa prova é fundamental para que o delegado possa elaborar o relatório final do inquérito e encaminhá-lo", ressaltou o defensor.

Aos investigadores, Terezinha voltou a afirmar que não havia tiroteio no momento em que Eduardo foi atingido. Ela se disse novamente capaz de reconhecer o policial que disparou contra Eduardo. "A reprodução (simulada) é uma oportunidade, embora possa haver atos próprios para o reconhecimento. É possível que se faça na própria reprodução simulada", admitiu Amado.

Na ocasião, Terezinha afirmou que vai processar o diretor do AfroReggae, José Júnior, por ter publicado, na ocasião da morte de Eduardo que, "segundo informações, o menino era bandido".

"A morte do Eduardo foi algo muito trágico, e a família convive com todo esse sofrimento e angústia. Algumas notícias feriam frontalmente tanto a honra dos parentes quanto as do Eduardo. As medidas cabíveis, se necessário judiciais, serão adotadas", informou Amado.

A família não vai voltar para o Complexo do Alemão. "Não vamos voltar para lá", disse Ferreira, explicando que ficaria com a família na casa de um de seus irmão, também no Rio.

"As lembranças são muito penosas, muito duras, viver com a imagem do filho, do irmão, é insuportável pra eles", afirmou o defensor público.