Polícia
Investigado utilizava bebidas com ervas para entorpecer as vítimas e alegava que o abuso sexual era necessário para a conclusão do processo de purificação
Operação conjunta entre a Delegacia da Mulher e a Delegacia Sede interrompe série de ataques que ocorriam durante falsos rituais de purificação / Nair Bueno/DL
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Uma operação conjunta entre a Delegacia Sede de Guarujá e a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) resultou, nesta segunda-feira (09), na prisão de um homem de 47 anos acusado de uma série de crimes sexuais graves. O suspeito, capturado no bairro Vila Santa Rosa, utilizava-se da fé e de rituais religiosos para atrair, entorpecer e abusar de mulheres.
De acordo com as investigações conduzidas pela DDM, o homem se apresentava como um líder espiritual de matriz afro-brasileira. Sob o pretexto de realizar "limpezas" e "purificações", ele atraía as vítimas e as induzia a ingerir bebidas preparadas com ervas desconhecidas.
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Após a ingestão, as mulheres entravam em estado de torpor e vulnerabilidade. Aproveitando-se dessa condição, o investigado afirmava que o ritual só seria concluído com sucesso mediante a manutenção de relações sexuais, momento em que os abusos eram praticados.
A gravidade do caso chamou a atenção das autoridades pela reincidência e abrangência das ações do criminoso. Até o momento, a Polícia Civil identificou quatro vítimas, duas residentes no Guarujá e outras duas no município de Osasco, na Grande São Paulo.
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Além dos crimes sexuais recentes, o histórico do acusado revela um perfil de violência recorrente. Ele já possuía registros criminais anteriores por violência doméstica contra sua ex-companheira, o que, para os investigadores, reforça um padrão comportamental de agressão e objetificação da mulher.
O mandado de prisão foi cumprido sem resistência. O homem foi cientificado da decisão judicial e conduzido à unidade policial, onde foram realizados os procedimentos de Polícia Judiciária. Ele permanece preso e à disposição do Poder Judiciário, enquanto a polícia apura se há outras vítimas que ainda não formalizaram denúncia devido ao medo ou constrangimento.
A prisão do falso líder religioso traz de volta o debate sobre a segurança das mulheres no litoral paulista, que tem sido palco de episódios alarmantes de importunação.
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Em setembro de 2025, um caso de grande repercussão ocorreu no bairro Jardim Virgínia, também em Guarujá. Câmeras de monitoramento flagraram o momento em que uma moradora, que passeava com seus cães na Avenida Assis Chateaubriand, foi perseguida por um homem que exibia o órgão genital e se masturbava publicamente.
Na ocasião, o criminoso abordou a vítima fingindo pedir informações antes de iniciar a perseguição, gerando uma onda de medo entre as frequentadoras da orla.