Enxurrada de saques criminosos no auxílio emergencial é registrada na Baixada Santista

Uma alta demanda de casos chega aos plantões da Polícia Civil; Polícia Federal diz que beneficiários lesados devem se dirigir apenas a agências da Caixa Econômica Federal

Comentar
Compartilhar
27 JUN 2020Por Gilmar Alves Jr.07h00
Aplicativo oficial Caixa Tem, usado para movimentações do auxílio; beneficiários devem usar somente canais oficiaisFoto: Divulgação

Uma enxurrada de casos de saques criminosos feitos por terceiros nas contas de beneficiários do auxílio emergencial, em meio à pandemia, tem chegado aos plantões da Polícia Civil na Baixada Santista. Conforme apurou o Diário do Litoral, há plantões, inclusive, em que a maior parte dos casos registrados é dessa natureza. Como a competência para a investigação desses crimes é da Polícia Federal (PF), por envolver a Caixa Econômica Federal (CEF), a recomendação da PF é clara: os beneficiários lesados devem se dirigir apenas a uma agência da Caixa Econômica Federal para iniciar o processo de contestação de movimentação em conta e receber eventual ressarcimento. 

"As informações desse processo de contestação (na Caixa) serão oportunamente compartilhadas com a Polícia Federal para fins de investigação de eventuais crimes ocorridos. Caso haja necessidade de esclarecimentos adicionais, a Polícia Federal entrará em contato com o beneficiário através dos dados informados no processo de contestação realizado pela Caixa", afirma, em nota, a Polícia Federal. 

"Esse procedimento, além de evitar deslocamentos desnecessários e aglomerações para o registros, preserva o tempo e a saúde dos beneficiários, além de não causar nenhum prejuízo às investigações, uma vez que as informações necessárias para identificação dos autores de eventual conduta criminosa serão compartilhadas entre a Caixa e a Polícia Federal", frisa a PF. 

A Polícia Civil, por meio do Departamento de Polícia Judiciária do Interior-6 (Deinter-6), informou ao Diário que os casos de fraude de saque no auxílio que chegam às delegacias são registrados e  encaminhados para a Polícia Federal. 

O Diário do Litoral solicitou dados consolidados de boletins de ocorrência referentes aos saques criminosos nos meses de abril, maio e junho ao departamento, mas não há um balanço. 

Aplicativo

Um entre as centenas de casos que chegaram aos plantões na Região, conforme apurou o Diário, trata-se de uma mulher de 42 anos, que registrou ocorrência na manhã da última quarta-feira (24). 

Ela informou para a Polícia Civil que teria direito a um complemento salarial de R$ 262,00 em meio à pandemia e disse que sem a sua autorização ou consentimento o dinheiro foi pago mediante o aplicativo Caixa Tem, o qual a vítima disse nem ter instalado. O caso foi registrado sob a natureza de estelionato consumado. 

Na nota sobre as fraudes em geral no auxílio, a Caixa informou que atua de forma conjunta com os órgãos de segurança pública para mitigar riscos de fraudes e garantir um nível adequado de segurança no pagamento do auxílio emergencial. 

"Especificamente para o benefício auxílio emergencial, é muito importante que os cidadãos utilizem única e exclusivamente os canais oficiais da Caixa ou do Governo Federal para buscar informações e acesso aos serviços. Neles são utilizados fatores complementares de segurança baseados em informações, código de verificação, além do próprio dispositivo para garantir o devido nível de segurança do processo. Assim, podemos garantir que ao utilizar os aplicativos oficiais da Caixa as informações e transações dos clientes estarão seguras", disse o banco, em nota. 

Ação no Brisamar

No último dia 18, uma dupla que estava fazendo compras no Brisamar Shopping, em São Vicente, mediante fraudes em nomes de terceiros, com recursos do auxílio emergencial, foi identificada e surpreendida por policiais civis.

Um dos acusados, de 25 anos, admitiu os golpes aos policiais civis, durante a abordagem, e disse que efetuava cadastros com números de CPF de terceiros e assim conseguia efetuar saques e compras por meio destes cadastros. 

A Polícia Civil apreendeu objetos relacionados às fraudes na casa do suspeito e registrou o caso como estelionato. Os suspeitos foram encaminhados à PF para a sequência da investigação criminal, segundo o Deinter-6.