Onda de execuções

Em 4 meses, 18 corpos foram abandonados em cidades da Baixada

Polícia Civil afirma que não há indícios de ligação entre os casos

Caroline Souza

Publicado em 25/08/2022 às 15:15

Atualizado em 25/08/2022 às 20:05

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No início de maio, o corpo de homem foi encontrado com braços e pernas amarrados e marcas de tiros em Guarujá / Plantão Guarujá

A Polícia Civil está investigando a morte de 18 pessoas, cujos corpos foram desovados em vias da Baixada Santista nos últimos quatro meses. Apesar da semelhança com que os corpos foram encontrados, com marcas de tiros e alguns com as mãos e pés amarrados, a Polícia Civil afirma que não há indícios de qualquer ligação entre os casos.

As investigações estão sendo conduzidas pela Polícia Civil de Santos e pelas Delegacias Especializadas: o DEIC (Departamento Estadual de Investigações Criminais) de Santos e a DIG (Delegacia de Investigações Gerais) de Praia Grande. A 3ª Delegacia de Homicídios do DEIC identificou 18 suspeitos que podem ter algum envolvimento com casos deste tipo.

“Nós estamos trabalhando, estamos investigando, só que todos os casos ocorrem em sigilo, tanto por determinação legal, como porque pode atrapalhar a investigação divulgar qualquer detalhe que está sendo apurado”, afirmou o delegado Thiago Nemi Bonametti, da 3ª Delegacia de Homicídios do DEIC de Santos, em entrevista à imprensa nesta quarta-feira (24). 

As ocorrências foram registradas em seis das nove cidades que compõe a Baixada Santista, são elas: Santos (5), Praia Grande (5), Guarujá (4), São Vicente (2), Peruíbe (1) e Cubatão (1).

O primeiro caso aconteceu em 17 de abril, quando o corpo de um homem foi encontrado no bairro Rio Branco, em São Vicente, com as mãos amarradas. Segundo a Polícia Civil, o homem tinha várias marcas de tiros pelo corpo.

Em 3 de maio, um homem foi encontrado com as mãos e pés amarrados, em uma área de mata às margens da Rodovia Cônego Domênico Rangoni, no bairro Morrinhos, em Guarujá. Segundo informações da polícia, a vítima, de 24 anos, foi executada a tiros.

No dia 5 do mesmo mês, o corpo de outro homem foi encontrado com as mãos amarradas, no bairro Quarentenário, em São Vicente.

No final do mês de junho, os casos começaram a aumentar. No dia 25, o corpo de um jovem de 22 anos foi encontrado com marcas de tiros na Av. Francisco Ferreira Canto, no bairro Caneleira, em Santos. O jovem foi encontrado com os punhos amarrados e com marcas de bala pelo corpo.

Uma semana depois, na noite de um sábado, 2 de julho, os corpos de dois homens, de 20 e 22 anos, foram encontrados na Avenida Francisco Manoel, no bairro do Jabaquara, em Santos, ao lado da Santa Casa. Os cadáveres apresentavam sinais de perfurações por arma branca e estavam enrolados em lençóis dentro de sacos.

No dia 3, um homem de 26 anos foi encontrado às margens da rodovia Cônego Domênico Rangoni, próximo ao viaduto na entrada do bairro Morrinhos, em Guarujá. A vítima tinha braços e pernas amarrados e havia marcas de tiros no tórax, braços e pernas.

No dia seguinte (4/7), em Praia Grande, um homem foi morto e atirado às margens de um canal perto da rodovia Padre Manoel da Nóbrega. Ele apresentava uma marca de bala na cabeça e foi deixado com as calças abaixadas, com os braços e pernas amarrados. A polícia suspeita que ele possa estar envolvido no estupro de uma criança de uma comunidade local.

Em 6 de julho, o corpo de outro homem foi encontrado às margens da Cônego Domênico Rangoni, em Guarujá. Ele estava com ferimentos no rosto e com os braços e pernas amarrados. 

Já em 15 de julho, um corpo foi encontrado ao lado de um canal no bairro Anhanguera, em Praia Grande, com marcas de tiros. O homem era guarda civil municipal lotado em Paulínia, no interior do estado, e chegou a trabalhar como GCM em Praia Grande.

Três dias depois, um corpo de um homem foi encontrado no acostamento da rodovia Padre Manoel da Nóbrega, no km 298, em Praia Grande. Segundo a Polícia Militar, a vítima estava com diversos ferimentos causados por disparos de arma de fogo.

Neste mês, entre os dias 15 e 22, mais sete corpos foram abandonados na região.

No dia 15, o corpo de um homem foi encontrado em uma área de mangue no bairro Pedreira, em Guarujá. 

Três dias depois, em 18 de agosto, um homem e uma mulher foram executados na marginal da Rodovia Padre Manoel da Nóbrega, em Praia Grande. Na ocasião, outra mulher foi baleada com a dupla, mas foi socorrida com vida.

No dia 19, outros três corpos foram encontrados em cidades diferentes da Baixada Santista. A primeira ocorrência foi em Peruíbe, onde o corpo de um homem enrolado em um cobertor e com marcas de tiros foi abandonado na Padre Manoel da Nóbrega. 

Depois, o corpo de outro homem foi encontrado na Rodovia Cônego Domênico Rangoni, sob a ponte do Monte Cabrão, na Área Continental de Santos. O cadáver estava com as mãos e pés amarrados e tinha ferimentos de arma de fogo na cabeça e nas costas. 

Ainda no dia 19, um homem de 53 anos teve o corpo abandonado na Ilha Caraguatá, em Cubatão. A vítima foi deixada embaixo do viaduto da Rodovia dos Imigrantes, com ferimentos de tiro e braços amarrados.

O último caso foi o do policial civil Marcelo Cassola, que era chefe dos papiloscopistas no Palácio da Polícia de Santos e diretor do Sindicado dos Funcionários da Polícia Civil de Santos e Região (Sinpolsan). O corpo do policial foi encontrado na Av. Francisco Canto, na Caneleira, em Santos, na noite de segunda-feira (22). Segundo informações extraoficiais, ele teria sido executado com mais de 40 tiros.

Homem é preso com cartões do policial civil

Nesta quarta-feira, a Polícia Civil prendeu um homem que estava com dois cartões bancários de Marcelo Cassola. A idade do suspeito e o local da prisão não foram revelados e a possibilidade de ligação dele com a execução está sendo apurada.

“Após ele (o policial) ser morto, foram utilizados os cartões dele, e esse indivíduo foi preso por esse fato. A gente já sabe mais ou menos o que aconteceu, mas não podemos dar muitos detalhes sobre isso ainda”, disse o delegado Thiago Nemi Bonametti.

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