‘É um bandido’, diz mãe de rapaz morto por R$ 7 após garçom condenado sair livre

Robinson de Jesus Lima, de 50 anos, respondeu ao processo pela participação no homicídio duplamente qualificado e foi condenado a 13 anos de prisão

A mãe do rapaz que foi assassinado a facadas em 2012 devido a uma dívida de R$ 7 ficou inconformada com o fato do garçom condenado por participar do homicídio ter deixado o Fórum de Guarujá em liberdade e pela mesma porta pela qual entrou antes de ser submetido a júri popular.

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Robinson de Jesus Lima, de 50 anos, respondeu ao processo pela participação no homicídio duplamente qualificado e foi condenado a 13 anos de prisão. Apesar disso, devido à sentença que lhe foi proferida, o garçom recorrerá da decisão em liberdade. Ele era acusado de ter entregado a faca que foi utilizada no assassinato do estudante Mário dos Santos Sampaio. Além de Robinson, o dono do restaurante onde o crime ocorreu, e que foi responsável pelas facadas na vítima, e o filho dele, já foram condenados e seguem presos.

A mãe de Mário, a dona de casa Maria Helena dos Santos Sampaio, afirma que conversou com a promotoria antes e depois do julgamento e apesar de ter ficado aliviada com a condenação, deixou o Fórum indignada.

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“O promotor nos explicou a condenação e ficamos aliviados inicialmente, mesmo com o fato da pena ter sido pequena, mas o juiz poderia ter decretado a prisão e não o fez. Isso é claro que deixou um desconforto, uma revolta, porque ele tem que ser responsabilizado. Também entraremos com recurso e acredito que o promotor também o faça, porque aquele homem é um bandido e bandido tem que ficar preso”, explica.

Tanto Maria Helena quanto seu marido, Renato Camargo, deixaram Guarujá nas primeiras horas desta quinta-feira (29) e já voltaram para Campinas, onde moram na mesma casa que dividiam com o filho antes do crime ocorrer em 2012. Mesmo com a distância, eles afirmam que seguirão acompanhando o caso de perto para não deixar que Robinson siga em liberdade.

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“A nossa justiça é bastante falha, dá para ver que há muitas lacunas que favorecem o réu e não a vítima então sabíamos que isso poderia ocorrer. Nós até mesmo tentamos indenizar a família do dono do restaurante, não porque queremos o dinheiro, temos até intenção de doar o eventual valor para o Hospital Boldrini, mas porque achamos que a condenação deles ainda é muito pouco. Só que a família deles não atende a porta e por isso jamais conseguimos entregar a intimação”.

Maria Helena explica que fato do julgamento ter sido finalizado em um dia se deu pelo fato do juiz querer agilizar o processo a fim de liberar todas as testemunhas e a família de Mário o mais rápido possível, uma vez que quase todas as pessoas envolvidas na ocorrência eram turistas no dia do crime e vivem em municípios distantes do litoral paulista.

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“Aquele homem é um monstro e vê-lo sair pela mesma porta pela qual ele entrou é revoltante”, conclui.

Crime

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Mário dos Santos Sampaio foi assassinado no dia 31 de dezembro de 2012. Original de Campinas, ele passava as férias em Guarujá com a namorada e alguns amigos e deveriam passar o Réveillon no litoral paulista. Durante o começo da tarde, o grupo decidiu almoçar em um restaurante chamado Casa Grande que ficava no bairro Enseada.

O desentendimento que levou ao homicídio ocorreu no momento em que Mário e seus colegas decidiram pagar a conta. À época, as autoridades afirmaram que o estudante não quis pagar a conta, que teria ficado no valor de R$ 19,99, porque, segundo ele, o valor divulgado pelo estabelecimento comercial era de R$ 12,99.

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O dono do restaurante, identificado como José Adão Pereira Passos, de 61 anos, discutiu com Mário e esfaqueou o jovem com a ajuda do próprio filho do lado de fora do estabelecimento. Ambos foram presos semanas após o crime e foram condenados em 2015. José Adão pegou uma pena de 20 anos de prisão e seu filho foi condenado a 17 anos em regime fechado. O advogado do garçom conseguiu separá-lo do processo que julgou pai e filho e por isso ele foi submetido a júri popular nesta semana.