Drogas que gerariam R$ 1 milhão ao crime organizado na Baixada são apreendidas

Apreensões fizeram parte de uma operação da Polícia Civil, que deteve 273 pessoas por diversos crimes em 24h

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29 JUN 2017Por Gilmar Alves Jr.20h07
Mais de 70 quilos de drogas foram retirados de circulação na operaçãoFoto: Matheus Tagé/DL

Uma operação da Polícia Civil nas cidades de Santos, São Vicente, Cubatão, Praia Grande, Guarujá e Bertioga retirou de circulação mais de 70 quilos de entorpecentes em 24 horas. Os tóxicos na venda a varejo gerariam um faturamento de ao menos R$ 1 milhão para o crime organizado, conforme informou o delegado seccional de Santos, Manoel Gatto Neto, em entrevista coletiva para apresentar os números da blitz. Por diversos tipos de crimes, incluindo o tráfico, 273 pessoas foram detidas na ação, iniciada às 13h de quarta-feira (28).

Titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Santos, o delegado Luiz Ricardo de Lara Dias Júnior avaliou que a operação causou significativo prejuízo às organizações criminosas. "É por meio desse crime que há o alavancamento patrimonial para sustentar as quadrilhas e perpretar outros tipos de crime", pontuou.

Entre as ações da DIG na operação, Lara destacou a prisão, em São Vicente, de um homem acusado de estuprar, no ano de 2012, uma menina de nove anos, em Santos, e a de um dos homens mais procurados pela polícia sergipana, Izael dos Santos Fontes, de 21 anos.

Izael foi capturado em Vicente de Carvalho, conforme noticiou o Diário do Litoral na edição de ontem. Ele é acusado de decapitar um idoso, em 3 de maio, na cidade de Nossa Senhora do Socorro, em Sergipe. Em Guarujá, ele se sustentava vendendo coco nas praias.

Chefe do tráfico

Um homem de 27 anos considerado pela Polícia Civil como chefe do tráfico na Vila dos Pescadores e outro de 19, apontado como gerente, foram presos na tarde de quarta-feira (28) por policiais do 2º Distrito Policial de Cubatão (Jardim Casqueiro).

As prisões ocorreram durante uma varredura na Vila dos Pescadores feita sob o comando do delegado Angel Gomes Martinez, titular do 2º DP. Segundo o delegado, os dois se esconderam na casa de uma senhora para tentar escapar.

Em uma mochila, a equipe do delegado apreendeu três pistolas, uma delas pertencente à PM, touca ninja e anotações do tráfico. "Tudo indica que os dois estariam fazendo a contabilidade e a prestação de contas", diz Martinez.

Conforme o delegado, o chefe do tráfico tinha posição de comando sobre crimes em geral naquela região do município. "Qualquer ação criminosa, seja ela com relação ao tráfico e a mortes ali ocorridas, bem como os roubos em rodovias, tinha a anuência dele", assinalou.

Prostituição

O fechamento de uma casa de prostituição e a prisão da responsável pelo local, na Avenida Coronel Joaquim Montenegro, no Estuário, na tarde de quarta, também fez parte da operação da Polícia Civil. Uma reportagem do Diário do Litoral, publicada no último dia 18, sobre denúncia de um munícipe sobre o local, motivou a investigação policial.

O delegado titular da DIG afirma que após a notícia ser publicada diligências prévias foram iniciadas. “Confirmamos a entrada e saída de pessoas, que denotavam que aquele imóvel de fato não era utilizado para fins residenciais”.

Lara afirma que os depoimentos das mulheres, que declararam retenção de até 50% dos valores dos programas pela dona do local, a prova pericial e os indícios colhidos dão conta que os crimes de manter uma casa de prostituição e de rufianismo (explorar a prostituição) eram praticados de “forma habitual”, o que é um dos requisitos necessários para o flagrante.

As penas para os dois crimes, somadas, podem variar de três a nove anos de prisão.

Após passar por uma audiência de custódia, no Fórum de Santos, nesta quinta-feira, a responsável pelo local foi solta para responder em liberdade.

Procurada pelo Diário do Litoral, a assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) disse que o alvará de soltura foi expedido, mas não informou detalhes sobre fiança e eventuais medidas cautelares.