Dilma abre Cúpula América do Sul-África

A presidenta do Brasil foi a primeira chefe de Estado a falar na abertura da Cúpula, que começou com quase três horas de atraso

Comentar
Compartilhar
22 FEV 201311h39

A presidente Dilma Rousseff abriu a III Cúpula América do Sul - África com um pacote de bondades com ofertas de cooperação para os países africanos. No lugar da promessa de um fundo para financiar projetos de cooperação, Dilma ofereceu aos africanos a possibilidade de formar professores para ensino técnico profissionalizante, o apoio da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, vagas na Universidade Aberta do Brasil e até mesmo a construção de uma fábrica de medicamentos antirretrovirais para tratamento de Aids. "Estamos oferecendo aos senhores não só formação lá no Brasil, mas o apoio com o que consideramos ter de melhor", afirmou a presidente.

Dilma foi a primeira chefe de Estado a falar na abertura da Cúpula, que começou com quase três horas de atraso. Depois da pressão dos países africanos pela criação de um fundo para financiar projetos de cooperação em que, esperava-se, o Brasil seria o maior doador e a África, a maior beneficiária, havia uma expectativa sobre qual posição a presidente brasileira iria tomar oficialmente. A saída, diplomática, havia sido antecipada no dia anterior pelo chanceler Antonio Patriota: a criação de um grupo de trabalho para estudar a formatação do fundo. Dilma, no entanto, tentou parecer um pouco mais simpática à ideia do que o Brasil havia sido até agora.

Presidenta Dilma Rousseff desembarca em Pretrória, capital administrativa da África do Sul, para visita oficial e participação da Cúpula (Foto: Roberto Stuckert Filho/ PR)

"Estamos abertos e motivados com a constituição de um grupo de trabalho para definir de forma clara o fundo de financiamento de projetos em todas as áreas. O fundo terá que se colocar em pé e aí serão definidas os financiamentos", disse.

A presidente, no entanto, foi mais enfática na defesa de projetos oferecidos e gerenciados pelo Brasil. A intenção do governo brasileiro é aumentar a cooperação, mas dentro de áreas que o país tem expertise e possibilidade de gerenciar seus próprios projetos.

Atraso

A cúpula, que deveria ter começado às 9h da manhã (hora local, quatro horas mais tarde que Brasília), foi iniciar às 11h45, mas não houve explicações sobre o atraso. Durante toda a plenária da manhã, devido a presença do presidente eterno da Guiné Equatorial, Teodoro Mbasogo, todas as comunicações foram cortadas por mais de quatro horas. Um carro bloqueador de sinal estacionado do lado de fora do Centro de Conferências de Sipopo, onde acontece o encontro, bloqueava todo o sinal de celular e a internet. O sinal só foi liberado quando os presidentes saíram do prédio principal do Centro para o anexo, onde iriam almoçar e onde a entrada é restrita a altos funcionários dos governos e seguranças.

Dilma, como presidente do país coordenador da ASA na América do Sul, estava sentada na primeira fila, entre Mbasogo e o presidente do Benin, Yayi Boni. Nas quase duas horas em que esteve na plenária, a presidente brasileira conversou várias vezes com Boni, mas não passou de cumprimentos protocolares com o presidente da Guiné, conhecido por estar há 34 anos no poder, depois de dar um golpe no próprio tio.

A surpresa da manhã ficou por conta do chanceler da Venezuela, Elias Jaua, que leu o que disse ser uma mensagem de Hugo Chávez aos membros da ASA. O presidente venezuelano, que voltou essa semana a Caracas, enviou "suas mais fervorosas saudações" e disse que "lamentava do mais profundo do seu ser" não poder estar presente fisicamente no encontro. Chávez deveria ter sido representado pelo vice-presidente Nicolás Maduro, que tinha sua presença confirmada até a noite de quinta-feira (21). Nas saudações iniciais de seu discurso, a presidente Dilma chegou a incluir Maduro. No entanto, o vice-presidente não apareceu.