O dentista Flávio do Nascimento Graça, de 40 anos, réu por três homicídios e duas tentativas na série de casos envolvendo pessoas ligadas à Clínica Americana, será submetido a um exame de insanidade mental.
O pedido do exame foi feito pelo advogado de Graça, Eugênio Malavasi, durante audiência de instrução do processo, nesta terça-feira (26), e já foi deferido pela Vara do Júri de Santos.
Ao ser interrogado por cerca de 30 minutos durante a audiência em Santos, Graça deu respostas vagas, segundo o advogado.
“O interrogatório dele está prejudicado. Nós temos que aguardar o exame de insanidade mental. Não tem outra alternativa”, afirmou Malavasi.
Se for constatado que Graça é inimputável, a lei prevê a aplicação de medidas de segurança através de internação ou tratamento ambulatorial.
Na audiência desta terça, duas testemunhas de acusação (uma delas vítima) e uma de defesa foram ouvidas.
Graça está preso preventivamente desde novembro do ano passado na Penitenciária II de Tremembé, no interior paulista. Ele ficou três anos foragido até ser preso pela Polícia Civil em um imóvel da família dele na Pompéia, em Santos.
Os crimes
A Polícia Civil apurou durante as investigações que o dentista nutria ódio com relação à Clínica Americana. As atividades da então clínica do acusado, a Oral New, em São Vicente, foram encerradas em 2013. A concorrência foi decisiva para o fechamento.
A primeira vítima foi Agilson de Carvalho, de 54 anos, dono da clínica. Ele foi baleado pelas costas logo após sair da unidade do Gonzaga, na Rua Floriano Peixoto, na madrugada de 23 de dezembro de 2014, e morreu três dias depois.
Na segunda investida, em 16 de julho de 2015, foi morta a irmã de Agilson, Aldacy de Carvalho, de 56 anos, e ficaram feridos um outro irmão dele, Arnaldo de Carvalho, de 54, que morreu em novembro, e o sobrinho, de 21, atingido de raspão. O atentado ocorreu após as vítimas saírem da unidade no Centro de Santos, na Rua João Pessoa.
O terceiro crime ocorreu na Rua Marcílio Dias, no Gonzaga, em 23 de setembro de 2015, tendo como vítima uma funcionária da clínica, que foi ferida a tiros e sobreviveu.
