Com banco de vídeos, 3º DP de Santos avança no combate a furtos e roubos

Pioneira na Baixada Santista, a iniciativa concentra imagens de criminosos em ação e possibilita maior elucidação de crimes

Comentar
Compartilhar
06 SET 2019Por Gilmar Alves Jr.17h42
Com o sistema, implementado no início de agosto, policiais trabalham para aumentar esclarecimentos de casosFoto: Nair Bueno/Diário do Litoral

Um sistema pioneiro na Baixada Santista para arquivo de vídeos de criminosos foi criado pelo 3º Distrito Policial de Santos (Ponta da Praia) e já permitiu avanços para esclarecimentos de furtos e roubos. Por meio da iniciativa, os policiais do distrito indiciaram três ladrões em agosto, primeiro mês da implantação, e esclareceram um total de oito crimes, sendo sete furtos e um roubo. Os delitos ocorreram nos bairros Aparecida, Macuco e Embaré.

Implementado pelo investigador-chefe do 3º DP, Adriano Jorge de Mattos, e pela delegada titular, Edna Pacheco Fernandes Garcia, o sistema já reúne mais de 80 vídeos. Os arquivos são captados com vítimas, testemunhas e também são obtidos por policiais em redes sociais.

Fisionomias dos criminosos, modos de atuação e endereços dos delitos são analisados para a catalogação dos arquivos, que são armazenados em um único local para acesso de todos os integrantes da repartição policial.

Os clássicos arquivos de fotografias de criminosos seguem sendo utilizados para a elucidação de delitos, mas o sistema se adapta aos novos tempos, em que o número de câmeras de monitoramento públicas e particulares só aumenta nas cidades.

"O arquivo de vídeo é uma realidade. Principalmente com disseminação pelo WhasApp. Quase todos os prédios têm sistema de monitoramento, a cidade tem", afirma Adriano de Mattos.

"Quando você chega na autoria de um envolvido, procura outros vídeos. Se tem uma semelhança física, você vai comparando e acaba esclarecendo outros", relata o investigador-chefe.

3º DP abrange os bairros Ponta da Praia, Aparecida, Embaré, Macuco e Estuário (Foto: Nair Bueno/DL)

Com a implementação do sistema, vítimas e testemunhas que comparecem ao distrito podem transmitir as imagens diretamente de seus celulares, por exemplo, sem a necessidade de pendrives ou CDs.

A captação imediata otimiza o trabalho da polícia, porque há casos em que vítimas e testemunhas não tem facilidade para transmitir arquivos por meio de pendrives ou CDs, por exemplo.

"Tudo (no combate ao crime) vai evoluir com banco de dados. É que nem a nossa pesquisa por impressão digital (no Estado). Ela está cada vez melhorando porque tem um banco digital", afirma Mattos.

Biometria visual

De acordo com o investigador Orlando Rollo, um dos integrantes do 3º DP, as análises de videomonitoramento permitem uma "biometria visual corpórea" dos criminosos, o que pode ser fundamental para condenações judiciais.

Ele cita como exemplo a investigação do latrocínio (roubo seguido de morte) do agente penitenciário Rodrigo Godinho Carvalho na Orla da Aparecida, em Santos, em 2012. Rollo percorreu dezenas de imóveis para obter imagens de monitoramento e apontar no inquérito a "biometria visual" do acusado, que foi condenado em 2013 a 23 anos e quatro meses de prisão.

"O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) elogiou a biometria visual corpórea", afirma o investigador.

Cada vez mais, imagens de monitoramento chegam à polícia (Foto: Nair Bueno/DL)

Estatísticas

De janeiro a julho de 2019, na área de circunscrição do 3º DP, que abrange Ponta da Praia, Aparecida, Embaré, Macuco e Estuário, houve queda de roubos (-19%) e furtos (-5,4%) na comparação com o mesmo período do ano passado, segundo dados da Secretaria da Segurança Pública (SSP). Foram 225 roubos nos primeiros sete meses de 2019, ante 278 em igual período de 2018. Os furtos somaram 575 casos, ante 608.

 

Colunas

Contraponto