Cartilha e teatro serão usados em combate a estupro de vulnerável na Baixada e Vale

Polícia Militar, Polícia Civil e prefeituras definem em conjunto estratégias para deixar crianças menos expostas e mais preparadas para denunciar

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28 JAN 2019Por Gilmar Alves Jr.09h03
Desafio das polícias e das prefeituras é diminuir subnotificação; maior parte dos estupros de vulneráveis ocorre em ambiente familiarFoto: Rodrigo Montaldi/Arquivo DL

Uma cartilha e uma peça de teatro farão parte da estratégia montada pela Polícia Militar, em conjunto com a Polícia Civil e prefeituras das 24 cidades da Baixada Santista e Vale do Ribeira, para deixarem crianças menos expostas ao crime de estupro e mais preparadas para denunciar.

As informações foram divulgadas ao Diário do Litoral pelo coronel Rogério Silva Pedro, comandante regional da PM, idealizador da ação integrada contra este tipo de crime.

De julho do ano passado até janeiro foram feitas cinco reuniões.  Representantes das áreas de educação, saúde, assistência social e conselhos tutelares dividem experiências com as polícias para  que o combate a estupro de vulnerável seja otimizado. Palestras também estão previstas.

"O programa já mostra uma evolução grande", afirma o coronel Silva Pedro.

Conforme as estatísticas da Secretaria da Segurança Pública (SSP), no ano passado a Baixada e o Vale registraram 445 estupros de vulneráveis, o que representa um crescimento de 71,15% em relação a 2017, quando houve 260 registros.

De acordo com o coronel, este tipo de crime tem uma subnotificação muito grande. Os abusos podem ocorrer durante anos sem chegar ao conhecimento das ­autoridades.

"Essa briga é para que esses crimes sejam identificados e denunciados para que nós possamos tratar essas crianças", afirma o ­comandante.

De acordo com estatísticas das polícias, a maior parte destes crimes ocorre no ambiente  familiar. 

"Esse é um crime que pouco registro mascara a realidade. Não adianta nós querermos apresentar uma redução nesse momento de estupros de vulneráveis. Não, nós queremos mostrar  uma redução na subnotificação (...) É um desafio grande", afirma Silva Pedro.



"O programa já mostra uma evolução grande", afirma o coronel Rogério Silva Pedro, comandante regional da PM (Foto: Nair Bueno/Diário do Litoral)


"Se nós, por mês, identificarmos 15, 20 casos novos, que não vinham sendo identificados, são 15 crianças que vão receber o apoio psicológico e vão conseguir superar esse problema. São 15 infratores sendo responsabilizados", diz o coronel.

Ainda de acordo com ele, a Polícia Civil tem conseguido identificar e prender os autores deste tipo de crime na maioria dos casos.

A próxima reunião será agendada em fevereiro.

Prefeituras

De acordo com a Prefeitura de Santos, representantes vão participar  da criação da cartilha para o Enfrentamento da Violência Sexual Infanto-Juvenil neste ano, em uma ação metropolitana.

Ainda conforme a Administração Municipal, representantes têm participado das reuniões com as polícias. A Prefeitura de Praia Grande afirmou que a iniciativa das reuniões é ­bem-vinda e "que algumas medidas já são tomadas em âmbito municipal, como por exemplo, a capacitação das equipes que atuam nas unidades escolares".

"Caso as equipes técnicas observem uma situação fora dos padrões, de imediato, acionam o Conselho Tutelar para que o órgão tome as medidas cabíveis", informou.

"Além disso, a Guarda Civil Municipal conta com um projeto que atua nas unidades escolares e cujo preparo também possibilita perceber casos suspeitos", diz a ­Prefeitura.

Conforme a Prefeitura de Cajati, um projeto piloto foi desenvolvido por representantes da cidade em conjunto com Pariquera-Açú e Cananéia para implantação nas escolas e, com isso, combater os casos de estupro e diminuir esses números.

"Esse projeto piloto será apresentado na próxima reunião (com as polícias) e, após aprovado, será implantado em escolas para orientar professores, alunos e seus familiares", afirma.

Diário antecipou a iniciativa em 2018

Em reportagem publicada em 2 de julho do ano passado, o Diário do Litoral antecipou que as reuniões entre a PM, a Polícia Civil e as prefeituras começariam a ser realizadas para o combate a estupro de vulnerável.

À época, o coronel Rogério Silva Pedro afirmou ao Diário que somente a ação preventiva de polícia não resolveria o problema, sendo necessário um trabalho mais amplo e integrado com as prefeituras.

Antes da iniciativa ser anunciada, uma reportagem do Diário, com base nas estatísticas da SSP, apontou que em maio de 2018 a incidência deste tipo de crime chegou a 40 casos na Baixada e Vale, o que representou um aumento de 150%.

Além de pais e padrastos, as polícias identificaram que esse tipo de crime vem sido cometido por companheiros de avós de crianças. "Muitas vezes fica em casa com a criança enquanto a avó acaba fazendo as suas atividades domésticas de rotina e nesses momentos ele se aproveita", disse a delegada Fernanda Sousa, titular da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Santos.

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