Corpo de Beto Freitas, assassinado no Carrefour, é sepultado em Porto Alegre

O pai de Beto, João Batista Rodrigues Freitas, 65, diz que o filho tinha planos de ir ao culto da Igreja Unidos em Cristo com ele

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21 NOV 2020Por Folhapress15h29
Foto: Reprodução/Redes Sociais

Coberto com um véu branco, o corpo de Beto Freitas, que morreu aos 40 anos em Porto Alegre após ser espancado por seguranças de uma loja do Carrefour, foi velado em Porto Alegre na manhã deste sábado (21), no cemitério São João, cercado por familiares.

A viúva, Milena Borges Alves, 43, abriu sua mochila e, de dentro dela, tirou uma aliança dourada. Levantou o véu e colocou a aliança perto da cabeça de Beto. Eles iriam se casar no início do próximo mês. "Seríamos os padrinhos", conta a amiga Charlene Viana, 37, ao lado do marido, Sidnei Viana, 41.

Beto usava uma camiseta branca com os dizeres "Escobar" e a foto de Pablo Escobar, que, segundo Charlene, era de Beto. "É uma camiseta nova que ele nunca tinha usado. Ele tinha essas coisas engraçadas. Tinha um lado excêntrico", conta Charlene. "Ele assistiu à série na Netflix", conta Sidnei.

Uma bandeira do clube São José, do qual era torcedor, foi colocada sobre o caixão aberto. "Assunto não faltava. A gente se via todos dias, fazia churrasco", conta o amigo Noé Fernando Pithan, 61. No velório, a filha Thais Alexia Amaral Freitas, 22, lembrou que o pai ficou feliz quando nasceu a neta. Beto tinha outros três filhos.

"Ele levou um ursinho de pelúcio para ela. Sempre foi um bom pai e dizia que não deixaria faltar nada para a neta", contou a filha.

A mãe de Thais, que foi namorada de Beto na juventude, lembra que Beto era um garoto estudioso. "Ele estudava bastante, tinha sonhos. O nascimento da filha mudou muita coisa, mas ele sempre foi bom pai mesmo depois que nos separamos. Estou aqui como família. Minha mãe foi no casamento dos pais deles", contou Rita de Cássia do Amaral, 40.

Além de Thaís, também estavam presentes duas filhas do relacionamento com Marilene Santos Manuel, 40: Desireé, 9, e Tainará, 16. O filho João Alessandro, 15, preferiu não acompanhar a cerimônia. "Ele sente tanto a dor que guarda para si e não quis vir", disse Marilene. "Ele escolheu o nome de todos filhos. A gente se separou, mas ele nunca abandonou as crianças", disse a ex-mulher. Ela disee ainda que ele dividia a torcida pelo São José com sua simpatia pelo Grêmio.

O pai de Beto, João Batista Rodrigues Freitas, 65, diz que o filho tinha planos de ir ao culto da Igreja Unidos em Cristo com ele.

"Ele chegou a ler a Bíblia conosco na última semana de vida. Lemos juntos o Salmo 121, que dá uma palavra de conforto e ânimo", disse o pastor Ângelo de Almeida. "Jesus diz que é para a gente não se entristecer, porque foi preparado um lugar pra nós. Este lugar já está preparado. Um dia ou outro vamos partir, mas nosso lugar está preparado", disse o pastor aos presentes no velório.

O cortejo passou pelas alamedas do cemitério São João e levou o corpo até o local onde foi sepultado. "Ele intercede por minha alma", cantavam em coro os familiares, carregando o caixão. Uma salva de palmas encerrou a cerimônia e o enterro por volta das 11h45.

Familiares disseram que viram os vídeos das agressões sofridas por Beto e ficaram chocados. "Foi horrível. Foram animais. Lamento que com a nossa Justiça logo estarão soltos", disse Thaís.

Uma pessoa carregava um pequeno cartaz que dizia "Exigimos justiça para Beto"e "Vidas negras importam".