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Agente federal foi preso ao tentar vazar Operação Porto Seguro

Segundo a PF, o agente insiste em marcar encontro com seu interlocutor, identificado como doleiro que teria contato com algum alvo da Porto Seguro.

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06 DEZ 201202h11

A Justiça decretou a prisão preventiva do agente da Polícia Federal Marcus Vinícius Gonçalves Alves, sob suspeita de tentar vazar a Operação Porto Seguro - investigação sobre tráfico de influência e corrupção envolvendo Rosemary Noronha, ex-chefe de gabinete da Presidência da República em São Paulo.

Alvo de outra operação da PF, a Durkheim - investigação contra 33 doleiros e arapongas que espionavam políticos e empresários -, Vinícius caiu no grampo um dia antes do estouro da Porto Seguro, dia 23 de novembro, uma sexta feira.

Segundo a PF, o agente insiste em marcar encontro com seu interlocutor, identificado como doleiro que teria contato com algum alvo da Porto Seguro. "Eu preciso falar com você porque amanhã vai acontecer uma coisa", disse Vinícius, na ligação do dia 22, quinta feira. "Mas hoje eu não posso, tenho compromisso, um churrasco no clube", respondeu o doleiro.

A PF afirma que não antecipou a Porto Seguro por causa da arapongagem em seus próprios domínios. Mas usou a interceptação que flagrou Vinícius como argumento para requerer judicialmente o decreto de sua prisão preventiva no âmbito da Durkheim - deflagrada três dias depois da missão que desmantelou o esquema de malfeitos no escritório da Presidência.

O agente, um veterano na carreira, fora preso em caráter temporário por cinco dias pela Durkheim. Relatório de inteligência da PF atribui a Vinícius papel central no núcleo financeiro da organização que bisbilhotou e quebrou o sigilo do líder do governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB-AM), do prefeito de São Paulo Gilberto Kassab (PSD) e do ex-ministro Carlos Gabas (Previdência Social). A PF liga Vinícius a Itamar Damião, apontado como grampeiro maior da Durkheim.

Na sexta-feira, o juiz Raphael José de Oliveira Silva, substituto da 2.ª Vara Criminal Federal, decretou a prisão preventiva do agente, acolhendo representação da PF na qual é citada a ação do araponga infiltrado na própria corporação. "Surge fato novo descrito pela autoridade policial a fundamentar a prisão cautelar. Em data próxima à deflagração da Operação Durkheim foi interceptada conversa travada entre Marcus Vinícius que faria referência a uma operação que estaria sendo preparada pela PF. In casu, tratava-se da Operação Porto Seguro, deflagrada poucos dias antes desta."

Para o juiz, "mostram-se verossímeis as alegações, pois, ressalte-se, no curso das interceptações telefônicas, já havia sido constatado que Vinícius abastecia a organização criminosa de informações privilegiadas". Ao decretar a prisão preventiva do agente da PF - fica recolhido até o final da ação -, o juiz asseverou. "Verifica-se que o investigado, diante do acesso às informações constantes do banco de dados da PF, inclusive de cunho sigiloso, representa ameaça à ordem pública e à instrução criminal."

O advogado Maurício Hortêncio, que defende Vinícius, não se manifestou. "Não posso me pronunciar em razão do sigilo determinado no inquérito." O advogado Ladisael Bernardo, que defende Itamar, disse que seu cliente "é primário, não representa nenhum perigo à sociedade". "A Porto Seguro não tem nada a ver com essa (Durkheim), não tem conexão. Pegaram pesado com o Itamar enquanto a principal personagem da Porto Seguro não foi sequer presa."

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