Acusado de matar a ex por suposta gravidez chega a Itanhaém sob gritos de 'assassino'

O homem, de 32 anos, estava escondido embaixo de uma cama quando foi capturado por policiais civis em Votuporanga; ele chegou ao 2° DP de Itanhaém no final da tarde de hoje

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13 AGO 2020Por Gilmar Alves Jr.19h34
Acusado chega ao 2° DP de Itanhaém sob gritos de "assassino" e de "justiça"Foto: Reprodução

Acusado de matar a ex-namorada mediante simulação de um acidente de trânsito em Itanhaém, um gesseiro de 32 anos foi preso nesta quarta-feira (12) em Votuporanga, no interior paulista, e trazido nesta quinta (13) para o 2° DP de Itanhaém, onde foi recebido, no final da tarde, sob gritos de “assassino” e “Justiça” por familiares e amigos da vítima, a recepcionista Nayara da Silva, de 21 anos. Ele será interrogado e indiciado nesta noite.

Nayara foi assassinada devido a uma suposta gravidez e por não querer interrompê-la a pedido do gesseiro, conforme apurou a Polícia Civil. O crime ocorreu em 17 de maio, na Rodovia Padre Manoel da Nóbrega, e foi elucidado pela equipe do delegado Bruno Mateo Lázaro, titular do 2° DP, e do investigador-chefe, Willian Ceccon. Um amigo do gesseiro está preso desde 24 de maio, acusado de participação no feminicídio (crime cometido em razão do gênero).

É do primeiro preso o Kadett usado para atingir a traseira da moto da vítima, que caiu na rodovia. Quando ela foi pedir ajuda, foi atropelada, acidentalmente, por um idoso de 74 anos em um Fiesta. A polícia apurou que a dupla esperou a vítima sair do trabalho e a seguiu para cometer o delito que resultou no homicídio.

 

O paradeiro do gesseiro foi descoberto em um trabalho conjunto da Divisão de Homicídios da Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic) de São José do Rio Preto e do 2° DP de Itanhaém. Os policiais do interior receberam a informação de que o foragido estaria em uma casa em São José do Rio Preto e acionaram os policiais de Itanhaém, que seguiram para o município e participaram de uma campana na tarde de quarta-feira na região do imóvel.

                                      

No local, o gesseiro não foi achado, mas os policiais, em meio à ação conjunta, se deslocaram para uma casa onde mora o irmão do gesseiro, em Votuporanga, e neste local, por uma janela frontal do imóvel, ele foi visto pelos investigadores na noite desta quarta.

A cunhada do gesseiro foi cientificada da ação policial e ele foi encontrado escondido sob uma cama. O foragido disse aos investigadores que estava esperando “passar a pandemia” para se apresentar. Sobre as circunstâncias do assassinato, o gesseiro nada declarou no local e nas seis horas de viagem nesta quinta-feira. Além do investigador-chefe Ceccon, participaram da diligência os policiais Wendel, Kátia e Andrea.

Exumação

O corpo da recepcionista foi exumado, a pedido da Polícia Civil, para constatação se ela estava grávida. O distrito policial ainda aguarda o resultado do exame do Instituto Médico-Legal (IML).

Ameaças

Durante a fase inicial das investigações, os policiais foram ao supermercado onde Nayara trabalhava e descobriram que ela vinha sofrendo ameaças constantes do ex-namorado, que já foi gerente e açougueiro do local.

Os policiais conseguiram imagens reveladoras do dia do crime, que mostram o Kadett, com os acusados, por horas em frente ao local de trabalho da vítima, aguardando sua saída.  Na sequência, o veículo seguiu pelo mesmo caminho que a vítima.