Após quatro horas de tensão, termina rebelião na cadeia do 5º DP

Carcereiro foi mantido refém pelos detentos. Judiciário e Polícia Civil negociaram com os presos, que exigiram entrada da Imprensa na cadeia, o que ocorreu logo após a libertação do funcionário

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20 MAR 201421h50

A noite de ontem foi marcada pela tensão no 5º Distrito Policial de Santos (Bom Retiro), onde 70 detentos fizeram uma rebelião e mantiveram um carcereiro refém por mais de 4 horas.

Após uma negociação que envolveu a Polícia Civil e o Poder Judiciário, os detentos liberaram o funcionário às 22h45, ileso. Uma das exigências dos detentos para o fim da rebelião foi a entrada de jornalistas na cadeia, o que ocorreu, com autorização da polícia, logo depois da libertação do refém.

Os detentos reclamaram da superlotação – a capacidade da cadeia é de 24 presos –, e da precariedade das instalações e atendimento. A superlotação ocorre em virtude da greve de funcionários do sistema penitenciário do Estado.

Desde o dia 10 de março, 16 mil agentes estão com os braços cruzados, o que impede transferências de detentos de delegacias para centros de detenção e penitenciárias.

A noite de ontem foi marcada pela tensão no 5º Distrito Policial de Santos (Bom Retiro) (Foto: Luiz Torres/DL)

O delegado seccional de Santos, Rony da Silva Oliveira, afirma que a única solução para a resolver o problema de superlotação no 5º DP de Santos e demais cadeias da Baixada Santista é o fim da greve dos agentes penitenciários. “Eu tenho esperança que isso se resolva logo”, disse. Oliveira ressaltou que o 5º DP é uma cadeia de trânsito de presos, onde os presos ficam poucos dias até serem transferidos para o sistema prisional.

“Essa cadeia tem uma média de 20 presos. Quando eu tenho 20, num local que comporta 24, eu tenho uma boa condição”, afirma o delegado.

Tensão

O carcereiro dominado pelos detentos foi mantido refém mediante ameaças com um prego envolto em pano e um cabo de escova de dentes.

Além do delegado seccional, participaram das negociações o investigador-chefe do 5º DP, José Roxo, o delegado assistente do distrito, João Octávio Ribeiro de Mello e o juiz corregedor Antônio Álvaro Castello. Equipes do Grupo de Operações Especiais (GOE) da Polícia Civil e policiais de diversos distritos e delegacias da Região também estiveram no 5º DP para garantia de segurança.

A manutenção de presos no distrito da Zona Noroeste gera queixas há muitos anos de moradores daquela região. “O ideal seria que eles (presos) entrassem direto no sistema penitenciário”, afirma o delegado Rony Oliveira.

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