Peruíbe
Fenômeno causado pelas mudanças climáticas ameaça orla, mas recuperação natural da restinga surpreende e protege a infraestrutura
A restinga é composta por uma complexa rede de raízes e filamentos capazes de fixar a areia da praia / Márcio Ribeiro/DL
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Reconhecida por suas belezas naturais e pelo histórico de preservação ambiental, Peruíbe também passou a ser identificada, nos últimos anos, pelos impactos provocados pelo avanço do mar. O fenômeno, associado às mudanças climáticas, tem causado erosão costeira e danos em diferentes trechos do litoral do município.
Uma das áreas mais afetadas é a região da Barra do Una, cujo cenário de erosão ganhou destaque em nível nacional e levou o Governo do Estado a implantar uma contenção de pedras como tentativa de frear o avanço do mar.
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Na orla central, os efeitos da força do oceano também são visíveis. Avenidas já foram danificadas e quiosques precisaram ser interditados, o que resultou na instalação de enrocamentos ao longo da faixa costeira como medida emergencial para minimizar prejuízos à infraestrutura urbana.
Outro trecho impactado está localizado entre o conhecido prédio redondo e o Rio Preto. No local, o mar destruiu a antiga mureta de contenção, que nunca foi reconstruída. Apesar do histórico de perdas, é justamente nessa área que surge um cenário considerado positivo.
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A vegetação típica de restinga e o jundu avançaram de forma natural e hoje exercem um papel fundamental na proteção da faixa de areia. As plantas ajudam a fixar os sedimentos e favorecem a formação de bancos naturais, que funcionam como uma barreira contra a força das ondas e das ressacas, cada vez mais frequentes, reduzindo o avanço do mar sobre o continente.
Veja as imagens.
A restinga é composta por uma complexa rede de raízes e filamentos capazes de fixar a areia da praia e impedir que ventos fortes a transportem para o interior. Esse processo contribui diretamente para conter a erosão costeira e preservar a infraestrutura urbana, evitando danos a ruas, calçadas, muros e estabelecimentos comerciais.
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Além de proteger o manguezal, serve de abrigo, alimentação e descanso para diversas espécies, incluindo aves migratórias. A degradação dessas áreas pode gerar impactos em escala internacional, ao afetar diretamente rotas migratórias e a biodiversidade de outros continentes.
A vegetação ainda protege ninhos de tartarugas marinhas, abriga a coruja-buraqueira ave símbolo de Peruíbe e serve de habitat para crustáceos como siris e caranguejos, reforçando a importância ambiental e ecológica da preservação dessas áreas naturais.
A restinga é um ecossistema costeiro completo da Mata Atlântica, enquanto o jundu é um tipo específico de vegetação rasteira e arbustiva que compõe a parte mais próxima ao mar.
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