Sustentabilidade gera grupo de empreendedores

De forma simples e até despretensiosa, Aline Tolotti criou grande grupo que investe em artesanato sustentável.

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08 SET 2019Por LG Rodrigues09h11
Vontade de divulgar os trabalhos de artesãos e microempreendedores da Região motivou a realização do primeiro O Coletivo.Foto: NAIR BUENO/DIÁRIO DO LITORAL

Em tempos de conversa sobre empreendedorismo e sustentabilidade, um grupo que reúne artesãos que colocam em prática a economia criativa já completou quatro anos de existência sem dar sinais de que vai parar de crescer.

Na vanguarda do Coletivo está Aline Tolotti, que dedica seu tempo e dedicação a sua marca desde 2005, quando começou a colocar seus trabalhos para competir com produtos industrializados e muitas vezes vindos da China.

E foi justamente essa competição contra os asiáticos que a fez criar o que hoje é possível considerar um dos maiores grupos focados em produzir de maneira consciente enquanto usam matéria prima sustentável e entender o próprio negócio.

Diário do Litoral - Como surgiu a ideia de criar O Coletivo?

Aline Tolotti - O Coletivo surgiu em meados de 2015, pela necessidade de expor minhas criações em um evento que focasse nos trabalhos manuais. Tenho uma marca e costuro desde 2005, sempre foi muito difícil expor em eventos que misturavam artesanato com industrializados ou produtos chineses e a concorrência, nestes casos, é desleal. Mediante isso, resolvi unir alguns amigos artesãos e O Coletivo nasceu. A ideia sempre foi fomentar a economia criativa, mas aos poucos o projeto cresceu e se tornou um berço para os pequenos empreendedores. A mensagem é essa: que eles saibam que não estão sozinhos, que é possível viver do que se faz e que existe espaço, sim.

Diário - Qual a importância da Economia Criativa no Brasil?

Aline - Vejo que pequenos produtores encontram alternativas incríveis para gerar seus sustentos. Uns começam por amor ao que fazem, outros porque têm ideias originais, mas todos querem a liberdade e isso só é possível quando somos 'donos do nosso nariz' mesmo. A vontade de gerir algo próprio motiva muito e, como vemos pelas estatísticas, tem feito o brasileiro abrir muitos negócios há alguns anos. Cuidar de uma empresa, por menor que seja, te dá uma percepção diferente e te faz entender melhor a relação entre patrão e funcionário. Acredito que isso motive muitos a trabalhar de maneira mais empática, pensando em toda cadeia de produção e todo processo.

Diário - Nas últimas edições, O Coletivo tem caminhado de forma muito atrelada com a Sustentabilidade. O que a fez pensar nisso?

Aline - A sustentabilidade se inicia na produção e acredito que deve abraçar todos os setores da economia. Produzir de maneira consciente, com matéria prima sustentável e entender o que estamos vendendo é primordial para nosso projeto. Por isso é um dos principais pilares do evento, pauta as marcas e a curadoria. Priorizo por ideias que se preocupem com a cadeia de produção, mas que também entendam que não precisamos vender por vender.

Diário - Como vê o crescimento dessa indústria? Acha que é algo 'da moda' ou realmente as pessoas estão pensando mais no meio ambiente?

Aline - A medida que muitos já estejam pensando em sustentabilidade, ainda há aquelas que priorizam o lucro, claro. Entendo que é um processo. Trabalhando desta forma, sei que influenciamos muita gente, assim como quando uma grande marca se posiciona, também gera grande impacto nos clientes, por isso entendo que é essencial falarmos e levarmos as ideias adiante, mesmo que nem todos comprem a ideia. Temos um longo caminho pela frente, já conquistamos muito, mas precisamos avançar. O resíduo que a indústria da moda e da beleza geram ainda impacta demais e pouco se recicla no Brasil, por isso é necessário falarmos também sobre a logística reserva. Optar por comprar produtos que tenham embalagens recicláveis ou que aceitem-as de volta para que não gerem lixo. Precisamos conhecer mais sobre o que compramos, entender quais materiais são utilizados e se a empresa trabalha de maneira sustentável com seus funcionários. Tudo gera impacto e cabe ao consumidor também pesquisar. Por isso falamos de consumo consciente: todos têm sua participação, mas o cliente deve fazer sua parte.

Diário - Qual o primeiro passo para a pessoa que se interessa por sustentabilidade e que quer começar a levar a vida dessa maneira?

Aline - Há muitos caminhos para começar e todos são muito simples. Basta adicionarmos em nossa rotina os famosos "R's", eles são um ótimo começo. Reduzir o consumo de embalagens plásticas, isopor e materiais que não são facilmente recicláveis, repensar no consumo e prestigiar marcas que estejam alinhadas com a sustentabilidade. Também reciclar seu lixo. Há infinitas maneiras de reduzir o lixo ou o impacto que seu lixo produz.

Diário - E se alguém que produz artesanato quiser participar de O Coletivo? Como fazer?

Aline - Temos uma grande fila de espera em muitos setores, como gastronomia e acessórios. São os que temos mais procura, por isso nestes setores a fila de espera é maior. De modo geral entram as marcas que têm boas ideias e que trabalhem de maneira sustentável, procuro mesclar novos e antigos. A grade de expositores nunca se repete.