'Prevenção nos leva à vida longa', diz urologista sobre câncer de próstata

Fábio Atz Guino afirma que câncer de próstata não tem sintomas aparentes nos estágios iniciais.

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03 NOV 2019Por LG Rodrigues08h22
Médico alerta para fatores genéticos que podem influenciar na incidência do câncer de próstata.Foto: NAIR BUENO/DIÁRIO DO LITORAL

Depois do fim do mês dedicado à campanha de conscientização para alertar as mulheres e a sociedade sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de mama e câncer de colo do útero, chega a vez dos homens lembrarem que precisam se dedicar à própria saúde. Com o início do Novembro Azul, vêm também todos os movimentos de diversos profissionais da saúde dedicados à prevenção de doenças que atingem o público masculino.

Caracterizado por ser um mês dedicado a reforçar à sociedade a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de próstata, os próximos 30 dias contarão com diversas atividades coordenadas por prefeituras de toda a Região com marcação de exames, mutirões organizados por profissionais da urologia e outras especialidades.

E quem acredita que apenas o câncer de próstata é o foco do Novembro Azul, se engana: outras doenças que podem atingir o homem também estão inclusas nas campanhas de prevenção que começaram de maneira oficial em todo o território nacional ainda em 2014 e tem suas origens em 2004, na Austrália.

Para conversar um pouco sobre o novembro azul, o Diário do Litoral conversou com o médico Fábio Atz Guino. Formado pela Fundação Lusiada - Santos em urologia, ele também é pós-graduado em Gestão Hospitalar pela FGV e Medicina do Trabalho pela Fundação Lusíada. O profissional possui título de Especialista pela Sociedade Brasileira de Urologia.

Diário - Antes de tudo e qualquer coisa, Fábio, explica pra gente, o que é o Novembro Azul?

Fábio Atz - Novembro azul é uma campanha para orientar o homem sobre a importância de cuidar preventivamente da saúde e especificamente do câncer de próstata.

Diário - Quais são os exames feitos para detectar o câncer de próstata?

Fábio Atz - Os exames preventivos de câncer de próstata começam pelo toque retal e análise sanguínea do PSA (Antígeno Prostático Específico). Caso um dos dois se mostre alterado, pode ser solicitada ressonância da próstata e para confirmar ou descartar a doença é necessário a biópsia de próstata guiada por ultra sonografia transretal sob sedação.

Diário - Existe uma idade para que o câncer apareça ou se desenvolva?

Fábio Atz - Não existe uma idade específica, mas normalmente ocorre após os 40 anos de idade e a incidência aumenta progressivamente com o tempo. Hoje a sociedade de urologia recomenda inicio da pesquisa ativa para os homens a partir dos 45 anos com antecedentes familiares e raça negra (fatores de risco) e após 50 anos para todos outros homens.

Diário - Quais são alguns dos sintomas? Os que podem ligar o 'sinal amarelo' para os homens.

Fábio Atz - Não existem sintomas nas fases iniciais da doença e esse é o grande motivo para que a vinda ao médico preventivamente seja estimulada. O câncer começa na glândula prostática e por estar mais frequentemente na parte externa dela, a doença atinge estruturas adjacentes e vai a distância (metástases) antes de apresentar sintomas locais.

Diário - Além do câncer de próstata, existem outros fatores que são abordados durante o Novembro Azul?

Fábio Atz - Todas as outras doenças urológicas e gerais são abordadas pelo urologista no momento da consulta. Quando o paciente está em frente ao médico, o mesmo deve ter uma visão ampla (holística) de toda saúde do paciente. Na área da urologia abordamos como está a saúde sexual, reprodutiva, controle de cálculos urinários (muito frequente), outros tipos de câncer urológicos, entre outros.

Diário - Há alguma maneira de saber se um homem tem uma disposição a apresentar o câncer como, por exemplo, fatores genéticos?

Fábio Atz - Quando se tem um parente com câncer de próstata a probabilidade aumenta 2,5 vezes; 2 parentes aumenta para 6 vezes e 3 parentes aumenta para 11 vezes. Histórico de câncer de mama com mutação do gene BRCA também tem relação.

Diário - Ainda existe muito preconceito/machismo entre os homens por questão do exame de toque. Como você lida com isso como médico na hora que o paciente chega para fazer o exame?

Fábio Atz - O paciente que chega ao consultório já vem com espírito de ser examinado e investigado, o grande desafio é trazer aqueles pacientes que tem algum tipo de receio e isso se combate com informação. Hoje o segredo de ter uma vida prolongada e com qualidade é chegar antes do avanço das doenças, ou seja, só com prevenção se atinge esse objetivo.

Diário - O câncer de próstata está em queda? Ou o senhor acredita que os números de casos da doença se mantém estáveis?

Fábio Atz - O câncer de próstata está em ascensão, a cada ano aumenta o número de casos detectados e as explicações para esse fenômeno são o envelhecimento natural da população, busca ativa de casos, campanhas como Novembro Azul, melhor acesso à saúde e melhores exames para detecção.