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Papo de Domingo: 'Os sintomas do câncer podem ser confundidos com as doenças benignas da infância'

Atualmente, os métodos utilizados no tratamento garantem altos índices de cura, perto de 70%. Mas, para chegar a esse número, o diagnóstico precoce é fundamental.

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25 NOV 2018Por Rafaella Martinez08h59
O câncer infantil já representa a primeira causa de morte (8% do total) por doença entre crianças e adolescentes.Foto: Divulgação

No último dia 23 foi celebrado o Dia Nacional do Combate ao Câncer Infantojuvenil. A data ressalta a importância de conscientização, uma vez que câncer infantil já representa a primeira causa de morte (8% do total) por doença entre crianças e adolescentes de 1 a 19 anos.

Atualmente, os métodos utilizados no tratamento garantem altos índices de cura, perto de 70%. Mas, para chegar a esse número, o diagnóstico precoce é fundamental.  

O câncer infantil corresponde a um grupo de várias doenças que têm em comum a proliferação descontrolada de células anormais e que pode ocorrer em qualquer local do organismo. Os tumores mais frequentes na infância e na adolescência são as leucemias (que afetam os glóbulos brancos), os do sistema nervoso central e linfomas (sistema linfático).

Segundo o INCA, a estimativa de novos casos de câncer durante o ano de 2017 foi de 12.600 entre crianças e adolesente, entre zero a 19 anos. Os índices mais elevados foram na região Sudeste e Nordeste com 6.050 e 2.750, respectivamente. Em seguida, estão as regioes Sul (1.320), Centro-Oeste (1.270) e Norte (1.210).

Nas últimas quatro décadas, o progresso no tratamento do câncer na infância e na adolescência foi extremamente significativo. Hoje, em torno de 80% das crianças e adolescentes acometidos de câncer podem ser curados se diagnosticados precocemente e tratados em centros especializados. A maioria deles terá boa qualidade de vida após o tratamento adequado.

Para falar sobre os avanços no tratamento da doença, o Diário conversou com a Dra. Carlota Blassioli, oncologista pediátrica do Hospital do GRAACC. Confira a reportagem:
 
Diário - Como é o trabalho do GRAACC e quais os principais êxitos alcançados?
Carlota Blassioli - O GRAACC tem um hospital referência no tratamento e pesquisa do câncer infantojuvenil, principalmente em casos de alta complexidade. Há 27 anos, a instituição tem a missão de garantir a crianças e adolescentes com câncer todas as chances de cura com qualidade de vida. A organização é reconhecida pelos expressivos resultados obtidos na cura do câncer infantil, alcançando índices de cerca de 70%. O Hospital do GRAACC tem parceria técnico-científica com a UNIFESP e conta com o apoio da sociedade para atender 3.700 crianças e adolescentes por ano e realizar mais de 35 mil consultas, 21 mil procedimentos cirúrgicos e 19 mil sessões de quimioterapia.
 
Qualquer criança pode ser tratada no GRAACC?
Carlota Blassioli - Sim, qualquer criança de 0 a 18 anos pode ser tratada no GRAACC.
 
Como é possível ajudar a instituição?
Carlota Blassioli - O GRAACC é mantido principalmente por meio das doações mensais dos mantenedores (empresas ou pessoas físicas), mas também é possível contribuir com doações pontuais ou muitas outras formas, como doação de produtos e serviços, Marketing Social relacionado à causa, Programa Empresa Investidora, Patrocínios de eventos da instituição, Espaço Social (disponibilizando o ponto de venda para que seus clientes doem recursos ou nota fiscal paulista para o GRAACC), McDia Feliz (adquirindo tíquetes antecipados e produtos), Produtos Sociais do GRAACC (comprando pela Loja Virtual ou Brinde Social), programa Adote um Paciente e direcionando o imposto de renda devido ao GRAACC através de Leis de Incentivo Fiscal, que motivam as empresas a se envolverem com o GRAACC e tem trazido bons resultados ao hospital. Há mais informações no site da instituição: www.graacc.org.br.  
 
Quais são os tipos mais comuns de câncer infantojuvenil?
Carlota Blassioli - Os tipos mais comuns de câncer em crianças e adolescentes são: leucemia, os que comprometem o Sistema Nervoso Central, como os astrocitomas e meduloblastoma e os linfomas.  O Hospital do GRAACC também é centro de referência no tratamento de retinoblastoma, que afeta a retina e o diagnóstico é realizado através do exame do fundo do olho. Também podemos citar o osteossarcoma (tumor ósseo), neuroblastoma (e o tumor de Wilms,  entre vários outros tumores, também temos ambulatório de tratamento para tumores raros da infância
 
Qual a importância do diagnóstico precoce e quais são os sintomas que devem colocar os responsáveis em alerta?
Carlota Blassioli - Quanto mais cedo a criança for diagnosticada, maiores são as chances de cura, que podem chegar a 90%, dependendo do tipo de tumor. Os sintomas podem ser confundidos com as doenças benignas comuns na infância, por isso é preciso ficar atento e procurar um médico caso durem mais de duas semanas. Os principais sintomas são:

- dores de cabeça e vômito.
- caroços no pescoço, nas axilas, na virilha, ínguas que não resolvem.
- dores nas pernas que não passam e atrapalham as atividades das crianças.
- manchas arroxeadas na pele, como hematomas ou pintinhas vermelhas.
- aumento de tamanho de barriga.
- brilho branco em um ou nos dois olhos quando a criança sai em fotografias com flash.

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