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Manter redução de crimes em 2019 é meta, diz comandante da PM na Baixada e Vale

Incidência de roubos em 2018 foi a menor dos últimos dez anos.

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20 JAN 2019Por Gilmar Alves Jr.10h51
O coronel Rogério Silva Pedro, comandante regional da PM, frisa a importância da população comunicar rapidamente crimes à polícia.Foto: Nair Bueno/DL

Três vezes por dia o coronel Rogério Silva Pedro, comandante da Polícia Militar na Baixada Santista e Vale do Ribeira, checa em tempo real, de seu gabinete, registros de ocorrências e acionamentos do 190 para determinar o direcionamento do policiamento ostensivo nos 24 municípios de sua área de atuação, de Bertioga até Barra do Turvo, na divisa com o Paraná. 

A percepção de aumento repentino de ocorrências em uma determinada área, conforme exemplificou Silva Pedro em entrevista ao Diário do Litoral, pode fazer com que policiais do 2º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (2º Baep), unidade de elite, se desloquem de um município para outro para o combate aos delitos em evidência. 

Com esse modo de atuação, Silva Pedro visa continuar reduzindo indicadores criminais em 2019. A incidência de roubos de janeiro a  novembro de 2018 na Baixada e Vale foi de 14.396 casos, a menor dos últimos 10 anos. 

O coronel se define como "obcecado" pelo monitoramento em tempo real das ocorrências e frisa que é entusiasta do uso da tecnologia no combate ao crime. 

Uma comunicação rápida de qualquer delito, conforme ressalta o comandante, é fundamental para o trabalho da polícia. 

Diário do Litoral - Quais são as principais metas do senhor nesta nova fase de governo, sob a gestão ­­João Doria (PSDB)?

Rogério Silva Pedro - Na Baixada Santista alcançamos (em 2018) os menores indicadores de roubo e roubo de veículo dos últimos 10 anos. Alcançamos o menor indicador de furto e furto de veículos da história. Os latrocínios (roubos seguidos de morte)  são os menores desde 2002 (...) A meta é fazer um ano tão bom quanto foi o ano de 2018. (...) Nós temos uma expectativa grande do governador João Doria nessa parte de valorização dos policiais militares. Ele já deixou bem claro que vai trabalhar nessa valorização dos policiais militares, manter o avanço de equipamentos. Nós temos avançado muito na parte de tecnologia embarcada nas viaturas e tenho certeza que no governo de João Doria esse vai ser um dos escopos e uma das marcas do ­governador.

Diário do Litoral - De que modo avalia a autorização para uso de espingardas de calibre 12 no atendimento a chamadas do 190?

Rogério Silva Pedro - É um aumento de capacidade de reação dos policiais e isso é sempre bem-vindo. Estamos redistribuindo as armas. A maior parte dos policiais já têm contato com a calibre 12 desde a escola de formação de soldado. Estamos relembrando para aqueles que não operavam com a calibre 12 alguns procedimentos e já colocando essas armas para operar. É uma força a mais para a patrulha, para o rádio patrulhamento, aquela patrulha de dois policiais, que é a ponta da linha da PM. É aquele que  está atendendo realmente no dia a dia. É a célula mais importante da polícia.


Diário do Litoral - Doria disse diante de qualquer ameaça à população, risco de morte, risco de ameaça com arma, a orientação da Polícia Militar é imobilizar o bandido e se ele reagir vai para o cemitério. Como avalia esta orientação?

Rogério Silva Pedro -  Na realidade isso é uma forma de falar o que está escrito na lei. A lei ela é muito clara. Quando alguém aponta uma arma para um policial, por exemplo, a reação do policial deve ser disparar contra essa pessoa. Isso é uma regra jurídica e a polícia trabalha baseada em regra jurídica. Nós nunca vamos deixar de atender  aquilo que está previsto na legislação. O que se sente no governador é que realmente ele conhece o que está escrito na legislação. Ele não falou nada que não está previsto na legislação e nós sentimos que realmente é um posicionamento do governador ao lado da sua ­polícia. 

Diário do Litoral -  E como vê a possibilidade da abordagem que o policial dá um disparo não letal?

Rogério Silva Pedro - Não existe isso para o policial de patrulha. Eu não posso exigir do policial que atire no joelho de uma pessoa, por exemplo. Até porque o joelho é uma área difícil de se atirar. (...) O policial não tem como escolher que parte do corpo do infrator ele vai atirar. Ele vai atirar na direção do infrator e de preferência na maior porção (corporal) para tentar empurrá-lo para trás. A regra é: quando eu acerto um disparo, a premissa da munição .40 é que ela tenha a inércia, ou ela tenha o impacto suficiente para empurrar essa pessoa para que ela largue a arma.

Diário do Litoral - De que modo o senhor avalia a flexibilização da posse de armas decretada pelo governo Jair Bolsonaro (PSL)?

Rogério Silva Pedro - Houve uma alteração administrativa, não interfere no porte de arma. Então, teoricamente, não teremos um aumento de armas circulando na rua. É muito cedo ainda para se avaliar isso. Eu confio muito na capacidade do ministro Sergio Moro de analisar como se equalizar essa situação do armamento. Fato é que há muita lenda de que arma, estando ou não na rua, vai aumentar ou não a quantidade de homicídios. Quando você avalia muitos estudos sobre isso não se tem um posicionamento científico comprovado se isso vai aumentar ou diminuir. 

Diário do Litoral - Haverá a criação de novos Baeps na Baixada Santista e Vale?

Rogério Silva Pedro - O Baep do CPI-6 já funciona desde 2014. É referência em termos de Baeps. Tem uma produtividade elevada e colaborou muito com a redução de indicadores criminais na Baixada Santista. (...) A gente sempre tem que estar aberto a qualquer novidade. Temos estudos ainda para apresentar melhorias, nós nunca podemos ficar parados. Mas em termos de Baep a Baixada Santista já tem um atendimento que cobre todas as cidades.

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