Diretor da Polícia Civil na Baixada e Vale quer reforçar combate ao crime organizado

Fortalecer delegacias especializadas, na avaliação de Manoel Gatto Neto, é a melhor providência para o combate às organizações criminosas.

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13 JAN 2019Por Gilmar Alves Jr.10h27
Manoel Gatto Neto em foto de junho do ano passado, quando assumiu a direção do Deinter-6; o governador João Doria (PSDB) manteve o diretor no cargo.Foto: Rodrigo Croos/Divulgação/Governo de SP

Fortalecimento de trabalho especializado para o combate ao crime organizado. Este é um dos principais objetivos do diretor da Polícia Civil na Baixada Santista e Vale do Ribeira, Manoel Gatto Neto, para o departamento com os reforços para o setor de inteligência que estão sendo planejados pelo governador João Doria (PSDB). 

O delegado completará em agosto deste ano 30 anos de carreira, a totalidade no departamento regional (Deinter-6), e disse, em entrevista ao Diário do Litoral, que "está motivado e feliz" em assumir o cargo no começo do Governo. 

Gatto Neto está à frente do Deinter-6 desde junho do ano passado, nomeado no período em que Márcio França (PSB) governou São Paulo. 

O diretor do Deinter-6 pretende criar Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs) nas cidades de Bertioga, Itanhaém e Jacupiranga. Ele também afirmou que mulheres que não têm condições de irem a unidades do Instituto Médico-Legal (IML) para exames devem ser levadas em carros da polícia, obrigatoriamente. 

Gatto Neto frisa que as operações regionais mensais de 24 horas vão continuar e que contribuíram para a redução de crimes como homicídio, latrocínio (roubo seguido de morte), roubo e furto no período entre 2014 e 2018. 

Ao Diário, o delegado também afirmou que serão mantidos os delegados seccionais. São eles Carlos Topfer Schneider (Santos), Carlos Henrique Fogolin de Souza (Itanhaém), Flávio Ruiz Gastaldi (Registro) e Fernando Carvalho Gregório (Jacupiranga). 

Diário do Litoral - O governador, João Doria (PSDB), afirma que tolerância zero contra a criminalidade será a marca da segurança pública. De que modo avalia a a­firmação?

Manoel Gatto Neto - Para nós, da Polícia Civil, sempre foi tolerância zero. Cada vez que a gente se depara com um crime, nós temos que apurar. Seja o mais simples, o mais complexo, a gente foca nisso. Não tem como não fazer. Eu acho que a tolerância zero que o governador está falando é colocar mais gente na rua e cada vez ir registrando mais casos. É dever do policial apurar tudo. E a gente gosta dessa política. Pegando os casos mais simples vai gerando essa sensação de que a polícia está presente. A gente gostaria também que as penas fossem um pouco mais pesadas. Por exemplo: furto hoje não segura ninguém na cadeia. A pessoa é autuada em flagrante, às vezes uma ou até duas vezes na mesma semana, e volta para a rua para furtar. Talvez se elevasse a pena de quatro para cinco anos, sem direito a sair na audiência de custódia, eu que aí sim contribuiria muito mais para diminuir os indicadores de violência.

Diário do Litoral -  Mais unidades do Baep (Batalhão de Ações Especiais de Polícia), segundo Doria, serão criadas. Como estão os trabalhos integrados com a Polícia Militar?

Manoel Gatto Neto - A criação (de mais unidades do Baep) é excelente. O Baep está sempre presente nas ruas, é linha de frente. Ótimo para nós. O Deinter-6 e o CPI-6 (Comando regional da PM) são exemplos no estado de São Paulo de bom relacionamento. Isso já vem há algum tempo. Nós não temos vaidade,  nós conversamos todos os assuntos (...) Obrigatoriamente nós temos duas reuniões mensais. Eu tenho a felicidade  de conhecer o coronel Rogério Silva Pedro (comandante do CPI-6) já de algum tempo e nós dois somos da mesma turma do curso superior de polícia.

Diário do Litoral - Doria afirma que serão criados Deics regionais para reforçar a investigação e usar a inteligência no combate ao crime. Há previsão de criação de uma unidade do Deic na região?

Manoel Gatto Neto - A gente ainda não conhece 100% dessa proposta, mas ao que parece é fortalecer os setores de investigação, as delegacias especializadas. Eu acho que essa é melhor providência que tem para combate ao crime organizado. Inegável as forças aqui das nossas DIGs, mas também é inegável que precisam de mais apoio. Inteligência é trabalhar com as ferramentas hoje disponíveis, as pesquisas, com a internet e principalmente as trocas de informações. Isso já existe, nós com a PM, com a PF, com o MPE (Ministério Público Estadual) e principalmente entre as nossas delegacias da Polícia Civil.

Diário do Litoral - O governador já se manifestou sobre a  possibilidade de autorização para o início da reforma do Palácio da ­Polícia?

Manoel Gatto Neto - Nós estamos reiterando esse pleito para a reforma do Palácio. Nós temos pronto o projeto básico da reforma, com uma descrição com tudo o que deve ser feito para reformar e para restaurar. Foi uma contratação feita da CPOS (Companhia Paulista de Obras e Serviços). Custou R$ 1,2 milhão para fazer este estudo. Está pronto. Ele está aprovado pela Prefeitura, pelo Condepasa (Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Santos), pelos Bombeiros. Está pronto para ser executado. Para eu lançar um edital para contratação de uma empresa para fazer essa reforma, eu preciso primeiro da verba. É isso que a gente aguarda. As planilhas atualizadas hoje dão conta de R$ 28 milhões que serão necessários para reformar e inclusive ampliar mais um andar desse prédio. (Onde era local destinado a presos tomarem banho de sol estão previstos um auditório, espaço cultural e salas de apoio). 

Diário do Litoral - Teve repercussão no último dia 30 a ação de assaltantes na Via Anchieta, em Cubatão, quando era grande o fluxo de carros devido ao feriado de Réveillon. Quais são as metas da Polícia Civil para a repressão deste tipo de crime nas estradas da Baixada?

Manoel Gatto Neto - O policiamento preventivo é a cargo da Polícia Rodoviária Estadual. A gente sabe, conhece o problema de longa data. Nós temos a Polícia Militar que também ajuda, também faz patrulhamento em motos e de carros também. A Polícia Civil tem um grupo de atuação nas rodovias. Nós temos investigadores escalados só para apurar os crimes que acontecem ao longo da rodovia. E dá atendimento prioritário. Quando acontece uma ocorrência dessas, eles são acionados também e vão para o local para levantar essas informações. Este tipo de ocorrência caiu. Nós tivemos um ápice dessas ocorrências. Em 2015 ainda tivemos algumas ocorrências, mas elas estão caindo. Graças também à iluminação de rodovias e houve um fórum permanente dos crimes ao longo das rodovias do SAI. A gente debateu o assunto, com melhorias com cerca, com iluminação e, principalmente, melhorias com câmeras.

Diário do Litoral - Quais serão os procedimentos neste início de ano para a criação de novas Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs) na Baixada e Vale?

Manoel Gatto Neto - Existem estudos (sobre a criação). É um assunto da ordem do dia: a violência doméstica e os feminicídios. As DDMs  estão com seus quadros completos. Santos está funcionando com três delegadas. Então a gente está dando toda a atenção para isso. Eu vejo como uma necessidade a criação de uma DDM em Bertioga, é a única da cidade da Seccional de Santos que não tem. Há necessidade também da criação de uma DDM em Itanhaém, que é uma sede de Delegacia Seccional. Assim como em Jacupiranga. Já teve DDM, foi fechada e há necessidade de reabrir. Nós temos concurso na Polícia Civil em andamento, de delegado, de escrivão, de investigador, de perito. Agora precisa ver qual vai ser a designação do governo do Estado. Até março nós vamos ter a nomeação dos novos policiais.

Diário do Litoral - Como mostrou reportagem do Diário do Litoral em setembro do ano passado, muitas mulheres que registram ocorrências na DDM de Santos, por exemplo, não tem condições financeiras para irem ao IML de Santos para exames de corpo de delito. Há tratativas para que o Estado forneça transporte gratuito?

Manoel Gatto Neto - A Polícia Civil tem que levar. Nós temos que garantir que a pessoa passe pelo IML. Nós temos que garantir que a vítima de uma violência doméstica volte até a sua residência para pegar os documentos, para pegar roupas. Tem que dar segurança. A obrigação é da Polícia Civil. A DDM pode pedir ajuda através do delegado seccional.

Diário do Litoral - Segundo o Sindicato de Delegados de Polícia do Estado de São Paulo, o déficit de policiais civis no Estado de São Paulo ultrapassa 13 mil policiais. Na Baixada Santista, de que maneira esta questão é enfrentada?

Diário do Litoral - Não dá para negar que a gente tem um déficit. Isso é em decorrência principalmente da aposentadoria compulsória aos 65 anos (por lei federal, em 2014). Muita gente saiu. Muitos policiais que ainda estavam prestando um bom serviço do dia para a noite aposentaram. As constantes notícias de mudança na previdência têm feito com que muitos policiais apressem o seu pedido de aposentadoria. Isso tem atrapalhado. O que a gente tem feito é cada vez mais enxugar o setor administrativo e colocar o policial a cumprir a sua missão principal, que é investigar, registrar. Hoje você passa nos corredores da do Departamento, da Seccional, e você vê como está diminuindo o número de policiais na Seccional e no Deinter-6 (em serviços internos). O inquérito digital ajudou também. Foi um facilitador. Porque agora não tenho mais aquela função do estafeta, daquela viatura que saía daqui com dois policiais para levar expediente até o fórum. Hoje é online. O inquérito policial não tem mais papel.

Diário do Litoral - Sob a gestão Doria, as operações mensais regionais de combate a crimes diversos prosseguirão ou haverá uma mudança de atuação nesse sentido?

Manoel Gatto Neto - Sofrer alteração,  incorporar alguma coisa a mais, eu sou aberto a isso. O resultado é muito positivo e eu entendo que essas operações contribuem para a diminuição dos índices de violência na região. Desde 2014 todos os registros de crimes caíram. Latrocínio de 28 (2014) para 20 (até novembro de 2018 - os números de dezembro ainda não foram divulgados). Homicídio caiu de 209 (2014) para 159 (até novembro de 2018). Registros de furto caíram de 31.194(2014) para 26.435 (até novembro de 2018). De roubo caíram de 21.089 (2014) para 15.508 (até novembro de 2018). Furto de veículo de 4.673 (2014) para 3.323 (até novembro de 2018). Roubo de veículo de 3.538 (2014) para 1.989 (até novembro de 2018). São indicadores claros que as operações funcionam, que as integrações da polícia com outros órgãos é muito boa. Continuarei diminuindo esses números. 

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