Fipe vê desemprego em 6,2% em março

Se o número calculado para o desemprego no terceiro mês deste ano for atingido, será 1,2 ponto porcentual superior ao registrado em igual período de 2014, quando foi de 5,00%

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06 ABR 201517h02

O nível do desemprego apurado nas seis regiões metropolitanas do País pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) deve continuar avançando em março e atingir 6,2% da População Economicamente Ativa (PEA), conforme a Taxa de Desemprego Antecipada (TDA), divulgada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) e pela Catho.

Se o número calculado para o desemprego no terceiro mês deste ano for atingido, será 1,2 ponto porcentual superior ao registrado em igual período de 2014, quando foi de 5,00%, e ainda ficará acima do visto em fevereiro de 2015 (5,9%). Também, segundo as entidades, será a quinta vez consecutiva na qual a taxa de desemprego ficará acima ou igual à registrada no mesmo mês do ano anterior, indicando que o mercado de trabalho se encontra em processo de arrefecimento. "Caso nossos números se confirmem, teremos em março de 2015 o maior aumento da taxa de desemprego nessa base de comparação (interanual) desde julho de 2006, ou seja, maior até do que durante a época da crise internacional de 2008/2009", avalia nota.

A expectativa da Fipe/Catho é de que a tendência de piora do emprego continue, já que a "cada mês que passa a distância da taxa de desemprego atual com relação à do mesmo mês do ano anterior aumenta (essa distância, que esperamos que seja de 1,2 ponto porcentual em março era de 0,7 ponto porcentual em fevereiro; 0,5 em janeiro e nula em dezembro), afirmam, em documento.

O nível do desemprego apurado nas seis regiões metropolitanas do País pelo IBGE deve continuar avançando (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Outros indicadores da Fipe e da Catho reforçam a deterioração do mercado de trabalho em 2015. Entre fevereiro deste ano e o mesmo mês de 2014, o salário médio de admissão, já descontada a inflação, teve contração de 2,1%, sendo a maior queda dos últimos dez anos. Além disso, as entidades percebem que os novos trabalhadores que estão sendo contratados estão recebendo um valor menor em relação àqueles que foram demitidos. "Esse movimento de piora nos salários e na pressão salarial é consistente com a piora que esperamos para a taxa de desemprego" avaliam os técnicos.

Metodologia

A Taxa de Desemprego Antecipada da utiliza dados disponibilizados em tempo real para produzir informações e estatísticas, sem a necessidade de esperar semanas ou meses até os institutos de pesquisa divulgarem os indicadores oficiais e defasados. No caso da Taxa de Desemprego, a Fipe cruza informações obtidas com buscas na internet (por meio de palavras-chave relacionadas a emprego, por exemplo) com informações de vagas, candidatos e contratações da Catho, além de outros dados econômicos e também a própria série da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), do IBGE, dos meses anteriores para estimar a taxa de desemprego do mês corrente.