Espaço colaborativo em Santos reúne artesãs da região / Rodrigo Montaldi/DL
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Com a proposta de compartilhar ambientes e dividir despesas, os espaços colaborativos vêm ganhando adeptos por todo o Brasil. Os grupos chamados de coworking também ajudam na troca de ideias e dão oportunidades de crescimento para microempreendedores individuais.
Após abrir a própria loja, a artesã Mariana Riello Nishimura percebeu que teria mais oportunidades de crescimento se compartilhasse seu espaço com outras pessoas.
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Assim, o que antes era a loja MrN bolsas artesanais, transformou-se em espaço MrN. As bolsas de cartonagem, que utilizam papel couro e tecidos de diversos tipos na confecção, passaram a ser expostas ao lado de outros trabalhos artesanais.
“Minha primeira iniciativa foi começar a realizar mutirões. Com isso, fui fazendo contatos e convidando outras pessoas para o espaço”, comenta Mariana.
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De acordo com a artesã, Santos já possui outras lojas colaborativas, mas com uma proposta diferente. “Nos outros locais, você paga um aluguel para deixar seu produto exposto lá e sua participação acaba aí”, explica. “Aqui a palavra ‘colaborativa’ tem muito peso. Precisamos trabalhar em grupo para crescer juntos”, completa.
No espaço, as artesãs pagam um valor apenas para manutenção das despesas, mas o lucro vem do trabalho de cada um. Para Mariana, a possibilidade de cobrar um valor baixo vem do fato de ela também ser uma artesã e ter seu próprio trabalho exposto ali. Além disso, os funcionários da loja são as artesãs, que se revezam entre os dias para o atendimento aos clientes.
“Em outras lojas, o dono tira seu lucro dos aluguéis para expor os produtos e é preciso contratar funcionários, que muitas vezes não sabem explicar o nosso trabalho”, diz Mariana.
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Aline de Mello é uma das artesãs que está no espaço colaborativo. Quando a reportagem esteve no local, ela era a responsável pelo atendimento do dia. “Eu coloco meu trabalho em outras lojas, mas só deixo lá.
Quando me perguntam se tenho loja física, indico aqui”, comenta Aline. “Nossa relação é o maior diferencial, somos como uma família”, completa.
Filha de artista plástica, Aline adquiriu cedo o gosto por criar coisas até que decidiu iniciar a Aline Mello Biju, na qual faz bijuterias em tecido.
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Hoje, o espaço conta com 24 marcas, mas tem capacidade para 30 e, futuramente, Mariana pretende expandir e abrir oportunidades para mais pessoas da região.
“Já tive pedidos de marcas de São Paulo para expor aqui, mas essa não é a ideia. Temos muitos artesãos na Baixada Santista e quero valorizar quem é daqui”, ressalta Mariana.
A expansão da loja - que abriu em 15 de abril de 2017 - começou no final do ano passado. Atualmente, as marcas são de Santos, São Vicente, Praia Grande e Guarujá.
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“A proposta da colaboração deste espaço foi diferente para todos, acredito que, em Santos, somos os únicos com a proposta nesses moldes”, declara.
Jéssica Busato produz cosméticos naturais e entrou no espaço em março porque gostou da proposta diferente do local. “Já exponho meus produtos em outra loja e sempre participo do Caiçara Vegan Fest, mas gosto da ideia de estar em um lugar onde todos trabalham juntos para crescer”, explica.
Segundo ela, sua marca, a Samaúma Biocosméticos, tem uma proposta de ser colaborativa também, por isso a ideia é expor os produtos apenas em espaços deste tipo. “Não tenho interesse em colocá-los em uma loja de shopping, por exemplo, porque iria contra o propósito da marca”, complementa Jéssica.
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O espaço não fica de porta para a rua, por isso a divulgação é parte fundamental para o crescimento das marcas. “Temos redes sociais do MrN para divulgação, mas friso sempre a necessidade de cada um divulgar nas redes de suas marcas que os produtos são encontrados aqui”, diz Mariana.
Outra preocupação de Mariana é não colocar marcas que façam o mesmo trabalho. Apesar de sete artesãs de bijuterias estarem no espaço, por exemplo, cada uma é de um estilo único e diferente. Atualmente, os segmentos em colaboração no MrN são: bijuterias, decoração, bolsas, utilitários domésticos, maquiagem, cosméticos naturais, vestuário e crochê.
“O único requisito é que os artesãos queiram se desenvolver enquanto marcas. Por que alguns têm o artesanato como hobby e esse não é nosso foco”, relata.
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Inclusive, uma das propostas da colaboração é desmistificar o artesanato como algo que é feito apenas por diversão. “Quando as pessoas pensam assim, não dão o merecido valor ao que fazemos. Todos aqui vivem disso e sabem a importância e o trabalho que é para produzir cada peça”, reitera Mariana.
Pensando em ajudar outras pessoas e trazer mais profissionais da região, toda sexta-feira, o espaço funciona como um local de happy hour, dando espaço para gastronomia local.
“Quero tornar a arte acessível para todos. O espaço MrN é um local de multiuso cultural e artístico”, finaliza.
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