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NOVO NORMAL

Vida nos centros urbanos no pós-pandemia nunca mais será a mesma

Os impactos da COVID-19 no cotidiano das cidades serão analisados por quatro pesquisadores que se debruçaram sobre temas como mobilidade, atividades econômicas, ocupação de espaços e tecnologia

Os grandes centros urbanos do pós-pandemia não serão os mesmos do período pré-pandemia / Roberto Parizotti/Fotos Públicas

Os impactos da COVID-19 no cotidiano das cidades serão analisados por quatro pesquisadores que se debruçaram sobre temas como mobilidade, atividades econômicas, ocupação de espaços e tecnologia. Na próxima segunda-feira (25/10), eles vão expor em seminário on-line como projetam a vida nos centros urbanos no futuro próximo.

O evento “As Cidades no Pós-Pandemia” integra o Ciclo ILP-FAPESP de Ciência e Inovação, organizado por meio de parceria entre o Instituto do Legislativo Paulista (ILP) e a FAPESP com o objetivo de divulgar à sociedade em geral e aos legisladores e gestores públicos os avanços das pesquisas científicas realizadas no Estado de São Paulo.

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Ciro Biderman, professor dos programas de Pós-Graduação e Graduação em Administração Pública e Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV), falará sobre a situação emergencial dos sistemas de transporte público. “A maioria das cidades que operavam sem subsídio passou a financiar o transporte por ônibus em valores superiores a 10% do seu custo”, conta. “Ainda que esse desequilíbrio esteja evidentemente relacionado com a pandemia, ela apenas aprofundou o que já vinha ocorrendo no transporte por ônibus em todo o país.” Segundo o pesquisador, o serviço foi impactado pela chegada dos aplicativos, que atraíram principalmente os passageiros que realizam viagens mais curtas e são os mais lucrativos.

Em diferentes países, geografias específicas absorvem os choques gerados pelo coronavírus de diferentes maneiras. “A disseminação do SARS-CoV-2 no Sul Global está fortemente relacionada a desigualdades estruturais, sociais e espaciais sejam elas inter-regionais ou intraurbanas”, diz o professor da Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária da Universidade de São Paulo (FEA-USP) Eduardo Amaral Haddad. Sua apresentação mostrará que, dadas as fortes desigualdades dentro dos países, há um alto potencial para que a atual crise sanitária gere um descontentamento crescente nas regiões que “ficaram para trás”.

A pesquisadora Raquel Rolnik, uma das coordenadoras do LabCidade da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU-USP), também abordará a questão da desigualdade. “A pesquisa que acompanhou a disseminação espacial da pandemia em São Paulo nos ensinou que nenhuma estratégia de prevenção pode ser estabelecida de forma uniforme para o conjunto da cidade”, afirma. “A pandemia e seus impactos sobre a reconfiguração urbana são processos vividos de forma desigual e diversa. Entender essas diferenças é fundamental para traçar futuros possíveis.”

Gabriel Poli de Figueiredo, pesquisador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) Internet do Futuro para Cidades Inteligentes e doutorando na FAU-USP, fará uma reflexão sobre como a tecnologia pode impactar as cidades no futuro pós-pandemia. “As expectativas colocadas sobre a aplicação de tecnologias no contexto urbano costumam ser altas, porém, nem sempre levam em conta as dinâmicas socioterritoriais que se materializam nas cidades”, diz.

Segundo Figueiredo, a crise decorrente da COVID-19 trouxe à tona essas expectativas, especialmente com relação às potenciais mudanças nos arranjos de trabalho e moradia, “mas sem que houvesse mudanças estruturais suficientes para alterar as dinâmicas socioterritoriais”.

O encontro virtual será realizado das 15h às 17h e será transmitido pelo canal da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) no YouTube. As inscrições podem ser feitas pela página do evento.

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