'São Paulo se tornou um grande negócio para poucos', diz João Paulo Rillo

O deputado estadual do PSOL conversou com o Diário para apresentar um pouco do projeto do partido visando as próximas eleições

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02 JUL 2018Por Carlos Ratton10h31
João Paulo Rillo, deputado estadual do PSOLJoão Paulo Rillo, deputado estadual do PSOLFoto: Diário do Litoral

A frase é do deputado estadual João Paulo Rillo, do PSOL, que veio a Santos para apresentar um pouco do projeto do partido visando as próximas eleições. Confira os principais pontos da entrevista.  

Diário - Você, como boa parte do PSOL, saiu do PT. Quais foram seus motivos?
João Paulo Rillo –
Sai recentemente. O que foi determinante para minha ida para o PSOL foi a escolha de Guilherme Boulos como pré-candidato à Presidência, que eu vejo como uma grande estratégia para uma forte aliança com os movimentos sociais, que proporcionará debates mais coletivos e ricos. Uma nova alternativa para o Brasil. Ao mesmo tempo, estava pontuando divergências profundas com o PT, especialmente na bancada de deputados estaduais. 

Diário – Quais?
Rillo –
Cobrava uma oposição mais clara ao Governo de São Paulo (Geraldo Alckmin), por exemplo. Mas respeito o PT, defendo a candidatura de Lula e compreendo que ele está sendo perseguido e que é um preso político, mas acho muito difícil ele registrar sua campanha. Continuo no mesmo campo de enfrentamento ao Golpe mas, para mim, um ciclo foi fechado. 

Diário - Quais foram os erros dos governos petistas?
Rillo –
O PT acertou muito quando governo, mas perdeu a ter interditado o caminho das mobilizações sociais e não ter compartilhado as ações de governo com os movimentos sociais, estudantis e isso foi um erro grave. Também não lutou contra um sistema eleitoral corrupto quando não promoveu a reforma política. 

Diário - Guilherme Boulos afirma que um dos grandes desafios da presidência é colocar o MDB na oposição. É isso?
Rillo –
Primeiro precisamos ganhar com um programa popular. Temos uma proposta baseada em centenas de audiências públicas por todo o Brasil. Não vamos mudar se não enfrentarmos privilégios e uma elite que, entre outras coisas, domina os meios de comunicação, o sistema financeiro e alguns meios de produção. É possível governar com o povo. 

Diário – O PSOL defende plebiscitos para grandes decisões de Governo. Isso funciona?
Rillo –
Existe instrumentos em nossa Constituição que permitem consultas populares. É possível governar adotando posições mais duras com o parlamento, desde que apoiado pelo povo.   

Diário - O Governo do Estado não empreendeu esforços na tentativa de segurar a instalação de uma Termoelétrica em Peruíbe e, após, pediu a transposição do Rio Itapanhaú em Bertioga. Qual seu posicionamento sobre isso? 
Rillo –
Essa questão ambiental se repete por todo o Estado. O atual governo transforma agências sérias de controle em avalistas de suas decisões. A Artesp deveria fiscalizar o sistema rodoviário, mas joga muito mais do lado das concessionárias. Faz vistas grossas para as obrigações e os investimentos que deveriam ocorrer. São Paulo se tornou um grande negócio para poucos. Nos casos de Peruíbe e Bertioga, houve várias audiências na Assembleia. Há uma tática selvagem da Sabesp em transformar água em um produto para gerar lucro a seus acionistas, degradando o meio ambiente. Se houve estiagem também faltou investimentos em captação. Transposição deve ser feita quando não existe outras opções. 

Diário – Vale uma CPI na Cetesb?
Rillo –
Sim. Ela deveria dar licença a partir de critérios técnicos, defender o meio ambiente e o povo de São Paulo mas, no entanto, se tornou apenas um braço do governo. Uma avalista dos maiores interesses privados. Deu uma autorização para a transposição que foi desmontada na audiência pública pelos ambientalistas, pelo Ministério Público e vários técnicos. Foi vergonhoso. Precisamos parar de combater os desmandos e ir direto na fonte. Por isso, precisamos instalar uma CPI.

Diário - Qual é o melhor candidato ao Governo do Estado?
Rillo –
A professora da USP Lisete Arelaro. Ela tem um grande projeto para o Estado, principalmente no sentido de interromper o atual de degradação da escola ­pública, de entrega do patrimônio estadual e desvalorização da ­universidade pública. Ela já aparece em pesquisa sem nunca ser ­candidata. 

Diário - Alckmin tem chances à Presidência?
Rillo –
Só posso dizer que o Estado que ele governa possui um dos piores índices do Brasil em vários setores. As universidades estão estranguladas, as polícias possuem os piores salários do País, as mortes de policiais aumentaram cerca de 40% e cerca de 80% das mortes ocorrem quando os policiais estão nos conhecidos bicos. O que está matando o policial é o salário pago pelo Alckmin. O policial é um trabalhador. Professor, para sobreviver, está tendo que vender cosméticos. O PSDB quer fazer de SP a imagem e semelhança de seu símbolo, um tucano, um estado de bicos. 

DL – Qual seu modelo de Estado?
Rillo –
O que valorize a educação, a segurança e o servidor público. Que proporcione oportunidade de empregos e que estimule um plano de desenvolvimento regional elimine as desigualdades sociais.