Sandoval Soares: "Não entro no jogo para perder"

"Ainda não estou filiado no PSB, mas venho sendo bem recebido por integrantes do partido"

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24 SET 2018Por Carlos Ratton12h31
"A bancada do PSDB também aceitou com tranquilidade minha saída"."A bancada do PSDB também aceitou com tranquilidade minha saída".Foto: Paolo Perillo

Ele saiu do PSDB, mas não se filiou ao PSB. O vice-prefeito de Santos, Sandoval Soares, em entrevista ao Diário, salientou seu esforço para eleger Márcio França governador de São Paulo. Confira os melhores trechos da entrevista:   

Diário – Por que saiu do PSDB?

Sandoval Soares – Foi um amadurecimento de posição e os rumos tomados pelo partido, principalmente nos últimos meses, quando da escolha do nome para concorrer ao governo do Estado. Uma candidatura se constrói na base e o João Dória, colocado pelo Geraldo Alckmin para ser a base do governador na maior cidade da América Latina, ser seu principal articulador e cabo eleitoral, mas ele não fez.

Diário – Mas ele se intitula gestor e não político.

Soares – Pois é. Acho que ele até desvaloriza a classe política. Existem bons políticos e eu me incluo. Ele deveria ter palavra, lealdade. 

Diário – Além de não ter cumprido a promessa de se manter prefeito, ele criou a Farinata (ração humana), o carimbo nas mãos das crianças que já haviam comido a merenda e outros problemas com pessoas em vulnerabilidade social. Isso também foi estímulo? 

Soares – Sim. Mas também a minha proximidade com o governador Márcio França (PSB). Não poderia ficar no PSDB fazendo campanha para quem eu não acredito (Dória). Ainda não estou filiado no PSB, mas venho sendo bem recebido por integrantes do partido. Também recebi convites para ingressar em outras agremiações políticas. 

Diário – Seu candidato à presidência é Geraldo Alckmin?

Soares – No meu ponto de vista, o único com condições de trazer o equilíbrio necessário ao País. Voltar a construir relações políticas, o Congresso e o Supremo Tribunal Federal funcionando. Também estou engajado na campanha do Márcio França por toda a história política dele na região. Ele está preparado.

Diário – Por que ele se mantém em terceiro nas pesquisas?

Soares – Porque mais de 60% da população de São Paulo não o conhece e por causa de sua lealdade com o governador Geraldo Alckmin. Ele foi vice e, como a maioria das pessoas que ocupa esse cargo, prepara o caminho. Mas ele foi parceiro e nunca se colocou contrário a quem estendeu a mão. Sempre cumpriu suas obrigações e depois saiu para a campanha. Mas ele vem subindo nas pesquisas gradativamente. Já os outros não conseguem subir. Estou com ele e não entro no jogo para perder. Márcio vai ser governador de São Paulo. Me custa acreditar que Dória fará um bom governo, porque o primeiro passo é ter credibilidade. 

Diário – O PSDB governa há 24 anos e não conseguiu, por exemplo, a travessia seca entre Santos e Guarujá. França promete resolver. Também acredita na regionalização do Porto de Santos. Vai acontecer ou é só promessa? 

Soares – É momento de oxigenar, de promover novas alianças. Um projeto maior. Alckmin queria uma composição com o PSB. Ele (Geraldo) não está melhor nas pesquisas por conta da falta de trabalho aqui. 

Diário – Alberto Mourão é o coordenador do Dória na Baixada. Ele atrapalha o Márcio França?

Soares – Ele é um grande prefeito e seria um bom nome para participar das prévias visando o governo do Estado. Respeito a decisão dele, mas acredito que ele poderia ter somado. Paulo Alexandre também seria um bom nome, mas me disse que não era o momento. 

Diário – Você acredita que manter o Aécio Neves à frente do PSDB foi um erro?

Soares – A sociedade está muito atenta. O PSDB tem grandes nomes. No momento que deveria ter tirado ele do partido não o fizeram. Pelo menos, convidá-lo a sair. Ele mantido como presidente nacional do partido quando a base queria o contrário, foi um erro.  

Diário – Como ficou sua relação com o prefeito?

Soares – A mesma, de respeito. Eu falei para ele do meu desconforto com o partido e ele respeitou minha decisão. Disse, inclusive, que continuaria confiando em mim. A bancada do PSDB também aceitou com tranquilidade minha saída. Eu sou um vice que desenvolve uma trabalho de articulação de projetos entre a Prefeitura e a sociedade.