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Pela democracia, Brasil precisa apoiar Taiwan como observador no encontro da Interpol

Raquel Kobashi Gallinati , Diretora de Integração da Associação dos Delegados de Polícia do Brasil (Adepol do Brasil) e presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (Sindpesp) / DIVULGAÇÃO

Em novembro, será realizado em Istambul, na Turquia, o 89º Encontro da Organização Internacional de Polícia Criminal, a Interpol, reunindo todos os países que fazem parte da organização. Taiwan, que foi obrigado a se retirar do grupo em 1984, com o ingresso da China, solicita desde 2016 seu retorno como observador, pedido que, por força de pressões políticas, não foi aceito, ainda que o pleito já tenha recebido apoio de importantes membros, como Estados Unidos, Reino Unido, Japão, Alemanha e Austrália.

Existe uma minuta de acordo bilateral na área de segurança pública entre Brasil e Taiwan, com a Polícia Federal e a Agência Nacional de Polícia de Taiwan como signatários. Portanto, o Brasil reconhece a relevância do país no combate internacional ao crime.

Prezando pela liberdade, pela democracia e pela segurança de suas fronteiras, o Brasil deve apoiar a participação de Taiwan como observador no encontro da Interpol, bem como sua participação significativa nas reuniões, mecanismos e outras atividades da organização. A ausência do país compromete a segurança mundial.

Hoje, a exclusão de Taiwan da Interpol prejudica a segurança de todo o mundo. Sem acesso aos arquivos de investigados internacionais da Interpol, o país perde uma ferramenta fundamental de investigação e gera uma lacuna importante no combate a crimes transnacionais relevantes, como tráfico de drogas, tráfico humano, terrorismo, crimes cibernéticos e lavagem de dinheiro.

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Taiwan ainda não recebeu autorização da Interpol para acessar sua rede de comunicações policial global I-24/7 e vários bancos de dados criminais, incluindo o banco de dados de documentos de viagem roubados e perdidos. Isso prejudicou seriamente os controles de segurança das fronteiras e os esforços para combater o crime transnacional.

Segundo dados da Organização Mundial de Turismo da ONU, Taiwan recebeu 12 milhões de turistas internacionais em 2019 e abriga o 10º aeroporto mais movimentado do mundo. No Brasil, a comunidade taiwanesa tem cerca de 100 mil pessoas. 

Sem permissão para consultar registros internacionais criminais, o país tem seu acesso aos dados reduzido, o que compromete sua capacidade de investigação. Com isso, Taiwan entra na mira de organizações que utilizam o país como rota para transporte de drogas sintéticas que são distribuídas por todo o mundo, inclusive o Brasil, além dos já citados crimes de lavagem de dinheiro e terrorismo.

Em sua constituição, a Interpol registra, em seu Artigo2º, o objetivo de garantir e promover ampla assistência mútua possível entre todas as autoridades policiais criminais.

A exclusão de Taiwan mina o esforço global de combate ao crime e o Brasil deve ser parte do esforço para corrigir essa importante distorção no sistema de investigação criminal internacional.

Raquel Kobashi Gallinati
Diretora de Integração da Associação dos Delegados de Polícia do Brasil (Adepol do Brasil) e presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (Sindpesp)

Tania Prado
Presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia Federal do Estado de São Paulo (SindPF-SP)

 

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