Mickey Rooney: o estigma de ter sido astro infantil

Ator norte-americano morreu aos 93 anos de idade, deixando o legado de ter sido uma das estrelas dos musicais da Metro nos anos 40

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08 ABR 201401h59

Ele sempre lamentou que sua imagem como ator infantil lhe tivesse pregado uma etiqueta que o perseguiu na vida adulta. Casou-se oito vezes, teve um monte de filhos e filhas, mas seu grande amor parece ter sido o primeiro. Nos anos 1940, Mickey Rooney casou-se com uma jovem contratada da Metro que logo viraria furacão sexual, Ava Gardner. Era demais para o caminhãozinho de Andy Hardy, que ele interpretou em cerca de 20 filmes.

Marcado como um dos principais atores infantil do cinema, Mickey Rooney morreu aos 93 anos de idade no último dia 6 de abril (Foto: Divulgação)

Mickey Rooney morreu domingo, 6, em Hollywood. A causa da morte não foi anunciada. Tinha 93 anos. A última vez que ocupou o noticiário foi em 2011, quando requereu proteção à Justiça, dizendo-se abusado por um enteado que o maltratava. As vidas de astros infantis quase nunca são fáceis. Além das inevitáveis dificuldades de passagem para a vida adulta, são inúmeros os casos de abuso familiar.

Ele sempre lamentou que sua imagem como ator infantil lhe tivesse pregado uma etiqueta que o perseguiu na vida adulta (Foto: Divulgação)

Ele nasceu no Brooklyn, em Nova York. Seu nome, John Yuli Jr. Não soava bem, pelo menos foi o que pensou Louis B. Mayer, e o menino sardento foi rebatizado como Mickey Rooney ao integrar o elenco da série Our Gang. Rooney devia à mãe o fato de ter virado astro. Depois que se divorciou, ela pegou o filho pequeno e rumou para Hollywood, convencida de que ele levava jeito para o cinema. Não se enganou. Rooney foi testado e aprovado para a série de comédias de Hal Roach.

Emprestado pela Metro à Warner, participou de filmes importantes como Sonhos de Uma Noite de Verão, de Max Reinhardt. Mas a Metro reclamou sua propriedade e Rooney voltou ao estúdio para outra série de filmes, agora Judge Hardy’s Children.

Mickey Rooney e Judy Garland tornaram-se um par de sucesso cantando e dançando em vários filmes, entre eles Babes in Arms, de 1939 (Foto: Divulgação)

Se há uma coisa de que Louis B. Mayer entendia era de marketing - como moldar o imaginário do público. Ele imaginou esse juiz que trazia a garotada na rédea curta. Rooney encarnava Andy Hardy. Era um anjo feito menino. Casto, piedoso e sempre sorridente. Hoje, seria considerado um porre, mas em cerca de 20 filmes Hardy/Rooney moldou o comportamento de toda uma geração.

Ele bem que tentou fugir ao rótulo, ou ao estereótipo, fazendo outros papéis, mas não deu. Em 1957, vingou-se. O próprio diretor Don Siegel deve ter pensado que seria um choque e tanto no inconsciente coletivo apresentar o antigo - eterno - Andy Hardy na pele do mais sádico e sanguinário dos gângsteres, Baby Face Nelson.

E ofereceu a Mickey Rooney o papel do protagonista em Inimigo Público Número Um. O ator encarnou o personagem com gosto, explorando sua crueldade, mas evitando transformá-la em caricatura. O que há é uma insólita alegria que Baby Nelson experimenta ao bater, matar, mutilar.

Ben Stiller, Bill Cobbs e Mickey Rooney (à direita) em cena de Uma Noite no Museu (Foto: Divulgação)

Ele ainda fez o vizinho japonês de Audrey Hepburn em Bonequinha de Luxo, de Blake Edwards, em 1961, e foi indicado para o Oscar de coadjuvante pelo treinador de O Corcel Negro, de Carrol Ballard, em 1979. Com o tempo, a cara de bebê de Rooney voltou-se contra ele. Um bebê cheio de rugas é algo inusitado. Mas a verdade é que ele foi um bom ator, mesmo que a ditadura do estúdio o tentasse prender no que havia sido sua imagem infantil.