Maria Madalena como a mais fiel discípula de Jesus

Filme estreia hoje nos cinemas. Longa não é um filme polêmico, mas uma história sobre fidelidade, abnegação e fé

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15 MAR 2018Por Bárbara Farias16h37
Joaquin Phoenix é Jesus e Rooney Mara, Maria MadalenaFoto: Divulgação

A discípula que mais entendia Jesus de Nazaré, sem questionar seus atos e os desígnios da missão confiada por Deus ao seu único filho. É assim que o diretor Garth Davis (Lion: Uma Jornada Para Casa) apresenta Maria Madalena, a mulher mais controversa da Bíblia, em seu primeiro filme solo. “Maria Madalena” estreia nesta quinta-feira (15) nos cinemas. O Cinema DL já conferiu a produção na pré-estreia realizada na última terça-feira (13), no Cine Roxy 5, em sessão só para convidados.

Embora conte a história bíblica mais conhecida em todo o Ocidente e em parte do Oriente, o longa-metragem é um filme sobre fidelidade, abnegação e fé. Jesus (Joaquin Phoenix) encontra Maria (Rooney Mara) atormentada e apontada por sua própria família e comunidade como uma mulher possuída por demônios. Eis que Jesus a liberta do jugo dos demais e, assim, encontrando acolhida naquele estranho, sábio, ela decide segui-lo, guiada por sua fé, vindo a tornar-se sua discípula mais fiel entre todos os apóstolos.

“Maria Madalena” é simples, com uma bela fotografia, mas ao contrário do que se espera, tratando-se da personagem mais controversa do Novo Testamento, o filme não polemiza e não deve ser criticado pela Santa Sé. Pois, a relação entre Jesus e Maria de Magdala mostrada no filme é de uma discípula com o seu Mestre, que lhe olha nos olhos quando percebe que Ele também precisa de um gesto de empatia e palavras de conforto. 

Rooney Mara, indicada duas vezes ao Oscar (“Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres” e “Carol”) decepciona um pouco como Maria Madalena. Talvez não tenha encontrado o tom certo para interpretar a personagem mais incompreendida e difamada do Novo Testamento ao longo da história. A sua Maria Madalena é passiva demais para uma mulher hostilizada que teria sido a mais próxima de Jesus durante sua missão, presente no momento de sua morte, enterro e ressurreição, sendo ainda a primeira a vê-lo vivo ao terceiro dia e recebendo do Mestre a incumbência de levar a boa nova aos apóstolos. A passividade mostrada não é a alguém que atingiu a paz interior, mas de alguém que apenas admira o seu mestre, por sua fé.

O filme se passa no ano 33 da era cristã. Joaquin Phoenix tem 43 anos de idade e parece um pouco “velho” para um homem de 33, mas convence como Jesus. Joaquin nos entrega um Jesus de Nazaré mais humano no olhar, nas expressões, na empatia com os desvalidos, na ira dentro do templo judaico, mas não menos santo do que se espera da figura mais importante do cristianismo e relevante para a humanidade sob o ponto de vista histórico.

A Chiwetel Ejiofor, indicado ao Oscar de melhor ator por “12 Anos de Escravidão”, coube o papel de Pedro, o apóstolo que é mostrado como o mais sensato e estratégico do grupo.

Entretanto, “Maria Madalena” é um filme que vale a pena ser visto e considerado como um registro relevante entre os títulos bíblicos já produzidos na sétima arte.   

Rooney Mara e o diretor Garth Davis já trabalharam juntos no filme “Lion: Uma Jornada Para Casa” (2016), indicado ao Oscar de melhor filme em 2017.

Outra curiosidade é que Rooney Mara e Joaquin Phoenix começaram a namorar durante as filmagens. Os dois trabalharam juntos em “Ela” (2013), interpretando um casal.

A trilha sonora de Maria Madalena é o último trabalho do compositor islandês Jóhann Jóhannsson, que morreu no último dia 9 de fevereiro, aos 48 anos de idade. Jóhannsson também compôs as trilhas sonoras de filmes como “Os Suspeitos” (2013), “A Chegada” (2016) e “A Teoria de Tudo” (2014) entre outros