Lixo vira luxo nas aulas de artesanato

"Cada vez que venho aqui e vejo o sorriso de uma mãe dessas crianças eu me sinto realizada"

Comentar
Compartilhar
24 ABR 201516h52

Foram cinco anos de convívio com a depressão. A libertação da dona de casa Regina Marta, de 52 anos, veio com as aulas de artesanato. Há três anos, em meio a uma crise, ela conheceu Bel por intermédio de uma amiga. Chegou até a Faces para fazer fantasias de carnaval, mas acabou se tornando uma professora-voluntária.
 
"Tive uma depressão terrível. Para me reabilitar fiz vários cursos. O das flores em EVA foi o que mais me agradou e é isso que ensino para elas hoje. Me sinto uma nova mulher. Eu renasci", contou Regina.

Crédito: Matheus Tagé / DL

 
A voluntária, que mora no bairro Aviação, oferece às alunas todo o material utilizado nas aulas, desde as formas até as folhas de EVA. "Cada vez que venho aqui e vejo o sorriso de uma mãe dessas crianças eu me sinto realizada".  As aulas também contam com material reciclável. O que era lixo vira luxo.
 
Formada em magistério, a professora Simone Gonçalves Elorriage, de 47 anos, também viu na Faces a chance de superar um terrível quadro de depressão e de vulnerabilidade social. "Não tinha nada em casa, estava passando fome, quando um amigo me disse: vai até a Bel. Era uma terça-feira, dia de sopa. Fui com os meus filhos. Ela soube da minha história e me perguntou o que sabia fazer. Me convidou para ser voluntária e dar aula com barbantes. E hoje estou aqui, ensinando outras mulheres", relatou. A ideia agora é alfabetizar os adultos da comunidade. "Pretendo também dar aulas de reforço", afirmou Simone.