Desafios em pauta na 20ª edição da Intermodal

Até amanhã, players do mercado nacional e internacional estarão reunidos no Transamerica Expo Center, em São Paulo

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02 ABR 201410h55

Começou ontem, em São Paulo (SP), a 20ª edição da Intermodal South America - Feira Internacional de Logística, Transporte de Cargas e Comércio Exterior, o segundo maior evento do mundo para os setores de logística, transporte de cargas e comércio exterior. Até amanhã, os principais players do mercado nacional e internacional estarão reunidos no Transamerica Expo Center em um ambiente de negócios, lançamentos, reforço de marca, joint-ventures, vendas e networking. 

Durante a solenidade de abertura, Joris van Wijk, o diretor da UBM Brazil, organizadora do evento, ressaltou o papel estratégico exercido pela Intermodal nos últimos 20 anos: “o mercado está mudando sempre e apresenta desafios. A busca pela superação é o que impulsiona o crescimento da Feira, que é hoje um grande encontro onde se apresentam soluções e se firmam negócios”.

Para o diretor interino da Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários), Mario Povia, a Feira é um fórum fundamental para discutir os rumos dos segmentos envolvidos nas cadeias de logística, transporte de cargas e comércio exterior. “Estamos envolvidos na consolidação do novo marco regulatório e aumento dos investimentos nos portos brasileiros. A Intermodal é o local ideal para discutir estes temas com as empresas e entidades representativas do setor e sentir como está o cenário”.

O diretor da Agência Nacional de Transporte Terrestres (ANTT), Carlos Nascimento, aproveitou a presença de empresários e lideranças setoriais na solenidade de abertura para deixar um recado: “A ANTT passa por um período importante com muitas obras de infraestrutura em andamento no País. Sabemos que há desafios, como o avanço necessário no modelo de concessão das ferrovias. Estamos nos esforçando para atender as necessidades, ouvindo sempre a opinião de todos os atores envolvidos”.

Abertura da 20ª edição da Intermodal South America (Foto: Divulgação)

As entidades representativas das empresas também destacaram a importância da Intermodal South America. Caso, por exemplo, do presidente da Associação Brasileira de Terminais e Recintos Alfandegados (ABTRA), Antônio Carlos Duarte Sepúlveda. “Estamos comemorando os 25 anos da Abtra aqui na Intermodal. Muita coisa boa aconteceu e a feira é testemunha deste desenvolvimento do País. Há muita coisa a ser feita e a Intermodal é o fórum ideal para discutir os rumos do setor e fazer negócios”, afirmou.

Conferência

Outro destaque do primeiro dia da Intermodal South America foi a realização da Conferência Intermodal Ports & Maritime Summit, que abordou os temas  “Infraestrutura - Avanços e Perspectivas”,  “Desafios Estruturais dos Portos Brasileiros” e “Porto Indústria e Acesso aos Portos”. Apesar de apostarem em um futuro promissor, lideranças e empresários aproveitaram a conferência para apresentar queixas sobre as mudanças que os setores logísticos, de transporte de cargas e de comércio exterior vêm passando.

“O andamento e a velocidade dos investimentos em  infraestrutura estão desconectados das necessidades do País. É preciso rever, também, o papel de cada órgão. Como falar em gestão dos portos se as autoridades portuárias não têm autonomia?”, desabafou o presidente do Centronave (Centro Nacional de Navegação), Cláudio Loureiro.

O presidente da Associação Brasileira de Terminais Portuários (ABTP), Willen Mantelli, foi pelo mesmo caminho: “Temos que discutir a centralização. O enfraquecimento da autoridade portuária é ruim para o País. Viraram meros administradores de condomínio. É preciso autonomia para ter continuidade e previsibilidade”. Quem opinou sobre o tema, também, foi o presidente da Dersa, Laurence Casagrande Lourenço. “Temos no Brasil uma falta de planejamento e um centralismo muito grande no Governo Federal”, defendeu.

A programação de conferências da Intermodal South America continua nesta quarta. A partir das 9h, o painel “Novo Código Comercial Marítimo”, realizado em  parceria com o Centronave,  destaca mudanças de direitos e obrigações de embarcadores, companhias marítimas e prestadores de serviços no âmbito portuário. Os temas vão do risco marítimo à navegação aquaviária, passando por garantia patrimonial e apuração formal dos acidentes.