Da necessidade ao sonho nasce a Faces

"Realizando Sonhos". Esse é o lema da ONG Projeto Faces que há oito anos realiza trabalho social no bairro da Vila Sônia, em Praia Grande

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24 ABR 201516h41

"Realizando Sonhos". Esse é o lema da ONG Projeto Faces que há oito anos realiza trabalho social no bairro da Vila Sônia, em Praia Grande. Idealizada por Gezebel Moraes Moreira, a Bel, a iniciativa atende mais de 200 pessoas, sendo 123 crianças, com cursos gratuitos ministrados por voluntários. Todas as terças-feiras são servidos mais de 100 pratos de sopa para a comunidade. O trabalho é desenvolvido apenas com as doações de amigos e comerciantes.
   
"Eu saía para trabalhar e senti a necessidade de ocupar as minhas três filhas com alguma coisa. A gente que mora em comunidade simples tem a preocupação de não deixar os filhos na rua. Tem o sonho de viver em um lugar melhor", contou Bel. A comunidade onde ela vive é muito carente. Grande parte das famílias vive em situação de vulnerabilidade social.

Crédito: Matheus Tagé / DL
 
Viúva há 16 anos, a aposentada abriu as portas da própria casa para outras crianças do bairro, enquanto trabalhava. "Elas (as filhas) faziam ballet em uma academia particular. Tiveram que abandonar porque eu não tinha mais como pagar. O pouco que elas haviam aprendido já era o suficiente para ensinar outras crianças", disse Bel. A garagem de sua residência ficou pequena e logo a sala precisou ser utilizada para as aulas.
 
As filhas de Bel cresceram e o trabalho social não parou. A casa da aposentada se tornou referência para os mais diversos pedidos. A necessidade de ajudar ao próximo e de fazer da comunidade onde vive um lugar melhor falou mais alto. Outros voluntários surgiram e nasceu a oficina de costura e a cooperativa de costureiras, o sopão, a capoeira e as aulas de artesanato, manicure, ritmos variados, dança do ventre e corte de cabelo. "Os voluntários são pessoas que já passaram por dificuldades. Eles têm necessidade de ajudar. Sou grata por tê-los comigo. Se quer participar, quer ajudar é só entrar", afirmou Bel.

Nem mesmo a falta de recursos foi capaz de parar o trabalho da Faces, que conta exclusivamente com o apoio dos amigos e a caixinha extra que entra com comercialização de fotocópias vendidas a R$0,25. Apesar dos oito anos de labuta somente agora Bel conseguiu oficializar a ONG. "Não tínhamos dinheiro. É muito caro para registrar no cartório. Mas isso não impediu que fizéssemos nosso trabalho, que é sério. Recebemos até o reconhecimento do Conselho Tutelar", disse Bel.
 
O projeto Faces é cadastrado na Secretaria de Assistência Social de Praia Grande. O trabalho é acompanhado por assistentes sociais e pelo Conselho Tutelar. "Fazer é muito bom, mas é difícil. Para criticar são muitos. Eu faço o trabalho há muitos anos e, diferente de outros que registram primeiro e depois fazem o projeto, fiz primeiro e agora vejo o resultado. Fiz porque gosto e porque senti que havia necessidade", destacou a presidente da entidade.