Automotor - Soluções criativas chamam atenção no Honda WR-V - 14 de fevereiro de 2021

Por: Luiz Humberto Monteiro Pereira, da AutoMotrix

Em 2017, o Honda HR-V comemorava dois anos de liderança nas vendas brasileiras de utilitários esportivos. O sucesso do modelo era tamanho que, em março daquele ano, a marca japonesa lançou o WR-V no Brasil, para “fazer a ponte” entre o monovolume Fit e o HRV. De lá para cá, o segmento de SUVs compactos teve uma revolução, com vários lançamentos. Hoje, modelos como os Jeep Renegade, o Volkswagen T-Cross, o Chevrolet Tracker e o Hyundai Creta disputam a liderança e afastaram a Honda do protagonismo. Ao contrário do HR-V, o WR-V sempre teve vendas discretas e jamais foi líder – mas, assim como HR-V e o Fit, do qual é derivado, tem seu público fiel. Tanto que, em 2020, recebeu o selo “Melhor Valor de Revenda”, de SUV compacto, em estudo da empresa especializada Kelley Blue Book Brasil. Na linha 2021 do WRV, apresentada em setembro, o crossover recebeu alguns retoques que lhe conferiram um aspecto mais contemporâneo. De quebra, incorporou equipamentos e evoluções em termos de segurança, alguns reservados à configuração “top” EXL.

Na frente, o WR-V EXL ostenta grade com área cromada mais estreita, barras longitudinais e acabamentos em black piano, que valoriza o logotipo da Honda. Os faróis de leds ampliam a luminosidade. O de neblina também tem lâmpadas em leds, bem como as luzes diurnas de circulação. Na traseira, o para-choque confere um aspecto robusto e as lanternas são em leds. O friso superior da placa vem na cor da carroceria, como as carenagens dos retrovisores e as maçanetas externas. A versão vem com rack de teto e as rodas de 16 polegadas têm acabamento escurecido.

Por dentro, a versão EXL do WR-V traz revestimento dos bancos em couro com costuras na cor preta. O volante multifuncional também é em couro e agrega comandos de áudio, piloto automático e Bluetooth. O painel traz friso do volante e molduras em black piano, com detalhes cromados. A ergonomia possui recursos como regulagem de altura e profundidade do volante e ajuste de altura do banco do motorista. Ao lado dos bancos, são exclusivos da EXL o navegador GPS integrado ao sistema multimídia com tela de 7 polegadas e interface para smartphones, os retrovisores são eletricamente rebatíveis, sensores de estacionamento frontais e traseiros e o retrovisor interno fotocrômico (antiofuscamento).

Alguns detalhes internos reforçam o foco na racionalidade e na versatilidade. Como o porta-copos posicionado do lado esquerdo do painel, entre o volante e a porta do motorista. Com uma modulagem para se adaptar com firmeza a diversos tipos de copos e pequenas garrafas, fica bem junto a uma das saídas do ar-condicionado, o que ajuda a manter gelada a bebida. O aproveitamento criativo dos espaços se potencializa no Magic Seat, sistema de ajustes e rebatimentos dos bancos, que é de série em toda a linha WR-V.

O SUV compacto mantem em todas as versões o motor 1.5 i-VTEC FlexOne com 116 cavalos de potência a 6 mil giros e 15,3 kgfm de torque a 4.800 rotações por minuto, associado à transmissão CVT com conversor de torque. Na configuração EXL, o volante traz “paddles shifts” para trocas sequenciais de marchas comandadas pelo motorista. Entre os aprimoramentos da linha 2021 estão a adoção dos controles de estabilidade e tração, do assistente de partida em aclive, do sistema de alerta de frenagem emergencial e do sensor crepuscular para acendimento automático dos faróis, de série em todas as versões. A estrutura de deformação progressiva ACETM (Advanced Compatibility Engineering) e as barras de proteção nas portas estão em toda a linha, mas, só a versão EXL vem com seis airbags.

Com 569 unidades vendidas em janeiro, o WR-V foi o quinquagésimo terceiro carro mais emplacado do país e o décimo primeiro no ranking dos SUVs compactos. Como o Ford EcoSport, com 1.576 unidades vendidas em janeiro, deixou de ser produzido, é possível que em breve o WR-V consiga um lugar entre os “top ten” do segmento. A versão topo de linha EXL do crossover compacto da Honda é oferecida por R$ 96.600 – com acréscimo de R$ 1.500 para cores metálicas ou perolizadas (como o Cinza Barium do modelo testado) e de R$ 1.800 para o branco polar perolizado.

Um carro com movimento racional

A indefectível racionalidade oriental também deixa sua marca no modelo Honda WR-V em termos dinâmicos. É um veículo do tipo “civilizado”, que não se propõe a oferecer maiores rompantes de esportividade. As retomadas acontecem de forma consistente devido ao motor 1.5 i-VTEC FlexOne, que possui 116 cavalos e 15,3 kgfm de torque a 4.800 rotações por minuto, que se entende bem com o câmbio CVT, assim como com a possibilidade de trocar as marchas manualmente permite atender a quem exige respostas mais imediatas do motor. Por outro lado, um propulsor turbinado talvez desse mais vigor às retomadas. Se não eleva a adrenalina do motorista, o crossover é ágil e eficiente no uso urbano. Nas estradas, o “powertrain” se mostra um tanto barulhento em giros elevados, algo corriqueiro nos câmbios continuamente variáveis. A direção eletricamente assistida tem comportamento progressivo – é leve nas manobras lentas e ganha rigidez conforme o carro acelera mais.

Com amortecedores com batente hidráulico e haste do amortecedor reforçada, com barra estabilizadora projetada para reduzir a rolagem da carroceria, o conjunto suspensivo que combina elementos do Honda Fit e do HR-V foi projetado para possibilitar uma altura do solo de 20,7 centímetros e ângulos de ataque (o da frente, com 21 graus) e de saída (o de trás, com 30,1 graus), recursos compatíveis com a proposta de um modelo crossover compacto. Isso basta para o automóvel ultrapassar os buracos e quebra-molas sem comprometer o conforto e a agilidade requeridas no uso urbano, que é o real foco do modelo.