Mourão é o único insatisfeito com a insegurança regional

Prefeito de Praia Grande garante que “as prefeituras estão no limite”. São Vicente, Guarujá e Santos acreditam que não

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06 JAN 201511h01

A onda de violência ocorrida entre o Réveillon e o último domingo (4) foi uma espécie de presságio para os governos de pelo menos quatro cidades — São Vicente, Guarujá, Santos e Praia Grande. No entanto, somente o prefeito desta última, Alberto Mourão (PSDB), parece estar insatisfeito com o que vem ocorrendo e que pode ser um reflexo do que irá ocorrer até o final de fevereiro, quando termina a temporada de verão.  

“Não era difícil prever que todo o Litoral, Baixada e Litoral Norte, sofreriam arrastões e violência em geral porque o movimento vem aumentando todo fim de semana, ao longo do ano. E, paralelamente, a delinquência juvenil vem aumentando em todo o País, notadamente nas regiões metropolitanas. Não dá mais para tratar a Região como especial apenas no verão. Está na hora de rever o número de efetivo de forma geral e fixa. Não adianta trazer 300 homens no verão, mas não fazer um novo desenho do quadro fixo sem levar em conta os que se aposentam, saem para outras áreas, tiram licença”, afirma Mourão.

Em tom de desabafo, o prefeito, que é do partido do governador Geraldo Alckmin (PSDB), afirma ser muito triste ver uma emissora em rede nacional dizer que as pessoas não devem mais ir ao litoral pela falta de segurança. “É muito ruim para a economia regional. O turismo é uma das molas propulsoras da economia das cidades litorâneas. As pessoas que reclamam da presença de turistas não pensam no coletivo e na cadeia produtiva que movimenta”. 

Mourão garante que as prefeituras estão no limite. “Nós ampliamos ainda mais a Guarda Civil Municipal. Temos 315 homens no efetivo e este ano serão chamados mais 100 que estão prestando concurso. Mas não vão ser guardas municipais que vão correr atrás de traficantes e de apreender armas. Não é sua atribuição. Repito: não dá mais para pensar em Litoral apenas no verão. Não é questão de choradeira. Bastaria que as prefeituras fossem consultadas. Temos números de coleta de lixo, de contas de luz e de água que demonstram que a taxa de ocupação dos imóveis de veraneio cresceu muito e o ano inteiro”, finaliza.

Não é de hoje que Mourão reclama da falta de uma ação mais firme do Estado. Em fevereiro de 2013, também em tom de desabafo, o Diário do Litoral publicou a revolta do prefeito com relação ao aumento da violência em sua cidade. Vale destacar que o turista Marco Antonio Serra Cachada, de 51 anos, foi baleado no pescoço cinco minutos antes da virada do ano durante um arrastão no Município. Ele estava com a família na praia, em frente ao bairro de Guilhermina e aguardava os fogos.

De acordo com a mulher da vítima, os criminosos se aproximaram ao repararem que ela tirava fotos do marido e da sogra com um celular. Ela não viu a ação e nem o autor do disparo que matou o marido porque estava no chão. Após ver o esposo ferido, ela amarrou uma camisa no pescoço dele para tentar estancar o sangue, mas não conseguiu. Quinze minutos do ocorrido, o turista foi socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e encaminhado ao Hospital Irmã Dulce, mas não resistiu aos ferimentos e morreu.

Mourão pede  mais policiamento durante o ano todo (Foto: Luiz Torres/DL)

Bili acredita que parte do efetivo resolve

O prefeito Luis Cláudio Bili (PP) lamenta o ocorrido no trecho urbano da Rodovia dos Imigrantes e garante que irá solicitar ao Governo do Estado a permanência de parte do efetivo destinado pela Polícia Militar à Operação Verão, a exemplo do que fez no ano passado, quando pediu o atendimento 24 horas do 2º Distrito Policial da Cidade e mais viaturas para a Área Continental. Na época, também foram reivindicados atendimento contínuo para a Cidade Náutica, mais viaturas, além de uma companhia da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar da Polícia Militar) fixa para atender a Baixada Santista.

No último domingo de manhã, sua Cidade ganhou destaque na televisão. Um casal de turistas foi vítima de uma tentativa de assalto por uma dupla de marginais. A passageira chegou a ser puxada por um deles. Os bandidos estavam a pé. Com uma arma, um deles intimidou o motorista gritando para que ele saísse do carro. Ele não obedeceu por acreditar que a arma seria de brinquedo e levou um soco no rosto. Os criminosos se aproveitaram de uma longa fila de carros que seguiam para São Paulo e, quando o semáforo ficou vermelho, a dupla abordou o casal. A família, do Interior do Estado, passou o fim de semana em Praia Grande.

Uma equipe de reportagem do jornal O Estado de São Paulo teve o carro e equipamentos roubados na pista marginal da Rodovia Padre Manoel da Nóbrega, também na altura do bairro Humaitá, em São Vicente. O crime aconteceu por volta das 14h30 de domingo, enquanto a equipe fazia fotos do movimento nas estradas na volta para São Paulo.

Guarujá e Santos estão satisfeitas

Em Guarujá, a Polícia Militar prendeu 19 pessoas — 11 adultos e oito menores — após arrastões nas praias da Enseada e Pitangueiras. Alguns objetos das vítimas, como celulares e câmeras fotográficas, foram apreendidos pelos policiais, além de uma pistola e munição. Segundo a Polícia Civil, pelo menos 30 marginais participaram da ousada ação. Algumas vítimas foram à Delegacia Sede do Município para prestar depoimento e registrar o Boletim de Ocorrência. Familiares de alguns dos detidos também compareceram ao local.

Há informações extraoficiais do uso de armas de fogo por marginais, no Perequê, para saudar 2015. A poucos quilômetros daquela praia, no final da tarde da última sexta-feira (2), marginais abordaram vários veículos em diversos pontos do trecho urbano da Estrada de Pernambuco. A fila de carros que retornavam para o Centro e para Santos ficou extensa em função da mudança repentina de tempo. Viaturas da PM foram acionadas, mas nenhum marginal foi capturado. 

A Prefeitura esclarece, no entanto, que em todas as ocasiões em que a prefeita Maria Antonieta de Brito (PMDB) esteve com o governador foi solicitado o reforço policial na Cidade. “Isso acarretou no maior efetivo da Baixada Santista durante esta temporada, com 435 policiais militares. Além disso, a Operação Verão conta também com mais guardas-vidas, que atuarão nas praias da Cidade”, explica nota oficial. 

Santos

Respondendo pelo prefeito de Santos, Paulo Alexandre Barbosa (PSDB), o secretário de Segurança Pública de Santos, coronel Sérgio Del Bel, afirma que o confronto ocorrido entre a Avenida Washington Luís (Canal 3) e a Avenida Conselheiro Nébias foi um fato isolado. “Foi uma situação localizada. Recebemos o maior efetivo policial dos últimos anos (320 homens). Nesse dia, cerca de 30 viaturas estavam na orla. Houve um desentendimento em função do consumo excessivo de álcool, só isso”, minimizou Del Bel.

A ocorrência em Santos foi na madrugada do dia 1º, quando policiais da Operação Verão a pé tentavam liberar a avenida da praia para o tráfego de veículos. Um grupo que estava parado com automóveis naquela região resistiu à ação policial e passou a arremessar garrafas contra os policiais. Foi solicitado reforço, que precisou jogar bombas de efeito moral contra o grupo, para conter a confusão. Um sargento foi atingido no rosto. Viaturas foram danificadas no confronto.