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Modesto Roma Jr. visa profissionalismo e fala em resgate de alma do Santos FC

No Papo de Domingo, o candidato à presidência pela chapa 'Santos Gigante', que conta com apoio de Marcelo Teixeira, critica a atual gestão e afirma ter projeto ambicioso para a base

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08 NOV 201423h30

Forte candidato nas eleições presidenciais do Santos Futebol Clube para o próximo triênio, Modesto Roma Jr tenta seguir os caminhos do falecido pai, que comandou o alvinegro praiano de 1975 a 1978, e iniciar uma nova Era no clube de Vila Belmiro.

Modestinho, como é carinhosamente chamado pelos mais íntimos, se diz único candidato de oposição dentre os cinco que pleiteiam a vitória nas urnas no dia 6 de dezembro, não poupa as pessoas que gerem o Peixe atualmente, enaltece a ligação com a Vila Belmiro e com as raízes santistas, e também apresenta planos e projetos para um eventual mandato.

Jornalista, 62 anos de idade e ex-dirigente do Santos durante a primeira década dos anos 2000, Modesto Roma Jr é apoiado pelo ex-presidente Marcelo Teixeira e garante estar preparado para ser presidente.

Confira, na íntegra, a entrevista dada pelo candidato em visita ao Diário do Litoral:

Diário do Litoral: Por que o senhor quer se presidente do Santos?

Modesto Roma Jr: Desde o começo do ano a gente começou a se envolver com essa eleição. Nossa ideia inicial era que o Marcelo (Teixeira) saísse candidato a presidente.

Fizemos algumas reuniões com ele para tentar convence-lo a ser presidente. Isso em janeiro, fevereiro, até julho, a gente foi conversando com ele e ele resistindo, dizendo que não podia, tinha necessidade de tocar outros projetos. Eu fui viajar de férias, voltei em agosto e chegamos a marcar uma reunião com os grupos que não estavam contentes com as coisas do clube. Ele insistiu dizendo: ‘não posso’. E um dia ele me chamou na sala dele e disse: ‘eu queria te indicar para ser candidato’.

A principio, eu levei um susto. Nunca tive a ambição de ser candidato ou ser presidente do Santos. Feliz a gente sempre fica porque servir o clube da gente é sempre bom, preocupado, apreensivo. Fui perguntar com o pessoal que nos cerca, e a gente não costuma fugir de desafio. Não foi fácil, juntamos quatro grupos e foram eles que deram sustentação à nossa candidatura.

Durante muito tempo se ouviu: ‘ele entra agora, depois o Marcelo assume’. Eu disse: ‘não. Não é isso’. Não tem ‘Marcelo assume’.

DL: Quais os prós e os contras de ser filho de um ex-presidente?

Modesto: Ser filho de um ex-presidente dá respaldo e nome para a candidatura. Só que dá um peso muito grande. Uma pessoa me falou: ‘você tem que ser tão bom quanto ele’. É complicado, é uma pressão. É o Edinho para o Pelé. É uma pressão. Tem que tentar ser tão bom quanto ele, se possível ser melhor, vou para a luta.

DL: O senhor é a favor do Comitê Gestor nos moldes de hoje? Qual o modelo ideal?

Modesto: O conselho de administração, em uma administração moderna ele existe. Ocorre que quando fizeram o estatuto foram casuístas. Os investidores, os tais investidores, o tal fundo de investimento, isso, aquilo, essa mentira toda que contaram.

Os caras que estavam querendo ganhar dinheiro com o Santos não confiavam nos administradores que lá estavam. No começo, criaram o grupo Guia, ou seja, a coleira para controlar o empregado que eles puseram na presidência. Foi isso. Depois o Comitê de Gestão, foi um comitê para controlar, de novo, o presidente porque eles não confiavam no presidente. Nenhum deles. Então, transvestiram o que era para ser o Conselho de Administração em um Comitê de Gestão que controlasse os passos do presidente. Interesses pessoais se sobrepujaram ao interesse do clube e modificaram o estatuto baseado nessa mentira. Ai tem candidato que diz: ‘não, eu vou acabar com isso’, o outro diz: ‘eu vou respeitar mais ou menos’, o outro: ‘eu vou transformar em um Conselho de Administração’. Tudo balela. Para modificar, tem que modificar o estatuto.

Quem modifica o estatuto é o Conselho Deliberativo e a assembleia geral. Tem que modificar? Tem, sim. Mas enquanto a assembleia geral se sócios não modificar, o estatuto tem que ser cumprido, e nós vamos cumprir o estatuto. Está errado? Está. Tem que mudar.

DL: O Santos vive uma crise financeira muito forte. Como solucionar ou amenizar este problema?

Modesto: Uma crise que nunca viveu, é a maior (da história do clube). Quando nós fomos convidados, nós fomos conversar com pessoas para resolver o problema. Não adianta você esperar assumir a presidência do clube sem ter um projeto para resolver os problemas.

Então, montamos um plano de gestão baseado em cinco eixos. E o primeiro desses eixos é um grupo de renegociação da dívida. Essa dívida do Santos tem que ser renegociada, tem que ser trabalhada. Não adianta contratar uma auditoria para escrever o que eles querem que escreva. O balanço tem que ser auditado seriamente. E tem uma dívida muito grande. O primeiro eixo da nossa gestão é termos um grupo de renegociação da dívida.

Nós vamos ter de jogar muito em Brasília, Cuiabá, Natal. Vamos, sim. Mas com planejamento. Não é avisando uma semana antes. Você tem que programar, marketing é isso, não é só vender patrocínio master, que nem isso venderam, mas não é só isso. Não é só licenciar produto. É criar produto, vender produto, planejar as ações do clube. Estão fazendo as coisas sem planejamento.

Modesto Roma Jr. durante entrevista na redação do Diário do Litoral (Foto: Luiz Torres/DL)

DL: O Santos tem enfrentado dificuldades encontrar um patrocinador forte. Como o senhor pretende agir para conseguir essa receita tão importante?

Modesto: Não é fácil, mas também não é para lotear a camisa. Não é um macacão de fórmula 1. Você tem que valorizar a marca. Qual é o grande problema? O Santos se encantou amadoristicamente, como paixão de torcedor, por um atleta. Ai pôs todo o departamento de marketing voltado para um atleta. Engrandeceram o atleta e apequenaram a marca do clube. Tudo era para o atleta e nada para o clube. Foi isso que aconteceu. Ai tem um trabalho grande de resgate. Você precisa, em primeiro lugar, recuperar a imagem da marca. Eles desgastaram tudo. Nós estamos conversando com uma empresa especializada em marketing esportivo, com vários anos de experiência em marketing esportivo, que já nos acena com um pequeno patrocínio para o início da temporada, para os dois eventos inicias da temporada, mas precisamos fazer um trabalho, junto com o anunciante, inclusive. Nós vamos profissionalizar profissionais, sempre remunerados. Em alguns aspectos serão contratados do clube e em outros aspectos serão terceirizados. Você tem que ter um marketing forte, estruturado, criativo. Nós precisamos de receita.

DL: Qual a melhor forma de utilizar a marca Pelé e aproximar o clube ao ídolo?

Modesto: A marca Pelé e a marca Santos se fundem. Eu acho que o Pelé está sempre próximo, não consigo ver o Pelé longe do Santos. O Pelé pode ser o que ele quiser, pode ser goleiro, centroavante, presidente de honra, entregador de pizza, técnico...o Pelé pode tudo. Só que Pelé é uma marca comercial também, que tem que ser devidamente respeitada e remunerada. Então, assim que houverem possibilidades das duas marcas estarem juntas, sendo remuneradas ambas as marcas por isso, ambas as marcas estarão juntas. Tem que se ter a consciência que o Pelé ídolo está sempre junto ao Santos e a marca Pelé tem que ser respeitada, analisada e negociada em conjunto. Não achar que o Pelé tem obrigação de dar esmola para o Santos. Não tem.

DL: Quais os planos para o futuro da Vila Belmiro e há possibilidade de construção de uma nova Arena?

Modesto: Uma das coisas que eu não penso em modificar é o hino, porque o hino diz que eu sou alvinegro da Vila Belmiro. Quando tem espetáculo a torcida vai, sim. E não adianta dizer que esgotaram os ingressos e só ter 12 mil pessoas no campo. O que aconteceu com os outros oito mil lugares da Vila Belmiro? Alguém precisa me dizer.

Voltando ao assunto, a Vila Belmiro é um estádio com vocação para ser estádio boutique, ideal para transmissão de televisão, tem que ser respeitado esse status da Vila Belmiro. Um estádio histórico, um estádio com tradições, para alguns jogos. O Santos vai jogar na Vila Belmiro porque é a sua casa. Mas, a segunda casa do Santos é em qualquer lugar que a torcida do Santos esteja. É em São Paulo, é no Rio, é em Cuiabá, em Brasília, no Maranhão, no Pará...isso precisa ser planejado pelo marketing, com competência mercadológica.

Sobre a construção de uma Arena, o Santos teve o bonde da história passando e não pegou. Mas os bondes são circulares. Precisamos ter atenção para quando for passar o outro bonde da história. Existem, inclusive, algumas empresas propondo isso para nós. Mas ainda não é nada concreto, nada sólido. Mas não adianta a gente fazer promessa de político de campanha. Dificilmente vamos chegar ao nosso fim de mandato com uma Arena. Podemos até chegar com algum projeto, com algum estudo.

DL: Qual seria a reforma ideal para a Vila Belmiro?

Modesto: Nós temos alguns projetos nesse sentido. Tem um que me agrada muito, foi desenvolvido pelo arquiteto Fernando Carol, que é um projeto para aumentar a Vila para 25 mil lugares. Esse projeto me agrada e acho que não precisa ser um projeto para mais que isso. Até porque o entrono da Vila Belmiro não comportaria mais que isso.

DL: E o Pacaembu?

Modesto: É um ótimo lugar para a gente jogar de vez em quando. Você pensaria em arrendar o viaduto do chá para você passear por lá? Por que que eu preciso arrendar o Pacaembu? Eu sou cliente do Pacaembu, eu vou jogar no Pacaembu todas as vezes que me interessar, até porque a prefeitura só vai ter o Santos para arrendar o Pacaembu. Eu não preciso assumir o ônus de arrendar o Pacaembu. Ás vezes pode ser até melhor em outra Arena em São Paulo do que o Pacaembu. De repente é melhor eu jogar em Presidente Prudente, jogar em Rio Preto, sei lá. Meu estádio eu já tenho, é a Vila Belmiro, quando eu quiser jogar no Pacaembu eu vou jogar no Pacaembu.

DL: O Santos tem uma media de público muito baixa. Como atrair o torcedor?

Modesto: O Santos precisa jogar com a alma da torcida. Em busca do espetáculo, em busca do futebol moleque, isso é jogar com a alma da torcida. Quando você troca um centroavante por um volante na hora que você precisa ganhar o jogo para se classificar para uma final, é jogar sem a alma da torcida. É você sentir ali que a torcida pôs a mão no rosto e disse: ‘e agora?’. Isso é jogar sem a alma da torcida. Jogar com a alma da torcida é ‘vai pra cima deles, Santos. Vai com determinação’. Eles não sabem o que é isso.

DL: Qual a sua política para realizar contratações?

Modesto: Precisa ter atenção ao mercado. Você tem que estar de olho em jogadores que estão despontando em todos os cantos. Quando você faz uma política para contratar através só de empresários, você paga caro por jogadores ‘meia boca’ que você viu através de estatísticas e DVDs. Se você tiver gente olhando todos os clubes, em todos os cantos, você vai ter grandes jogadores. Nós vamos contar com uma equipe de olheiros do Santos FC em todos os cantos do planeta. Nós vamos buscar todas as revelações que surgirem. Agora, trazer ‘medalhão’ pagando preço de ouro, como aconteceu, e você gastar em um único jogador o que você pode gastar no ano inteiro é um despreparo para o futebol. O Santos tem um tamanho que não lhe permite ser barriga de aluguel, não lhe permite ser vitrine.

DL: Como trabalhar a base?

Modesto: A base é uma coisa muito séria. Não só a formação de jogadores, mas a formação de profissionais da base. Treinadores, médicos, fisiologistas, profissionais que ajudam a formar esses jovens que vão ser o futuro do futebol mundial. Você precisa dar uma estrutura educacional para essas crianças, formação moral, porque o clube passa a ser o novo pai e mãe. Senão o garoto passa a ser presa fácil de empresário ou de gente ainda pior. O clube precisa amparar a família desses atletas.
Há uma ideia de um fundo aberto de investimentos, aberto a todos, não um negócio para amigos, para que se possa atender, através desse fundo, todos os atletas. Para que se possa dar uma vida familiar, trazer a família mais para perto do atleta, fazer uma coisa responsável pela educação desses atletas, ter assistência, social, psicológica, médica, dentária...tudo isso é muito importante para a formação do atleta. Temos que caminhar para isso.

É uma ideia ainda, mas seria composto por quem quisesse investir. Os próprios atletas também teriam cotas desse fundo. É um fundo para que se possa desenvolver todos eles. O retorno que tivesse reverteria em bem de todos os cotistas, inclusive os atletas que participarem desse fundo. Mas isso ainda é um estudo inicial, embrionário, que tem que ser muito melhor estudado.

DL: O que o sócio e torcedor pode esperar da chapa ‘Santos Gigante’?

Modesto: Trabalho, seriedade, atenção as coisas do clube, transparência, não ter a loucura de gastar mais do que arrecada, respeito. Se o Santos for jogar no Pacaembu, o sócio vai ter seu direito respeitado. Se for jogar no Maracanã, o sócio terá seus direitos respeitados. A carteira social vale em qualquer lugar onde o mando do jogo for do Santos. Respeito sempre ao associado.

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