Fiscal vai processar ex-marido que a denunciou

Advogado diz que Nelma vai provar que é inocente de todos os crimes que lhe foram imputados

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21 JUL 201323h22

A fiscal da Prefeitura de Guarujá, Nelma Paula Vieira Ramos, acusada por seu ex-marido de comandar um suposto esquema de corrupção envolvendo recebimento de propina, irá ingressar com uma queixa-crime contra o mesmo, o químico Osmar Correia da Costa Júnior. As denúncias de Osmar foram publicadas, com exclusividade, no último dia 15, pelo Diário do Litoral, na matéria 'Fiscal é denunciada por ex-marido'.

“Osmar será acusado de calúnia, com pedido de medida protetiva (visando a segurança física de Nelma), de violência psicológica e moral, baseada na Lei Maria da Penha”, afirma o advogado da fiscal, Glauber Souto. Ele garante que Nelma vai provar que é inocente de todos os crimes que lhe foram imputados: estelionato, falsidade ideológica, concussão, corrupção passiva, impropriedade administrativa e comunicação falsa de crime.

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Glauber diz ainda que também entrará com uma ação de indenização por danos morais, porque Osmar Costa teria usado também a internet para denegrir a imagem de sua cliente. “Esses comentários foram replicados por amigos e centenas de pessoas, causando transtornos à Nelma”, disse o advogado, ratificando o histórico de violência de Osmar, revelado pela fiscal na reportagem do último dia 15.

O advogado revela que se todas as acusações de Osmar, encaminhadas ao Ministério Público (MP), às ouvidorias públicas de Santos e Guarujá, ao 1º Distrito Policial de Santos e ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), forem falsas, o químico ainda será processado por denunciação caluniosa, que poderá lhe render de dois a oito anos de cadeia. “Minha cliente está abalada com a repercussão do caso, mas com relação às acusações em si está tranquila. Vou provar que ela é inocente”, finaliza o advogado.

O químico Osmar Júnior será alvo de queixa-crime (Foto: Luiz Torres/DL)

O caso

O caso da funcionária pública do Setor de Fiscalização de Rendas, Nelma Ramos, está sob sindicância investigatória na Prefeitura de Guarujá para apurar as possíveis irregularidades.

Osmar Júnior denunciou que a ex-esposa chegou a queimar documentos públicos, resultados de fiscalizações, na churrasqueira do imóvel do casal. Depois, segundo ele, fiscais envolvidos com Nelma teriam feito boletins de ocorrência de roubo e furtos de documentos, para justificar os desaparecimentos. Os documentos envolveriam diligências a empresas localizadas, em sua maioria, no lado esquerdo do Porto de Santos.

Ao MP, Osmar Júnior afirma que Nelma teria cometido crime de estelionato contra a Caixa de Pecúlios da Prefeitura de Santos porque, segundo ele, entre 2009 e 2012 ela teria se afastado do cargo de professora e recebido auxílio doença, sob a alegação de síndrome de pânico e depressão, mas mantinha-se empregada como fiscal em Guarujá. Ele também atribui à esposa o crime de falsidade ideológica, por simular a condição de doente.

Sobre sua atuação enquanto fiscal de rendas, Osmar Júnior denuncia ao MP que Nelma teria cometido supostos crimes de concussão (ato de exigir para si ou para outro, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida) e corrupção passiva (quando o agente público pede uma propina ou qualquer outra coisa para fazer ou deixar de fazer algo).

Nelma se diz vítima de agressão e calúnia

Procurada pela reportagem na semana passada, Nelma Ramos disse ser vítima de um homem capaz de tudo para prejudicá-la. A funcionária revelou que já foi ameaçada de morte por Osmar Júnior e nega as acusações do mesmo.

“Sou uma boa mãe e uma mulher de caráter. Jamais comandaria qualquer grupo envolvido em corrupção. Vou provar que sou inocente e processar Osmar que, inclusive já foi preso por ter me agredido. Tenho 31 ameaças dele gravadas no celular que pretendo apresentar à Justiça. Estou sob a proteção da Lei Maria da Penha. Ele é um homem violento e até tocou fogo em minha casa”, denunciou.

A funcionária coloca dúvidas sobre a legitimidade das informações do marido levantando a seguinte questão: “se eu cometia esses delitos, por que só agora ele resolveu denunciar? Então, se sou criminosa como ele diz, ele é cúmplice de tudo. Ou não?”, questionou Nelma, esclarecendo que a Prefeitura de Santos sabe que ela trabalha em Guarujá. “Eu só não posso ser reintegrada como professora”.

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