Movimento Teatral lutará por oficinas Pagu

O produtor cultural Lincoln Spada afirmou que o Governo já cortou 60% da verba destinada às oficinas em todo o Estado

26 NOV 2016 • POR • 08h00
Artistas do Movimento Teatral da Baixada Santista dizem que categoria pressionará por manutenção das oficinas - Matheus Tagé/DL

Independente do previsto a acontecer em 2017 com a Cadeia Velha da Praça dos Andradas, no Centro de Santos, sede das Oficinas Culturais Pagu, os artistas do Movimento Teatral da Baixada Santista têm uma certeza: vai ter luta pela preservação das atividades no local pela classe artística da região.

“Vamos pressionar a Prefeitura contra a municipalização e pela manutenção das oficinas”, disse o jornalista e produtor cultural Lincoln Spada.

Ontem, no Diário, acompanhado dos artistas Cícera Carmo, Marcus Di Bello e Vidah Santos – todos do Movimento – ele disse que o Governo do Estado não pode acabar com as oficinas que, somente no último trimestre deste ano, movimentou cerca de cinco mil pessoas, entre artistas e estudantes de artes em geral. Ele adiantou que o Governo já cortou 60% da verba destinada às oficinas em todo o Estado.

“A previsão era R$ 33 milhões para contratos de gestão e agora serão apenas R$ 12 milhões para 2017. A gestão de uma oficina cultural, como a Pagú, custa R$ 1 milhão por ano, valor bem inferior à gestão de outros equipamentos. O governador elege vários prefeitos do PSDB e o retorno para a região é cortar investimento cultural?”, indaga Spada, não vendo lógica na economia.

O ator Vidah Santos garante que as oficinas não beneficiam apenas os artistas, mas a população em geral. Cícera do Carmo completa o companheiro.

“É injusto. As pessoas ficarão totalmente carentes de arte. Eu iniciei minha carreira de 20 anos na Cadeia Velha, fazendo oficinas gratuitas. Crianças e adolescentes, muitos carentes, perderão oportunidades até de descobrir uma profissão”, lembra.

Di Bello acrescenta que a Oficina Cultural Pagu é um dos poucos investimentos do Estado na área. “Cortar o único investimento que temos é fechar as portas para muitas pessoas. É perder espaço de formação artística gratuita. É péssimo para toda a região”, finaliza.  

Reforma

Conforme publicado ontem no Diário, o Estado investiu R$ 10,6 milhões na reforma do prédio da Cadeia Velha e reinaugurou o espaço em agosto último, após estar fechado por cinco anos.

Esta semana foi anunciado que o contrato de gestão e termo de permissão de uso com à Organização Social de Cultura Poiesis, que administra as oficinas culturais, se encerra em dezembro. Com a saída da OS, o receio da classe artística é que o espaço fique ocioso ou seja cedido para a Administração Municipal.

A Secretaria de Cultura do Estado garantiu que o prédio continuará tendo uso cultural após o término do convênio e que estuda novo modelo de gestão do programa, com participação de parceiros para continuar garantindo o atendimento ao público com atividades de formação cultural.

Já a Prefeitura de Santos afirmou que atualmente não há estudo para assumir a administração do local.