Santos-Guarujá: Ligação seca pode ser feita pela Ecovias

A ideia é que a empresa execute a obra como contrapartida de um aditamento no atual contrato de concessão do Sistema Anchieta-Imigrantes (SAI)

25 JAN 2018 • POR • 11h06
Ecovias diz que está à ­disposição do Governo para executar melhorias - Rodrigo Montaldi/DL

A Ecovias poderá ser a responsável pela construção da histórica ligação seca entre Santos e Guarujá. A informação exclusiva foi obtida pelo Diário do Litoral durante visita do prefeito de Santos, Paulo Alexandre Barbosa (PSDB) à redação. Autor da proposta, o vice-governador do Estado de São Paulo, Márcio França (PSB), confirmou a informação. A ideia é que a empresa execute a obra como contrapartida de um aditamento no atual contrato de concessão do Sistema Anchieta-Imigrantes (SAI). Um caso similar já está em análise no Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE) e, se aprovado, abrirá caminho para a empreitada.

A Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Transporte do Estado de São Paulo (ARTESP) confirmou que “o Governo busca  viabilizar um termo aditivo contratual com a concessionária em conformidade com os aspectos legais e premissas dos órgãos de controle. A Agência vem mantendo diálogo com TCE, respondendo todos os questionamentos do órgão, e espera que brevemente seja possível viabilizar o aditivo”.

A assessoria de imprensa do vice-governador destacou que, se aprovado, esses aditamentos servirão para outras concessões do gênero em todo Estado.

Márcio França defende que a ligação seca entre Santos e Guarujá está no pacote da obra complementar da duplicação da Rodovia dos Imigrantes. “Previam-se algumas obras em decorrência da duplicação, dentre elas a ligação entre as duas cidades. Com base nessa tese, o contrato de concessão da Ecovias poderia ser estendido e a empresa se comprometeria a fazer a obra no prazo de dois anos”, destaca a assessoria.

Em nota, a Ecovias destacou que como administradora do Sistema Anchieta-Imigrantes sempre procurou oferecer soluções de infraestrutura que possam trazer melhores condições aos seus usuários e desenvolvimento ao País. “Dessa maneira, está à disposição do Governo para executar outras melhorias caso lhe sejam atribuídas. Todas as definições, contudo, cabem ao poder concedente”.

Procurado, o Tribunal de Contas do Estado de São Paulo disse que as sessões de Julgamento do Tribunal de Contas serão reiniciadas na segunda quinzena de fevereiro e que, no momento, não há qualquer novidade sobre casos julgados.

Histórico

A discussão sobre uma ligação seca entre as duas cidades já ultrapassa meio século. A questão foi levantada pela primeira vez na década de 1950 pelo então governador Prestes Maia, que já previa a necessidade de conectar Santos e Guarujá. Em 1970, o governador Roberto de Abreu Sodré anunciou a construção de uma ponte, o que não aconteceu.

Em 2010, o governador José Serra, candidato à Presidência da República, inaugurou a maquete de uma ponte estaiada, orçada em cerca de 900 milhões de reais, com 4,8 quilômetros de pistas.

Três anos depois o projeto de Serra foi abandonado pelo seu substituto, Geraldo Alckmin, que descartou a ponte e lançou o edital para a construção de um túnel submerso, orçado em 2,4 bilhões de reais. Em meados de 2016 Alckmin afirmou que o Estado não tinha recursos para ­tocar a obra.