'A luta agora vai ser em Brasília', dizem sindicalistas

Manifestações na Baixada Santista contra reformas do Governo mobilizaram centrais sindicais

1 JUL 2017 • POR • 10h50
Mobilização de sindicalistas na greve geral na Baixada Santista começou bem cedo e foi acompanhada de perto por forte aparato da Polícia Militar - Rodrigo Montaldi/DL

“A nossa luta agora vai ser em Brasília”, esse foi o coro uníssono ontem no discurso sindicalistas, logo após a greve geral contra as reformas trabalhista e previdenciária que, apesar de não ter causado o mesmo impacto da greve do dia 28 de abril, serviu para que as centrais sindicais dessem seus recados ao Governo Federal e ao Congresso Nacional.

As mobilizações fecharam a entrada de Santos, com uma barreira humana no final da Via Anchieta e também na divisa entre Santos e São Vicente, na Orla. As manifestações também ocorreram na RPBC e no Terminal da Alemoa, devido a greve dos petroleiros e no Porto de Santos, onde a paralisação foi em terminais privativos, deflagrada por estivadores e portuários avulsos do Sintraport, que estão em campanha salarial.

As manifestações foram encerradas opor volta do meio-dia, com ato público na Praça Mauá, no Centro de Santos, onde manifestantes portando faixas e cartazes criticaram as reformas trabalhista e previdenciária pretendidas pelo Governo Federal e  pediram a saída do presidente Michel Temer com a já tradicional frase “Fora Temer”.

“A partir da próxima semana as centrais sindicais vão se mobilizar em Brasília, mais precisamente no Senado, para que senadores rejeitem o texto da reforma trabalhista, cuja votação deve ocorrer entre os dias 5 a 12”, disse Ademir Irussa, secretário-geral do Sintrasaúde, entidade filiada à Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST).

Manter a mobilização

Já Herbert Passos Filho, presidente dos Químicos e vice-presidente da Força Sindical, central que possui a maior representatividade na Baixada Santista com 45 sindicatos filiados, foi claro ao dizer da importância de  manter a mobilização em Brasília. “Esse papel será feito pelas centrais sindicais em nível nacional e caberá a nós, de forma regional, pressionar os parlamentares, convencendo-os a votarem contra essas reformas que são nocivas contra trabalhadores, aposentados e a sociedade como um todo”.

Ricardo Saraiva, Big, diretor do Sindicato dos Bancários e Secretário da Intersindical, justificou a não paralisação do transporte público.
“Apesar da greve não ter o apoio dos trabalhadores ligados ao transporte, porque foram alvo de pesadas multas aplicadas pela justiça contra seus sindicatos, a Greve atingiu seu objetivo de paralisar o tráfego de mercadorias. A entrada da cidade e o trânsito na avenida da praia foram interrompidos até às 7h30, quando em passeata os manifestantes foram até a Pça. Mauá, no centro de Santos. Sempre escoltados pela PM que ameaçava com bombas e balas de borracha. A coordenação do movimento utilizou de habilidade para que os manifestantes não fossem alvo da repressão”.