Nacional
A trajetória dessa embarcação parece ter saído de um livro de aventuras, unindo a geopolítica do século 19 a um destino final inesperado nas profundezas do rio
Encomendado por Dom Pedro II em 1860, o Tamandathay não era uma embarcação comum (imagem ilustrativa) / Rubens de Camargo Vianna Filho/Wikimedia
Continua depois da publicidade
Esqueça a imagem do Rio Tietê poluído e cinzento da capital. No extremo oeste paulista, o cenário é de águas cristalinas, cruzeiros de lazer e um segredo histórico submerso: os restos mortais do Tamandathay, um imponente navio a vapor da frota imperial brasileira.
A trajetória dessa embarcação parece ter saído de um livro de aventuras, unindo a geopolítica do século 19 a um destino final inesperado nas profundezas do rio.
Continua depois da publicidade
Encomendado por Dom Pedro II em 1860, o Tamandathay não era uma embarcação comum. Ele foi projetado para ser um braço armado do Império, patrulhando fronteiras estratégicas.
Sua prova de fogo veio na Guerra do Paraguai, onde resistiu aos combates mais violentos do continente para garantir a soberania do território brasileiro.
Continua depois da publicidade
Após o fim do conflito, o veterano de guerra ganhou uma "aposentadoria" ativa, servindo como transporte de elite para tropas e autoridades que desbravavam os sertões paulistas e mato-grossenses.
O que os exércitos inimigos não conseguiram fazer, uma rocha submersa fez em minutos. Em abril de 1883, durante uma navegação de rotina partindo de Itapura, o gigante de ferro teve seu casco rasgado por um obstáculo oculto no leito do rio.
O naufrágio foi rápido, mas sem vítimas:
Continua depois da publicidade
O impacto: A água invadiu o casco e apagou instantaneamente as caldeiras a vapor.
A deriva: Sem propulsão, o navio ficou à mercê da correnteza.
O desfecho: Um cabo de aço tentou segurá-lo, mas arrebentou, selando o destino do Tamandathay no fundo do Tietê.
Continua depois da publicidade
Dica do editor: Milhares de camarões aparecem mortos no Rio Tietê no interior de SP e acendem alerta ambiental.
Hoje, o navio funciona como um museu submerso e um santuário para a vida marinha local. Localizado a cerca de 670 km da capital, próximo à divisa com o Mato Grosso do Sul, o local tornou-se um ponto de peregrinação para mergulhadores.
A estrutura repousa a 20 metros de profundidade, onde o silêncio das águas guarda a memória de um Brasil imperial que muitos paulistas sequer imaginam que existiu sob seus pés.
Continua depois da publicidade