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'santuário gigante': Brasil agora abriga um dos maiores parques marinhos da América Latina

Entenda como a criação do maior parque marinho do país impacta a pesca e o ecoturismo na América Latina

Nathalia Alves

Publicado em 02/04/2026 às 12:45

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Unidade de conservação protege corredor migratório vital entre a Antártida e o Atlântico Sul / Reprodução/Foto: Leandro Cagiano.

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Uma nova unidade de conservação no extremo sul do país promete transformar o cenário ambiental e turístico da região. O Parque Nacional Marinho do Albardão, recém-criado em Santa Vitória do Palmar (RS), já nasce como o maior parque marinho do Brasil, com mais de 1 milhão de hectares de área protegida.

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A criação foi oficializada por decreto federal publicado em março de 2026 e tem como principal objetivo preservar a biodiversidade marinha e contribuir para a recuperação dos estoques pesqueiros no Atlântico Sul.

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Localizado próximo à fronteira com o Uruguai, o parque se estende por cerca de 100 quilômetros mar adentro e protege uma área considerada estratégica para reprodução, alimentação e crescimento de diversas espécies. Seu tamanho se assemelha com um famoso parque de São Paulo.

Decreto de 2026 oficializa reserva de 1 milhão de hectares na fronteira com o UruguaiDecreto de 2026 oficializa reserva de 1 milhão de hectares na fronteira com o Uruguai/Foto: Leandro Cagiano

APA do Albardão soma mais de 55 mil hectares

Além do parque nacional, onde não é permitida a exploração de recursos naturais, também foi criada a Área de Proteção Ambiental (APA) do Albardão, com cerca de 55 mil hectares. Nesse modelo, o parque tem regras mais rígidas, enquanto a APA permite atividades econômicas de forma sustentável, como a pesca artesanal.

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Há ainda uma zona de amortecimento, que funciona como uma área de transição, onde atividades seguem autorizadas, mas com controle para evitar impactos ambientais, criando uma aproximidade com a natureza. Somadas, as áreas protegidas chegam a aproximadamente 1,6 milhão de hectares.

Berçário natural e abrigo de espécies ameaçadas

O Albardão é reconhecido há décadas por pesquisadores como uma área-chave para a biodiversidade. O local funciona como berçário natural de peixes e abriga espécies ameaçadas, como a toninha (Pontoporia blainvillei), considerada o golfinho mais ameaçado do Atlântico Sul Ocidental.

Também vivem na região tartarugas marinhas, tubarões, raias, aves migratórias e mamíferos como lobos e leões-marinhos. O litoral serve ainda como rota de passagem para baleias e outros cetáceos.

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Com mais de 1 milhão de hectares, o Parque do Albardão nasce como um dos maiores santuários da América LatinaCom mais de 1 milhão de hectares, o Parque do Albardão nasce como um dos maiores santuários da América Latina/ Foto: Leandro Cagiano

Pesca fica restrita; turismo e pesquisa são incentivados

A pesca está proibida dentro do parque nacional, que atuará como área de reprodução e recuperação de espécies. Já na APA e na zona de amortecimento, a pesca artesanal continua permitida, seguindo normas ambientais.

A expectativa é que o chamado “efeito transbordamento”, quando espécies se reproduzem em áreas protegidas e migram para regiões vizinhas, beneficie diretamente os pescadores locais ao longo do tempo. Atividades industriais de pesca seguem permitidas fora dos limites do parque, desde que respeitem a legislação vigente.

O turismo sustentável está previsto como uma das atividades na região, com práticas como observação de fauna, trilhas e esportes de aventura. A área integra a Rede Brasileira de Trilhas de Longo Curso e já atrai praticantes de trekking e cicloturismo, especialmente no trecho Cassino–Barra do Chuí.

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A pesquisa científica também será incentivada, contribuindo para ampliar o conhecimento sobre os ecossistemas marinhos e orientar políticas de conservação.

Gestão e participação comunitária

A gestão do parque e da APA ficará sob responsabilidade do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) , vinculado ao Ministério do Meio Ambiente.

Um conselho consultivo deverá ser criado para garantir a participação de moradores, pesquisadores e setores econômicos na definição das regras, que serão detalhadas no plano de manejo, documento que ainda será elaborado.

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Impactos e expectativas

A criação do parque atende a uma demanda antiga de ambientalistas e cientistas, mas também gera debate, especialmente entre trabalhadores da pesca, que temem impactos na renda.

Por outro lado, especialistas defendem que a medida é essencial para evitar a degradação ambiental e garantir a sustentabilidade dos recursos naturais no longo prazo.

Além da proteção ambiental, a expectativa é que a nova unidade impulsione o turismo, fortaleça a economia local e gere novas oportunidades de renda ligadas à conservação. Com o Albardão, o Brasil passa a contar com quatro parques nacionais marinhos.

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Conheça um dos elementos de maior repercussão do Albardão, o famoso Farol: 

 

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