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Por que o Brasil está no 'ponto cego' do vírus Nipah e por que isso é uma boa notícia

Recentemente, a confirmação de uma morte em Bangladesh e casos registrados na Índia colocaram o vírus Nipah novamente nas manchetes internacionais

Ana Clara Durazzo

Publicado em 11/02/2026 às 07:50

Atualizado em 11/02/2026 às 09:07

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Em nota oficial, o Ministério da Saúde afirmou que mantém monitoramento contínuo em parceria com a Fiocruz, o Instituto Evandro Chagas e a Organização Mundial da Saúde / Imagem Gerada por IA/ Google Gemini

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Recentemente, a confirmação de uma morte em Bangladesh e casos registrados na Índia colocaram o vírus Nipah novamente nas manchetes internacionais. A paciente, uma mulher entre 40 e 50 anos, faleceu apenas um dia após ser internada com sintomas graves de confusão mental e convulsões.

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O caso reacendeu o debate sobre o potencial pandêmico de novas doenças, mas especialistas e o Ministério da Saúde garantem que o cenário brasileiro é de segurança.

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O fator 'Morcego': A barreira geográfica

A principal razão para o otimismo das autoridades brasileiras reside na biologia. O vírus Nipah é uma zoonose cujo reservatório natural são os morcegos do gênero Pteropus, conhecidos como 'raposas-voadoras'.

Diferença crucial: Esses morcegos frutíferos habitam exclusivamente regiões da Ásia, África e Oceania. Como não existem no Brasil, a principal forma de infecção o consumo de alimentos (como seiva de tâmara) contaminados por saliva ou fezes desses animais é praticamente nula em território nacional.

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Transmissão: Nipah vs. COVID-19

Muitos temem que o Nipah possa se tornar 'a próxima COVID-19', mas o infectologista Renato Kfouri explica que as características de contágio são opostas. Enquanto o coronavírus se espalha facilmente pelo ar como uma gripe, a transmissão humana do Nipah é rara e exige contato muito próximo com secreções de pessoas infectadas.

Os surtos de Nipah tendem a ser autolimitados. Isso significa que, devido à sua gravidade e baixa taxa de contágio interpessoal, o vírus acaba sendo contido rapidamente através de protocolos de isolamento, sem fôlego para uma disseminação global em massa.

Sintomas e Gravidade

O vírus é extremamente agressivo para quem o contrai. O quadro clínico geralmente evolui em etapas:

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  • Fase Inicial: Febre e dores de cabeça intensas.

  • Fase Crítica: Evolução para encefalite (inflamação do cérebro), causando confusão mental, desorientação e convulsões.

  • Sintomas Atípicos: Em casos recentes, observou-se também a hipersalivação.

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Vigilância no Brasil

Em nota oficial, o Ministério da Saúde afirmou que mantém monitoramento contínuo em parceria com a Fiocruz, o Instituto Evandro Chagas e a Organização Mundial da Saúde (OMS). 'Diante do cenário atual, não há qualquer indicação de risco para a população brasileira', destacou a pasta.

Embora o Nipah não seja uma ameaça iminente, especialistas alertam que o Brasil deve manter a guarda alta para outros vírus com maior potencial de mutação e disseminação aérea, como a gripe aviária e novas variantes do Influenza, que historicamente possuem maior facilidade de atravessar fronteiras.

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