Política
Entre a mobilidade urbana e a eficiência logística, gestão de Tomé Franca será medida pela capacidade de tirar o Túnel do papel em 2026
Troca de ministros: Silvio Costa Filho sai da cadeira e dá lugar ao colega Tomé Franca / Divulgação/GovBR
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A posse de Tomé Franca no Ministério de Portos e Aeroportos marca uma transição sem ruptura, mas com alto grau de exigência política e técnica.
O Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) passou a ter novo comando com a chegada do ex-secretário-executivo, que assumiu a titularidade da pasta com a missão de dar continuidade ao cronograma de investimentos em infraestrutura e consolidar o Brasil como um hub logístico de referência na América Latina. Franca substitui Silvio Costa Filho, que deixou o cargo para cumprir a legislação eleitoral.
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A escolha reforça um movimento de continuidade dentro do governo federal. Franca participou diretamente da formulação das principais políticas do setor nos últimos anos e acompanhou de perto programas estratégicos como o AmpliAR, Investe+ Aeroportos, Navegue Simples, além do Plano de Desenvolvimento Sustentável e da carta de concessões da pasta.
Com perfil técnico e profundo conhecimento da máquina pública, ele assume com a responsabilidade de garantir previsibilidade regulatória, ampliar investimentos e acelerar entregas em um dos setores mais sensíveis da economia.
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A diretriz da nova gestão já foi explicitada pelo próprio ministro. “Temos a missão de manter o ritmo de trabalho e a agenda de entregas elaborada pelo ministro Silvio Costa Filho e pelo presidente Lula, deixando claro ao mercado de que a previsibilidade e o diálogo serão mantidos, e à população de que as demandas do Brasil são nossas prioridades”, afirmou Tomé Franca.
A nomeação foi bem recebida por entidades como a Associação de Terminais Portuários Privados, que destacaram a importância da continuidade administrativa em um ambiente dependente de segurança jurídica e contratos de longo prazo.
Ainda assim, o cenário impõe pressão imediata por execução. O planejamento estratégico da pasta para 2026 prevê a realização de entregas concretas e a aceleração de investimentos nos setores aéreo, portuário e de navegação.
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O Porto de Santos é o maior complexo portuário da América Latina (DL)Até o fim do ano, o ministério projeta a expansão aeroviária com a conclusão dos leilões de 21 terminais aéreos e o fortalecimento da aviação regional. No setor portuário, a meta é realizar 15 leilões de terminais, ampliando a participação privada e modernizando a movimentação de cargas em complexos estratégicos.
No modal aquaviário, a agenda inclui obras de dragagem, derrocamento e recuperação de terminais fluviais, além da condução de concessões inéditas, como hidrovias no Paraguai, Madeira e Tocantins. A estratégia é integrar o escoamento da produção nacional de forma mais eficiente e sustentável.
O próprio ministro enfatiza essa diretriz. “O Brasil continuará avançando na integração modal, e nosso foco é fazer com que os diferentes meios de transporte conversem entre si. Isso passa por mais investimentos públicos e privados em infraestrutura e tecnologia. O desenvolvimento da multimodalidade se reflete em mais eficiência, diminuição de custos e maior força para a economia brasileira no cenário global”, declarou.
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É nesse contexto que a Baixada Santista se consolida como o principal eixo da agenda de Tomé Franca. A região abriga o Porto de Santos, maior complexo portuário da América Latina e peça-chave na balança comercial brasileira, que opera sob pressão diante do aumento das exportações e da limitação de capacidade.
A necessidade de expansão, modernização e aumento de eficiência deixou de ser uma pauta estratégica para se tornar uma urgência operacional. O avanço de novos terminais e a melhoria dos acessos logísticos são determinantes para evitar gargalos e reduzir custos.
Antes mesmo de novas obras saírem do papel, o novo ministro terá de enfrentar uma decisão considerada crucial: o avanço do Tecon Santos 10. O projeto prevê a implantação de um megaterminal de contêineres na margem direita do complexo santista, com potencial de ampliar significativamente a capacidade de movimentação.
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Com investimento estimado em R$ 6,4 bilhões, o empreendimento pode se tornar o maior arrendamento portuário da história do país e aumentar em até 50% a capacidade de contêineres do porto. Ainda assim, o projeto enfrenta disputas regulatórias e divergências entre operadores, o que exige uma modelagem equilibrada.
Em tempo: o leilão do megaterminal está na lista, elaborada pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) a pedido da Advocacia-Geral da União (AGU), de 12 ativos com alta probabilidade de judicialização.
Anderson Pomini, presidente da APS, já articula visita do novo ministro Tomé Franca (Renan Lousada/DL)A condução dessas agendas ocorre sob a gestão da Autoridade Portuária de Santos, presidida por Anderson Pomini, que afirmou que pretende permanecer no cargo até o fim do mandato, em dezembro deste ano.
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“Em relação à nossa permanência na Autoridade Portuária, temos um mandato, que se encerra em dezembro, e eu pretendo cumpri-lo. Até dezembro, salvo algo extraordinário, estarei por aqui. Começamos nossa gestão com grandes projetos de interesse do porto, e agora o porto tem um norte. Esses sete meses restantes permitirão com que essa diretoria possa dar continuidade e possa avançar ainda mais, para que tudo isso seja entregue a uma próxima gestão para que acelere o mais rápido possível essas obras esperadas há muito tempo”, afirmou.
Indicado em 2023 pelo então ministro Márcio França e mantido no cargo na gestão seguinte, Pomini reforçou a importância da continuidade administrativa. Ele também destacou a relação com o novo ministro e revelou que a primeira visita oficial de Tomé Franca ao setor portuário deve ocorrer justamente em Santos.
“Tomé é um grande profissional, certamente será um grande ministro e vai dar continuidade ao brilhante trabalho que vinha sendo conduzido pelo ministro Silvio Costa. O Ministro Tomé já me garantiu que fará a primeira visita no setor portuário pelo Porto de Santos. Por exemplo, o ministro Silvio esteve aqui 11 vezes em dois anos. Já conversamos sobre projetos conhecidos de infraestrutura do porto e estamos felizes que o Tomé possa dar continuidade a esses projetos”, disse.
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Pomini também reiterou a importância do Tecon Santos 10 dentro da nova gestão. “O Tecon Santos 10, que é aguardado por décadas, é um projeto que tem que sair do papel ainda esse ano, e certamente é uma meta do ministro Tomé”, afirmou.
Túnel Santos-Guarujá se tornou uma das principais promessa do governador Tarcísio de Freitas (Reprodução)Entre as grandes obras, o túnel imerso entre Santos e Guarujá se destaca como a principal intervenção de infraestrutura em andamento e uma das prioridades diretas do novo ministro. Considerado a maior obra de transportes do Novo PAC, o projeto ultrapassa R$ 6,8 bilhões em investimentos e deve transformar a mobilidade e a logística da região.
Tomé Franca já sinalizou o peso estratégico do empreendimento dentro da sua gestão, ao incluir o acompanhamento do início das obras como uma das metas prioritárias da pasta em 2026. A avaliação do ministério é de que o túnel não apenas resolve um gargalo histórico de mobilidade, mas também amplia a eficiência do Porto de Santos e fortalece a integração entre modais logísticos.
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No início de março, o projeto deu um primeiro passo para além das burocracias e promessas. A construção do Túnel Santos-Guarujá foi iniciada com sondagens no fundo do estuário.
O Aeroporto Civil Metropolitano de Guarujá completa esse cenário ao reforçar a integração entre modais. Com avanços já registrados, como a nova pista e obras do terminal, o equipamento deve ampliar a conectividade regional e apoiar tanto o turismo quanto a logística de negócios.
No entanto, alguns entraves estão adiando o início dos voos comerciais, que devem começar apenas em 2027. Embora as obras do terminal avancem, etapas técnicas obrigatórias ainda precisam ser concluídas antes da autorização para operação do equipamento.
A gestão de Tomé Franca será definida pela capacidade de transformar planejamento em execução. “Nossa prioridade é acelerar as entregas que transformam a vida dos brasileiros. Vivemos um momento positivo, batendo recordes no número de passageiros voando e de movimentação de cargas. Isso significa que precisamos de portos mais ágeis para nossas exportações, aeroportos regionais que conectem o Brasil ao mundo e a consolidação definitiva das nossas hidrovias”, concluiu o ministro.
A Baixada Santista, nesse contexto, assume papel central como termômetro da política logística nacional. O avanço — ou não — desses projetos indicará se o país conseguirá superar gargalos históricos e dar um salto de competitividade no cenário global.