Tebet diz que Orçamento irá com déficit zero, mas que ‘o futuro a Deus pertence’

A declaração foi feita durante coletiva de imprensa no Palácio do Planalto, após cerimônia de assinatura do projeto de lei do PPA (Plano Plurianual) 2024-2027, com presença do presidente Lula (PT)

Ela citou como exemplo histórico a pandemia da Covid-19

Ela citou como exemplo histórico a pandemia da Covid-19 | Vinicius Loures / Câmara dos Deputados

Como mostrou a Folha de S.Paulo, membros do Executivo e parlamentares defendem a flexibilização do objetivo da política fiscal, para um resultado negativo próximo a 0,5% do PIB (Produto Interno Bruto), para afastar o risco de contingenciamento de despesas no ano que vem.

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Questionada sobre o tema, Tebet disse que não há rediscussão da meta fiscal “neste momento”, mas mencionou fatores que podem acabar impactando os planos de arrecadação e gastos do governo.

Ela citou como exemplo histórico a pandemia da Covid-19, que em 2020 obrigou o governo federal a abrir os cofres, comprometendo quaisquer previsões fiscais elaboradas para aquele ano.

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“Nós não sabemos como vai estar o enfraquecimento, a desaceleração do crescimento global ou não [em 2024]. Então, claro que variáveis são sempre colocadas na mesa, mas não estamos rediscutindo meta fiscal neste momento”, afirmou.

A declaração foi feita durante coletiva de imprensa no Palácio do Planalto, após cerimônia de assinatura do projeto de lei do PPA (Plano Plurianual) 2024-2027, com presença do presidente Lula (PT).

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“Foi uma decisão unânime da junta [orçamentária] nessa reunião, que nós iríamos mandar o Orçamento amanhã [quinta-feira, 31] com meta fiscal zero. Não estamos encaminhando nenhuma mensagem modificativa da LDO [Lei de Diretrizes Orçamentárias]”, acrescentou a ministra.

Como mostrou a Folha de S.Paulo, Tebet aproveitou uma reunião recente com a presença dos ministros Fernando Haddad (Fazenda), Rui Costa (Casa Civil) e Esther Dweck (Gestão) para enfatizar os obstáculos de se conseguir a aprovação de tantas medidas para ampliar a arrecadação, como prevê o Ministério da Fazenda.

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Os ministros fazem parte da JEO (Junta de Execução Orçamentária).

Na ocasião, a ministra do Planejamento argumentou que uma meta de déficit de 0,5% do PIB (Produto Interno Bruto) seria mais crível. Com a margem de tolerância de 0,25 ponto percentual criada pelo novo arcabouço, o governo poderia registrar um resultado negativo de até 0,75% do PIB.

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Segundo os relatos, no entanto, Haddad se manteve irredutível. Além disso, ele ponderou que o Orçamento só é votado em dezembro, dando tempo para administrar eventual alteração, caso ela seja de fato necessária. Tebet, que evita se opor publicamente a Haddad, optou então por ficar ao lado do ministro.

Ainda assim, uma ala do governo dá um prazo de até fim do ano para a equipe econômica conseguir aprovar no Congresso o cardápio de medidas para elevar a arrecadação e, assim, manter a meta de zerar o déficit nas contas públicas já em 2024.

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Se as medidas não forem aprovadas, ou se as propostas forem muito desidratadas pelo Congresso, integrantes do Palácio do Planalto veem como inevitável rediscutir o objetivo traçado para a política fiscal.

O tema também está no radar de congressistas aliados do governo. A presidente do PT, deputada Gleisi Hoffmann (PR), defende a mudança.
“Eu sou a favor [de alterar a meta fiscal], até em razão de possível frustração de receita, inclusive por posições do próprio Congresso”, disse. “O Congresso pode fazer isso [mudar até o fim do ano].”