O Supremo Tribunal Federal (STF) vai analisar o listão da Odebrecht, com os nomes de 200 políticos, de 18 partidos, que receberam pagamentos da empreiteira nas campanhas municipais de 2012 e para a eleição de 2014. Entre eles estão o atual prefeito de Santos, Paulo Alexandre Barbosa (PSDB); a prefeita de Cubatão, Márcia Rosa (PT), o ex-candidato à Prefeitura de Santos, Sérgio Aquino (PMDB) e o deputado federal Beto Mansur (PP).
O juiz federal Sérgio Moro, responsável pelos processos da Lava Jato na primeira instância, decidiu enviar ao STF as investigações da 23ª e 26ª fases da Operação Lava Jato, batizadas de Acarajé e Xepa. O despacho com a decisão foi assinado por Moro na manhã de ontem. O listão chegou a ser divulgado pela imprensa, mas foi colocado em sigilo pelo juiz.
No listão da Odebrecht, além dos políticos regionais, encontram-se pagamentos a líderes emergentes do impeachment, como Aécio Neves, José Serra, Paulinho da Força, Roberto Freire, Antonio Imbassahy, Agripino Maia, Cássio Cunha Lima, Lindbergh Farias e até o ex-governador pernambucano Eduardo Campos (PSB), que morreu em agosto de 2014, em Santos. Muitos dos políticos estão na lista por apelidos.
Os documentos foram apreendidos nas buscas realizadas em um endereço do executivo da empreiteira. Os investigadores apuram se os repasses se tratam de uma contabilidade paralela da empresa, que foi alvo da 26ª fase da Operação Lava Jato, deflagrada na última terça-feira, dia 22.
O que disseram os quatro políticos que estão no listão
Em contato, os quatro da região se defenderam. Mansur explica que recebeu R$ 399.986,50 (valor descontado de R$ 13,50 referentes à transferência eletrônica bancária) e que sua carreira foi sempre pautada dentro da legalidade, sendo as contas conferidas pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE).
Paulo Alexandre não teria recebido doações da Odebrecht. A campanha contabilizou repasses financeiros de diretórios estadual e nacional do PSDB, devidamente declarados na prestação de contas feita ao TRE.
Em nota, a coordenação da campanha de reeleição de Marcia Rosa afirma que não recebeu doações da citada empresa e que toda a prestação das contas do pleito de 2012 foi devidamente enviada à Justiça Eleitoral e posteriormente aprovada, podendo ser acessada no site do Tribunal.
Sérgio Aquino afirma que os R$ 800 mil não chegaram às suas mãos e nem por sua equipe de campanha.
Segundo afirma, parte dos recursos da campanha, num total de R$ 934.978, foram transferências dos Diretórios Nacional, Estadual e Municipal do partido. Portanto, se a Odebrecht efetuou alguma doação ao partido e depois este repassou à sua campanha, tais valores foram declarados.
