Política

Sucateamento das delegacias é retrato do abandono da segurança', afirma Raquel Kobashi

Pré-candidata a deputada estadual garante que o Governo é praticamente conivente com o estado de precariedade da polícia paulista

Carlos Ratton

Publicado em 10/06/2022 às 07:00

Atualizado em 10/06/2022 às 08:04

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Raquel Kobashi: 'Não considero policiais corruptos policiais de verdade, são bandidos com distintivo' / Nair Bueno/DL

Em entrevista exclusiva ao Diário, na última terça, a delegada Raquel Kobashi, licenciada da presidência do Sindicato dos Delegados de Polícia Civil do Estado de São Paulo, garante que o Governo do Estado é praticamente conivente com o estado de precariedade que se encontra a polícia paulista e incompetente para resolver o déficit de cerca de 15 mil profissionais. A sindicalista licenciada também falou sobre sucateamento de delegacias, falta de infraestrutura operacional, de condições de trabalho e defasagem salarial.

Pré-candidata a deputada estadual pelo Partido Liberal (PL), Raquel afirma que o déficit de policiais só aumenta desde que assumiu o sindicato em 2017. "Isso ocorre por conta da incompetência, descaso com a segurança pública e irresponsabilidade do Governo, porque sabe que a estrutura está deficitária e nada faz para sanar o problema. O pior é que existe morosidade na abertura e concurso público e nomeação dos que foram aprovados em certames anteriores", afirma.

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REFÉM.

A delegada garante que a população paulista virou refém do crime e que o sucateamento das delegacias é um "retrato fidedigno do abandono da segurança". Segundo revela, "quando uma delegacia é povoada por ratos e baratas, quando é insalubre a policiais e pessoas que a frequentam, percebe-se que o descaso já ultrapassou qualquer limite. A Polícia Civil é a porta de entrada do sistema de justiça criminal. A pessoa que se dirige a uma delegacia é revitimizada pela falta estrutura", completa.

Raquel Kobashi alerta que há outros agravantes, como viaturas sem manutenção, armamentos de péssima qualidade, 40% dos policiais sem colete balístico e munição escassa, que somados dificultam a ação da polícia.

REMUNERAÇÃO.

Além de tudo isso, a delegada informa que os policiais civis paulistas são os mais mal remunerados do País e que o último aumento de 20% é fictício, atingindo apenas os delegados de terceira classe (início de carreira), porque esbarra no redutor salarial que é o teto do salário do governador. "Um servidor público do Estado de São Paulo não ganha mais do que R$ 14 mil. O aumento atingiu no máximo 30% dos delegados paulistas".

A delegada acredita que os critérios para posse e porte são rigorosos. Também não acredita que liberar armas seria a terceirização da segurança pública e defende o fim das câmeras na farda dos policiais. "Antes de instalar câmeras, deveria estruturar a polícia", afirma.

CORRUPÇÃO.

Sobre a corrupção policial, ressalta que não atinge somente a polícia. "Não considero policiais corruptos policiais de verdade, são bandidos com distintivo e devem ser extirpados e punidos", afirma, alegando que milícias (por inúmeras vezes elogiadas pelo presidente Jair Bolsonaro) não é uma realidade paulista.

Raquel ressalta que o índice de suicídio de policiais é altíssimo. Enquanto a média é de seis para cada 100 mil habitantes, em relação aos policiais, são 30 para cada 100 mil. "Os fatores são excesso de cobrança por resultados, ausência de proteção e prerrogativas, falta de infraestrutura, inversão de valores e o diário risco de vida. Muitos colegas se mataram na pandemia".

SINDICATO.

À frente do Sindicato, Raquel disse que a categoria obteve alguns avanços e que a entidade moveu processos contra o Estado, como a obrigatoriedade da compra e equipamentos de proteção individual (EPIs), a aplicação de vacinas contra a Covid e contra a Operação Sufoco, que sobrecarregou os policiais civis. "Estamos otimistas que a Justiça nos dará causa ganha na questão do déficit de policiais, obrigando o governo a zerá-lo".

Caso participe do pleito eleitoral, suas bandeiras serão segurança pública e defesa da mulher. "Os direitos têm que ser iguais. Se hoje, num concurso público da Polícia Civil, figuram somente 14% de delegadas, é porque ainda vivemos numa sociedade patriarcal, ainda machista. Homens e mulheres têm que ser escolhidos por suas aptidões e não por gênero", finaliza.

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