Servidores são 5% da população, diz Dyogo, em audiência sobre reforma

O ministro do Planejamento ainda disse que está claro que 'tem déficit para todo o lado', seja na Previdência, seja na Seguridade Social

O ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, afirmou nesta terça-feira, 12, que entende a preocupação dos parlamentares em votar a reforma da Previdência às vésperas da eleição de 2018, mas ressaltou que os servidores (base eleitoral de alguns deputados) representam apenas 5% da população. Em audiência pública da Comissão Mista de Orçamento (CMO), parlamentares entre eles o senador Hélio José (Pros-DF) reclamaram da “demonização” dos servidores na campanha do governo pelo “combate a privilégios” e pela aprovação da reforma

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“A mensagem para parlamentares que estão preocupados, evidente que todos estão preocupados com eleição, eu não porque não sou político. Mas os servidores representam 5% da população. Tem 95% da população que não é servidor”, afirmou Dyogo Oliveira.

O ministro ainda disse que está claro que “tem déficit para todo o lado”, seja na Previdência, seja na Seguridade Social. Segundo ele, o sistema tem graves distorções, e quem é contra a reforma “só pode ter um interesse, que é mantê-las”.

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Lembrou que, na região Nordeste, 85% da população já se aposenta pelas idades mínimas atuais, de 60 anos para mulheres e 65 anos para homens. Outros 15% se aposentam por tempo de contribuição. “Quem são esses 15%? São servidores, empregados de estatais, se aposentam com pouca idade, tiram de quem ganha menos”, afirmou.

“O brasileiro trabalha quatro meses para pagar imposto, é verdade, mas 60% disso é para Previdência”, emendou o ministro. Para ele, o déficit na Previdência é “fragoroso”.

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Dyogo Oliveira explicou que o governo está extinguindo a Desvinculação de Receitas da União (DRU) sobre receitas da Seguridade Social justamente porque a arrecadação desvinculada precisava ser compensada novamente pelo Tesouro Nacional. “Não faz sentido DRU na Seguridade Social”, afirmou.

A incidência de DRU foi usada por pessoas contrárias à reforma da Previdência como justificativa para a tese de que não há déficit na Previdência. O governo espera ter um ganho de comunicação com os parlamentares ao assentir com a extinção da DRU sobre a Seguridade Social.

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Corrupção

O ministro do Planejamento afirmou que o governo está combatendo “diuturnamente” a corrupção e a sonegação de tributos, em resposta a parlamentares que exigem uma postura mais dura do governo para cobrar devedores da Previdência.

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“O governo está combatendo diuturnamente corrupção e sonegação, mas temos um sistema administrativo (para questionar autuações), em leis aprovadas por este Congresso Nacional. Isso pode ser revisto? Até acho que devemos”, afirmou Dyogo Oliveira.

O ministro ponderou, no entanto, que esse sistema não pode servir de desculpa para que os parlamentares evitem confrontar a realidade. “É direito do contribuinte questionar autos de infração”, afirmou.

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Oliveira afirmou ainda “achar” que os parlamentares querem governar em um País com as contas arrumadas.

Herança negativa

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Em campanha pela aprovação da reforma da Previdência, o secretário de Previdência do Ministério da Fazenda, Marcelo Caetano, afirmou nesta terça-feira que dois fenômenos demográficos trazem uma herança futura negativa sobre a fatura de benefícios: a queda no número de filhos por casal e o avanço da expectativa de vida dos brasileiros. Ele voltou a dizer que o processo de envelhecimento da população no País é acelerado e, rebatendo categorias que dizem que não há rombo, defendeu os dados oficiais. “O déficit não só existe de longa data como é crescente”, disse ele, que também participa de audiência pública na CMO.

Segundo Caetano, mesmo que o déficit na Previdência não existisse, a perspectiva de evolução demográfica mostra que há uma “questão bem séria” a ser enfrentada. O primeiro fenômeno é a queda acentuada da taxa de fecundidade, que é o número médio de filhos por casal. Na década de 80, essa média era de 4,1 filhos, mas agora já está abaixo de 2 filhos – ou seja, não há sequer reposição dos pais.

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“Isso tende a cair ainda mais. Por volta de 2030, a taxa convergirá a 1,5 filho por mulher segundo o IBGE. Com o passar do tempo, cada vez menos pessoas serão contribuintes da Previdência”, advertiu o secretário.

Outro fenômeno é o avanço da expectativa de vida. Na década de 80, a expectativa de sobrevida aos 65 anos era de mais 12 anos. Agora, está em 18,4 anos e deve chegar a 21,2 anos em 2060.

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Ao conjugar esses dois fatores, a razão de dependência, conceito demográfico que compara o número de idosos (65 anos ou mais) sobre pessoas com idade ativa (15 a 64 anos), mostra que há 11,9 idosos para cada 100 pessoas em idade ativa. Com o passar do tempo, a razão de dependência chegará a 43,8 idosos para cada 100 pessoas em 2060.

“Isso terá impacto sim nas contas previdenciárias, haverá cada vez mais idosos para receber aposentadoria e menos gente para contribuir”, alertou Caetano.

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O secretário buscou rebater argumentos da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Anfip), cujo presidente, Floriano de Sá Neto, defendeu que o déficit da Previdência é recente, verificado apenas em 2016. Segundo ele, entre 2005 e 2016, a média foi de um superávit acima de R$ 50 bilhões na Previdência. O governo contesta os números apresentados pela Anfip e diz que a entidade distorce os dados para mostrar uma realidade que não é a da Previdência.

Sá Neto defendeu nesta terça na audiência pública que o governo “escamoteia” dados sobre a população ativa em 2060, que continuará a ser “robusta”. O problema, segundo ele, será dar condições adequadas de emprego para que essa população possa sustentar as contribuições à Previdência. O presidente da Anfip também disse que os regimes de aposentadoria de servidores públicos e trabalhadores do setor privado são diferentes e por isso merecem tratamentos distintos. Para o governo, igualar as regras é uma questão de “combate a privilégios”.

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Desigualdade entre regimes

Caetano disse nesta terça que a desigualdade entre os regimes de aposentadoria do setor público e privado faz com que o déficit per capita entre servidores seja 15 vezes o rombo por segurado no INSS. Segundo ele, o resultado negativo per capita no regime de servidores é de R$ 78,6 mil ao ano, enquanto no regime real é de apenas R$ 5,1 mil de déficit por indivíduo.

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“Há problema de desigualdade entre regimes. O sistema previdenciário brasileiro é regressivo, o que merece sim ser corrigido”, defendeu em audiência pública na CMO.

O secretário ressaltou, no entanto, que a reforma da Previdência precisa ser aprovada não apenas por uma questão de igualdade, mas também devido à grave situação fiscal do País. De acordo com Caetano, o rápido envelhecimento da população pressionará não apenas as aposentadorias, mas também os gastos com saúde. “Ainda temos tempo de fazer reforma sem mexer em direitos adquiridos. A regra de transição é lenta, gradual, ainda temos tempo de fazer isso”, afirmou.

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Segundo o secretário, depois das concessões feitas pelo governo para retirar mudanças que seriam feitas na aposentadoria rural, no Benefício de Prestação Continuada (BPC) e no tempo mínimo de contribuição para aposentadoria no INSS, diminuiu muito o número de atingidos pela reforma, principalmente entre a população mais pobre. Caetano afirmou que só 9,5% da população de trabalhadores será atingida pelas medidas de “quebra de privilégios”.

“O Brasil ainda é um dos raros países que não têm idade mínima de aposentadoria”, advertiu o secretário. “É impossível alcançar responsabilidade social sem responsabilidade fiscal”, acrescentou.